O revisionismo do Governo pode afetar a Bíblia

bibliaprofanada

O governo, além de tirar sociologia e filosofia da grade escolar, pretende fazer modificações na História. O Golpe Militar de 1964, por exemplo, passará a ser entendido como um esforço militar para deter a implantação do Comunismo no Brasil. Que mentira mais bonita, não? Que bravos heróis esse revisionismo da História nos traz.

No meio direitista, por conta própria, mas, seguindo o mestre, os direitopatas andam atribuindo a cunhagem do termo idiota-útil ao líder comunista Vladimir Lenin, quando a autoria mais aceita menciona Yuri Alexandrovich Bezmenov. E a aplicação do termo, conforme o mundo bolsomimimion, se refere exclusivamente àquele que participa de passeatas em favor de líderes esquerdistas.

Reflitamos: O que direitista entende de história, sociologia, antropologia, geopolítica, marxismo ou filosofia pra sair por aí querendo dar uma de revisor acadêmico? Ou melhor: eles entendem que têm que acabar com essas disciplinas para que o lado que eles combatem não volte a ficar maior. As disciplinas só não: as universidades também.

O brasileiro médio entrou em contato com o termo há uns cinco anos quando espalharam biografias perdidas ou proibidas na internet e entre elas estavam as de gente como Antonio Gramsci e Saul Alinsky. O teórico Gramsci chamava de idiota-útil não só o manifestante citado pelos direitopatas, mas, qualquer contribuinte. E Alinsky, ativista político estadunidense, formava legiões de idiotas-úteis em pró da derrubada do sistema em sua pátria. E quase conseguiu!

Um cara de pé em uma esteira de linha de produção em uma fábrica e que coloca peças de um produto no lugar e com isso ajuda enriquecer seu patrão enquanto ele próprio apenas ganha seu sustento é um idiota útil. Os grandes craques de futebol de hoje em dia não passam de idiotas-úteis. Nisso, quem não está no controle da sociedade está no rol de idiotas-úteis, massas de manobra. Lenin, sim, definiu o termo “esquerdismo” em seu livro “Esquerdismo, doença infantil do Comunismo”.

Mas, como esses “conserva dores” que estão em vitrine têm a obrigação de seguir os “dita dores” da informação deles, a verdade terá que ser modificada. Gente como Rodrigo Constantino e Olavo de Carvalho. Terraplanistas que acreditam que o Sol é que dá volta na Terra.

Aliás, não está errado isso, em todo o Universo, qualquer um dá a volta nos terráqueos. Entendeu? Riu? Então, vamos voltar ao assunto.

Eram danosos para o cidadão de Minas Gerais aqueles tempos em que cheio de intenções para com o estado difíceis de serem interpretadas, o governador Newton Cardoso sofria o massacre da imprensa que opunha-se ao seu governo. Graças a ela, ficamos todos nós daquela época com a opinião formada quanto à capacidade intelectual debilitada do político pmdebista, vulgo Porcão. Pejorativo que foi lhe atribuido também pelos opositores. O jornal “O Estado de Minas” chefiava os marrons.

Tendo herdado o aparato estatal absolutamente comprometido com o pagamento do funcionalismo: 113% do orçamento eram direcionados à folha dos funcionários de Minas, tal qual herda hoje Jair Bolsonaro o cetro federal, Cardoso se viu necessitando realizar cortes no orçamento público. Um dos primeiros atos de Newton Cardoso como governador foi a exoneração de mais de trinta mil funcionários fantasmas.

E, naquela circunstância, tal qual acontece hoje, os servidores públicos – que votaram em peso no ex-prefeito de Contagem, MG – se transformaram na esquerda. E se embrenharam a recrutar idiotas-úteis inclusive no meio privado. Gente que nada tinha a ver com o peixe por não ser funcionário público e que estaria era ganhando com os resultados que o governador colhesse, impelidos pelo marketing político de terceiros apoiou a luta pessoal dos beneficiários do sistema estatal.

E tal qual os direitistas desavisados de hoje, os daquela época ajudaram a esquerda servindo de massa para manobrar a causa dos jornais e bancos estatais, que estavam na mira de corte de verbas – os primeiros – e privatizações, que acabaram ocorrendo.

Essa massa criou, então, um mito: a burrice de Newton Cardoso. E várias piadas bem criativas. Algumas foram parar em programas de televisão de cadeia nacional.

No caso atual, a soberba que nos exibe Jair Bolsonaro faz a gente imaginar que ele leve à sério o título de Messias, o qual ele tem desde menino. Fazer o verbete “comunista” virar significado de “vagabundo” deve estar entre as exigências destinadas aos organizadores do dicionário Aurélio. Pode ser que ele não se contente com o campo nacional e queira também dar pitaco na Bíblia.

E aí, emprestando de uma piada contra o Newton Cardoso, “cristão” vai designar um cristo grandão; encíclica, uma bicicleta de uma roda só; epístola: pistola para atirar em perfis de redes sociais na internet.

Não tem essa de ‘dar a outra face’, bateu, levou de volta”. Nesta passagem relatada em Lucas 6:29, a protagonista da história sem dúvida seria Maria do Rosário, conforme essa divagação. “vende tudo o que tens e me segue”: “Ô louco, isso é coisa de comunista, ou seja, de vagabundo”. O Mar Vermelho que Moisés teria abrido terá que mudar de cor. E por aí vai!

O fato de apesar de a Bíblia ser profundida como um livro inspirado por Deus, portanto, não pode haver dúvida e nem despautério, o Rei Saul ter morrido uma vez, mas de três formas diferentes, duas sendo assassinado e uma cometendo suicídio, pode impelir o Coiso a exigir: “Não tem essa de morre-não-morre, arrume uns caras bons de serviço, põe uma metranca na mão deles na história e acaba logo com esse rei”. E ainda se pode esperar por um “rei que procura necromante é bandido; e bandido bom é bandido morto”.

Mas, a necessidade maior de revisionismo bíblico nos novos tempos, que destacarão a pedagogia da Escola Sem Partido, está na crucificação de Jesus. Como todo cristão sabe e até ateus sabem, Jesus foi crucificado entre dois ladrões. E o bom ladrão, apesar da passagem não deixar isso claro, é apresentado tanto na cultura artística cristã quanto na profana, como o que está à esquerda do Cristo, causando uma difamação à lateral direita. Mas, nada que uma ordem bem ao estilo bolsonarista não resolva: “Tá errado isso daí, bota o vagabundo na esquerda, talquei”.

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