O ex-esquerdista e os bolsonarianos

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*Postado num perfil do Twitter

A história se passa em um grupo de Whatsapp frequentado somente por homens e todos eles conservadores e bolsonaristas com mais de 45 anos de idade.

Em certo domingo, um membro enviou um vídeo que mostrava duas mulheres controlando uma bola de futebol em uma praia. O compartilhamento foi servido de uma apologia às habilidosas e belas mulheres.

Um outro, recente no grupo e ex-esquerdista, sabendo que é próprio da esquerda espalhar material que enaltece habilidades de mulheres, para o fim de usar como trampolim a condescendência de quem compartilha os materiais e fazer famosos e carismatizados os protagonistas pra depois declarar em público a homossexualidade deles e erguer bandeira para a causa LGBT, escreveu: “dá uma trouxa de roupa para essas lésbicas lavarem“.

Os colegas de grupo estranharam, pois, até onde eles sabiam o novo membro votou no Haddad na última eleição presidencial. E em antros bolsonarianos, rechaçar esquerdista é mais o foco do que apoiar seu presidente.

Eles até gostam de dizer “Se Bolsonaro salvar o Brasil o petista é contra“, mas, se um esquerdista apoia as propostas do presidente deles, que só se soube delas agora, e não durante a campanha eleitoral, eles é que vão contra.

Pra deixar claro para a turma, mesmo não tendo ela pedido explicação, o temporário estranho no ninho postou:

O Bolsonaro não se interessou em conquistar o meu voto porque sabia que quando enfim ele revelasse as propostas que durante toda a campanha eleitoral ele escondeu eu teria Q.I. suficiente para entendê-las e apoiá-las, pois, eu veria que são todas do meu interesse“. E regozijou dizendo que quem elege candidato sem proposta é o desesperado. Sábios reelegem, caso o desespero se mostrar ter ditado a opção correta.

Mais um domingo e mais bolsonarista caindo que nem patinho nas garras da esquerda e compartilhando mais material enaltecendo habilidades de mulheres implorando visibilidade. E mais da mesma resposta do ex-esquerdista: “dá uma trouxa de roupa para essas lésbicas lavarem“.

Daí, esse outro membro não aguentou. Achou que devesse alertar o esquerdista quanto a pronunciamentos homofóbicos, o que não era o caso, e ao mesmo tempo querendo viralizar um vídeo que seria bemquisto dentro do grupo, postou o próprio. O qual alertava quanto a aprovação da PL672/2019 do Senador Weverton do PDT. E encheu seu post com a hashtag #PL672/2019NÃO.

O protagonista no vídeo alegava que a tal PL se aprovada significa que na escola, por exemplo, se quiserem induzir o filho a se tornar homossexual e o pai se opor, o pai poderá ser preso. Se acharem que alguém ofendeu um homossexual só porque não se sujeitou a uma frescura dele: vai preso. Total opressão chamada de democracia.

Com isso, o esquerdista quis prestar para os direitistas uma informação muito restrita ao meio manipulador da opinião pública. A qual, se massificada derrubaria, sem qualquer possibilidade de contra-argumentação, a PL em discussão. Transcrevendo:

Lei priorizando homossexual, Lei Maria da Penha, cotas para negros e índios em concursos, tudo isso são instrumentos da Esquerda para arregimentar grupos para o fim de viabilizar governabilidade e criar curral eleitoral.

E tudo: instrumento inconstitucional. Fere o Art. 5 da Constituição Nacional, que diz que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade“.

Ou seja: qualquer lei priorizando grupos entra em contradição com esse artigo do código legislativo maior da nação.  Se alguém sofre dano por ser homossexual, o termo da Constituição que diz que todos somos livres quanto à orientação sexual basta para ele recorrer à Justiça.

Da mesma forma, se uma mulher sofre violência do marido, se ela tiver uma lei especial para isso, vai para o saco o artigo mencionado. Violência de qualquer tipo já é punível em diversos códigos legislativos oficiais da nação.

Se todos somos iguais perante a lei, então, por que uns terão reserva em vagas para concursos? Aquele papinho que diz que a razão da cota é que o pobre só pode estudar em escola pública o Fundamental e o Médio e que o sistema público nesses ciclos é incompatível com a qualidade dada pela escola privada para se chegar à universidade é inteiramente improcedente.

Deveriam fortalecer o ensino público específico – para torná-lo “igual” ao privado, como manda a Constituição – ou dar condições para o pobre estudar na escola privada o ciclo que na pública é deficitário – também devido à mesma analogia anterior.

Por que o ensino básico público é fraco e o universitário é forte? Já se questionou isso? Rico é quem vai pra universidade pública e dela abocanha os melhores empregos. Ele deveria seguir o ciclo e ir pra uma particular, já que sua hegemonia se explica pela preparação em escola privada.

Fica parecendo que sabotam os ensinos públicos fundamental e médio para empurrar aluno para a Máfia das Escolas Privadas ou para beneficiar o estudante dessa máfia nos vestibulares. Se os estudantes secundaristas de escola pública obtivessem também sucesso nas aprovações para a universidade pública as escolas privadas minguariam alunos. Para quê pagar, né? Já refletiu sobre essa provável sabotagem?

Daí, não satisfeito em se fazer compreendido, o ex-esquerdista deu dois exemplos. Na verdade, ele queria deixar claro que a interpretação do que caracteriza ou não um ato discriminatório não é bem como os que estão por trás dessas maquinações fazem os homossexuais pensarem o que são. E aí vão os exemplos.

Se ofereço no mercado uma vaga de emprego e utilizo exames práticos para escolher o dono dela e um homossexual chega ao final como o melhor candidato, se eu não der pra ele a vaga, tendo eu pronunciado ou não razão homofóbica, eu teria cometido injustiça passiva de criminalização.

Mas, se ao final dos mesmos exames eu obtenho um empate entre um hétero e um homossexual, tendo eu pronunciado ou não a razão da escolha pelo hétero, sendo que o pronunciamento é totalmente desnecessário, nenhuma acusação criminal cabe ser feita. Na tal PL seria isso inadmissível, a vaga teria que ser do homossexual em caso de empate. Pronto e acabou!

Ficou ainda mais eloquente quando o esquerdista revelou que fora em alguns lugares onde trabalhou e estava sendo em seu atual emprego discriminado por ser heterossexual.

No tal lugar, um call center, as oportunidades para sair da função de atendente e entrar no rumo dos cargos maiores através da qualificação de supervisor eram legadas a todos, mas, só os homossexuais é que obtinham as vagas. Supervisor que não fosse um, ou era bissexual ou era simpatizante presa fácil para a homossexualização de que nos falariam gente como Marcus Feliciano e Silas Malafaia. Daí formam panela, hétero que não colabora com a irmandade não entra, o que configura a chamada “Ditadura homossexual” que teria sido proferida pelo ex-senador Magno Malta.

E pra acabar de fu… ops: se expressar, o camarada alegou que gostaria de reclamar da discriminação que sofre por ser hétero. Mas, onde? Para quem? Tem lei que prioriza o heterossexual? O branco? O não índio? O homem? Tá havendo igualdade de condições aí nesses casos? É constitucional isso?

E pra fechar, pregou contra a privilegização de grupos que os governos esquerdistas se lançavam a ela para perpetuar-se no poder e contra a vitimização a que indíviduos recorrem por saberem que teatralizar pra causar comoção é uma forma de obter ganha-pão nesse país ainda impregnado com a moral – ou falta de moral – implantada nos últimos anos. Achou estranho um antro bolsonarista não compactuar com tais opiniões. Até pensou que fossem todos petralhas disfarçados.

Como escritor, antes de tecer a postagem, que só decidi por ela porque acho que as equipes do Bolsonaro visualizam o que publico – ou pelo menos anda coincidindo muito de eu tecer algo que anda esquecido pelo governo e ver em seguida  logo a Globo falar a respeito -, caçei verificar se procedia a informação sobre o tal projeto de lei.

E não é que no meio direitista esse tipo de ataque é procedente? Existe o tal projeto: PL262/2019. E eu faço minha a hashtag do compartilhador do vídeo, pois, se é pra ser inconstitucional eu prefiro ser anarquista: #PL672/2019NÃO.

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