Vazamentos do The Intercept: Não é o que não pode ser

intercceptmoro

Tenho transitado tanto em antros esquerdistas quanto direitistas. Isso se deve porque depois que, enfim, Bolsonaro apresentou seu projeto de governo e as medidas que tomaria junto à sua esplanada eu identifiquei vários benefícios em meu favor. Aprendi a olhar primeiro para o meu umbigo e depois seguir a boiada.

E entre as coisas que constatei vivendo entre os outrora opostos é que os direitistas são muito imbecis. É por isso que Bolsonaro lavou a égua com aquela campanha patife que fez para se eleger presidente da república.

E, então, o The Intercept apareceu para todos os lados. Antes, só nós da esquerda na época conhecíamos a versão tupiniquim do jornal inglês. E o diário fez isso em alto estilo, incomodando até a poderosa Organizações Globo, que teve que dá um tempo no possível plano tramado junto ao governo, que a obrigava a tocar quase diariamente no nome da Folha de São Paulo entre seus concorrentes do campo da comunicação e rebater os vazamentos que o jornal fazia, suspeitos de serem cuidadosamente contratados pelo governo federal junto ao Grupo Abril – e pode ser que continuará fazendo.

A Globo não ficou puta da vida por não ter sido ela a ter vazado os documentos que simplesmente ateiam fogo na cortina de ferro da moral e ética dos conservadores. Se ela possuísse os materiais teria que arquivar até seus patrões decidirem utilizá-los.

O que a deixa mais invocada é a fonte: um jornaleco eletrônico que anda mamando na vaga do Wikileaks. Que vem, pelo menos na internet, sendo mais lido do que monstros sagrados como o The Guardian e a BBC. Virou ícone da esquerda, mas, não está livre de servir à direita a exemplo de grandes mitos do passado como o site Opera Mundi.

Esta é uma das muitas alternativas entre as que nos faz imaginar que o que aparece de sopetão para o público mastigar pode não ser o que parece e ser até o que não pode ser.

Os vazamentos injetados na marra na cabeça do público não só tiram dos olhos dele as pimentas mansas que a mídia corporativa espreiava, como o Caso Queiroz, A prisão do João de Deus, as travessuras ilícitas de Flávio Bolsonaro no país das maravilhas, a crise do Cruzeiro Esporte Clube e o mais recente tapume de besta jorrado para vendar a população para esta não entender a parte operativa da política canalha que faz o Governo Bolsonaro junto ao STF e ao que resolveu chamar de Centrão para assim viabilizar seus projetos – digo de passagem “bons projetos”: O suposto estupro protagonizado pelo já não mais garoto Neymar. Esta chatice, por ser tão fútil, cansou logo.

O The Intercept nos grupos de Whatsapp direitistas é de propriedade do Jean Willys, assim como a Oi é do Lulinha. Se por lá contarem que o proprietário é um bilionário dos Estados Unidos, Pierre Omidyar, fundador do E-Bay, a ilusão deles quanto à integridade incorruptível do hoje ministro da justiça Sérgio Moro e do coordenador da força-tarefa da Operação Lava-jato Deltan Martinazzo Dallagnol estará perdida.

Por isso preferem eles se manterem imbecis e acreditarem no que informam os textinhos de whatsapp que viralizam em seus antros, cujas fontes nem mesmo eles sabem de onde são. Sequer procuram saber se procedem, se têm embasamento científico, se suportam debates o que vomitam nas interfaces do aplicativo de comunicação instalado nos smartphones deles.

A grande ameaça que representa as denúncias feitas supostamente por um anônimo ao The Intercept é o fim de uma série de peças teatrais. Entre elas a prisão do Lula. Mas, vai saber se não é isso mesmo o que o governo quer ou precisa que viabilize e de repente o tal vazamento é tão orquestrado quanto foram os muitos que divertiram os antipetistas até a providente prisão – o que fica claro nos prints de conversas de chat divulgados – do ex-presidente do Brasil?

“Lula Livre” é importante para fazer o povo aceitar as reformas que aí aguardam pela implantação. Libertar o homem para ajudar nisso, sem ter que dar o braço a torcer, é uma das coisas que pode ser. Por que não? Hora de acabar com uma prisão providencialmente indevida, que não vai ter jeito de durar a vida toda. A la Nelson Mandella, Lula pode ser o cara que Bolsonaro precisa. Isto pode ser!

Porém, há alguns baques a serem remediados: o bolsomimimion ficará uma ararara ao ver indiscutivelmente revelado que foi feito de massa de manobra para eleger um governo que em nada se diferenciaria do petista em termos de manipulação social. E que estaria só arrumando a casa, a pedido do próprio PT. E que pra isso foi preciso forjar a prisão política do Lula, senão ou ele ou o Haddad ganhariam. Com ele, bolsomimimion, podendo ter dado o seu voto. De repente até a facada no mito estaria a um passo de ser decifrada.

Esses últimos acontecimentos indigestos envolvendo o governo, que levaram os bolsomimimions a odiar o STF e o tal do Centrão – que conta em sua essência inclusive com gente do DEM, o partido hegemônico na esplanada do presidente -, tornaram esses dois figurões álibis perfeitos para preparar o público para aceitar medidas ainda mais enérgicas. E timing é com essa corja de pseudos direitistas-conservadores-radicais-esquerdistas que estão alinhados até o pescoço no grande golpe para salvar o Brasil sem que ninguém tenha que sofrer sequelas como deveria.

Até se esquecem que o STF foi seminal para a eleição de Jair Bolsonaro. Por que agora aparece como figura comprometedora e infiel? O que pode ser isso?

Nada mais solucionador do que a alegação de terem sido hackeados telefones celulares de políticos ilustres da Lavajato. Mas, será que os que sofreram a suposta ação de um hacker não temeram essa possibilidade quando transitavam informações que deveriam serem passadas somente verbalmente, direto no ouvido do outro e em linguagem codificada, quanto mais tendo sido aprisionados em gaiolas, por esse mesmo pessoal, por essas mesmas vias, diversos pássaros?

E por que cargas d’água um hacker, suposto esquerdista, só apresenta esse material agora, dois anos depois de algumas dessas mensagens que não tomaram o cuidado de apagar terem sido trocadas? É tudo providente demais, não? Não parece coisa planejada para vazar e de acordo com certo cenário se viesse? Que talvez sabiam que fatalmente viria.

Tinha mesmo cacife pra isso o tal anônimo que chegou ao The Intercept? Será que andou pegando consultoria com Kevin Mitnick? Ou será que a gente consegue ser mais esperto do que a Globo e suspeitar que os próprios donos das conversas disponibilizaram – de repente até criaram de última hora – o material em determinado timing e para cumprir determinado propósito?

É claro que se isso está entre o que pode ser, a Globo e todo o PIG estariam contratados para pagarem de inocentes e nos enganar como sempre. Ou então, gente, o próprio Telegram é que seria o informante.

Golpe militar à vista. Isto pode ser? Pra mim pode. Como eu já escrevi em outras postagens, a oposição que esse governo está sofrendo, que vem organizando massas para fazer minar suas implantações é completamente invisível. Consegue fazer com que eleitores bolsonaristas se oponham às já inadiáveis implantações do governo. Invisíveis, que fazem isso pensando neles próprios. E que são os verdadeiros desinteressados no avanço que as aprovações dessas reformas proporcionarão à sociedade brasileira.

Pra frear esse pessoal, só com intervenção militar. E se Moro, o STF, o Centrão e outros pontos fortes do Governo Bolsonaro caírem, as armas sobem. Para o bem do país, felizmente! Eu apoio! Não é nenhuma estranheza o JN dar uma pala exclusiva para o general Hamilton Mourão pronunciar-se a respeito da questão e enaltecer Sérgio Moro como um jurista aceito por certa maioria que ele levantou por conta própria só pra não deixar de aparecer.

Mas, nada disso pode ser o que está em jogo. Não lhe parece óbvio, escritor: o jornal foi o escolhido para receber uma denúncia anônima que pode fazer o PT voltar ao posto. Temos que condenar o jornal e dizer que tudo o que ele revela é mentira.  É pura teoria de conspiração essa sua. Não pode ser, não é o que não pode ser. O que não pode ser que não, é o que não

pode ser que não é
o que não
pode ser que
não é.

Que não é o que não pode ser
Que não é o que não pode ser
Que não é o que não pode ser
Que não é

(“O que”. Titãs. 1986)

Leia o livro “Os meninos da Rua Albatroz“.

NUNCA PERCA AS NOSSAS POSTAGENS!

 

Uma consideração sobre “Vazamentos do The Intercept: Não é o que não pode ser”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: