AI-5: Ato Irresponsável número 5

Demonstrando-se completamente desesperado, o presidente Jair Bolsonaro anda cometendo irresponsabilidades, uma atrás da outra. Listo aqui cinco das mais cabulosas das últimas semanas.

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ATO IRRESPONSÁVEL NÚMERO 1: 15 de março de 2020, os bolsonaristas – é claro que sob a batuta dos Bolsonaro na surdina e como se tivessem sofrido a lavagem cerebral provida pelo MK-Ultra da CIA – organizaram uma manifestação para influenciar os brasileiros a entrarem em briga suas e pedir a cabeça dos juristas do STF.

O grande aliado dos tempos de campanha de Bolsonaro, “coincidentemente” depois que a Reforma da Previdência foi aprovada virou um inimigo junto com outros ex-aliados do messias candidato, como a Rede Globo, Rodrigo Maia, os governadores do Rio de Janeiro e o de São Paulo (que correm o risco de passarem pelas mãos do Dr. Rudy Wells e se tornarem biônicos, como há cerca de 40 anos).

Agora os interesses de Bolsonaro conflitam com os de gente que tem bala na agulha, logo, o jeito é incendiar seus seguidores alienados – que continuam fiéis e cada vez mais a espalhar fakenews – para salvar seu posto de presidente da república. O irresponsável ignorou o coronavírus e marcou presença para selfies junto a seus laranjas, formando um laranjal despreocupado com a saúde de todos nós e se dizendo amar o Brasil.

ATO IRRESPONSÁVEL NÚMERO 2: 24 de março de 2020. A Covid-19 causa espanto em todo o mundo. A sociedade brasileira se prepara para se isolar. Jair Bolsonaro sente que os inimigos que quis criar podem tirar vantagem da situação e expulsá-lo do posto. Um pedido de impeachment citando crime de responsabilidade foi soprado de leve aos quatro ventos.

Em cadeia nacional, Bolsonaro chama a doença infernal de “gripezinha”.  E isso feriu a crença e o temor de muitas pessoas que precisavam muito mais do que esse tipo de tranquilização para se sentir segura. Precisava essa gente, sim, é de um chefe de estado com postura para arcar com suas responsabilidades e buscar o diálogo com o Congresso e com seus opositores em pró de livrar o país do pesadelo que ocorre na Saúde mundial para depois pensar no resto.

ATO IRRESPONSÁVEL NÚMERO 3: 03 de abril de 2020. O então ministro da saúde Luís Henrique Mandetta cresce em destaque junto à população devido a seus métodos para enfrentar o coronavírus. Uso de máscaras, quarentena, regras de distanciamento social estão na pauta.

Jair Bolsonaro pareceu achar que seu ministro estava aparecendo na mídia mais do que ele próprio. Proferiam, por provocação, frases como “Mandetta presidente 2022”. O presidente atual iniciou uma perseguição ao seu ministro da saúde, que fora tão cortejado pelo bolsonarista ao chegar na pasta, o que causou a passos largos um distanciamento distinto entre os dois políticos.

A grande massa adotou Mandetta como quem pudesse livrar o país do caos sanitário e isso preocupou bastante o messias, que apelou para a propagação de um caos financeiro, improvável de acontecer, que viria caso as medidas impostas por seu ministro da saúde não fossem abandonadas.

ATO IRRESPONSÁVEL NÚMERO 4: 17 de abril de 2020. Já não mais sustentável o relacionamento, contrariando a grande massa, Bolsonaro demitiu Mandetta. O fato repercutiu contra si. Para piorar, ele nomeou um médico com cara de Mick Jagger mas com impressões faciais que lembram o ministro da saúde de Hitler, Dr. Heinrich Himmler, o carrasco do nazismo.

Naquela de mostrar lealdade ao presidente e já querendo intimidar o público, Nelson Teich se mostrou mais preocupado com a saúde financeira do país – e quem sabe em resolver a questão da dificuldade que passa a Previdência para pagar os aposentados – e defendeu a lógica: “é melhor investir o mesmo dinheiro pra cuidar da proteção de um jovem à doença, pois, ele tem mais o que contribuir com o país do que um velho que já viveu sua trajetória de contribuinte“. Teich deve ter se esquecido que “viva e deixe morrer” é música do Paul McCartney.

ATO IRRESPONSÁVEL NÚMERO 5: 19 de abril de 2020. No Dia do Índio, no Distrito Federal, Jair Bolsonaro foi à uma unidade do Exército, subiu em uma espécie de palanque, e junto à uma multidão ignorando a transmissão em massa do coronavírus – assim como na China ocorreu na comemoração do Ano Novo Chinês – teria pedido, em desespero total, pela volta do AI5 – Ato Institucional número 5 – e por intervenção militar na política do Brasil. Foi ovacionado.

Só mesmo o bolsonarista para eleger democraticamente um presidente que, acuado e sem capacidade de governar por não possuir tino para a tarefa, pede pela volta de um regime marcado por uma ditadura, que entre outras proibições não permitia votar para presidente da república. O ato irresponsável pode lhe custar o cargo.

Provavelmente seu vice, o general Mourão, um militar mais clássico, conseguirá manter a democracia. Intervenção militar é para os covardes e para quem não sabe lidar com democratas!

A.A.Vítor – Autor do livro “Os meninos da Rua Albatroz”, cujo capítulo “Planejadores do futuro sombrio” previu o momento atual. Sobre saúde e espiritualidade leia: “A magia que enriqueceu Tony”. Sobre empreendedorismo, relação interpessoal e sexo leia: “Contos de Verão: A casa da fantasia” e “Todo o mundo quer me amar”.

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