Eleição 2022: A hipótese que realmente lava a alma

Das muitas teorias que explicam por que uma pessoa como Jair Bolsonaro foi colocado na presidência da República do Brasil, a mais contundente, pra mim, é a que diz que os governos do PT estouraram o orçamento público devido à implantação de muitos benefícios sociais e projetos que convocam a participação da iniciativa privada para serem viabilizados em detrimento da arrecadação pública.

O orçamento público do país vinha sofrendo cada vez mais comprometimento desde que foi pensado para funcionar num sistema mix de economia, no qual setores privados bancam os estatais. História que começa nos anos 1930 com os feitos sociais de Getúlio Vargas e cada governo que o sucedeu cooperou para o aumento da bola de neve.

Devido a fenômenos como o sumiço de empregos e dificuldades para contratar, que afetam totalmente a arrecadação de impostos, aposentadorias, pensões, seguridade social, beneficiários de programas como Bolsa Família e Auxílio Brasil, universidades públicas, Fies e Prouni, funcionários de estatais que não possuem receita, como as universidades federais, ou cuja receita hoje é bastante comprometida devido à chegada de concorrentes e ou mudança de hábitos de consumo, a mais notória delas é o Correios, a não muito tempo no futuro irão experimentar falência, sem qualquer chance de serem privatizadas.

Em 2014, se tentou voltar um partido neoliberal para a presidência da república, o PSDB. Mas, confortável com os donativos do PT, a população elegeu Dilma Rousseff para dar sequência ao conforto ameaçado. Sabedor da necessidade de liberalismo que o país enfrentava, acredito que o próprio PT lamentou. Mas, queriam assegurar a entrada de nomes para a presidência da república pela via democrática.

O jeito, então, foi articular um plano que por si só fosse capaz de garantir que em 2018 o povo deixaria sua simpatia pelo PT e o PSDB ou outro partido neoliberal pudesse aspirar o comando da nação. Criaram para viabilizar isso a Operação Lava jato e o antipetismo – ódio ao PT e às esquerdas.

O desenrolar do segundo governo de Dilma Rousseff sinalizava que ambos os instrumentos criados não funcionariam em 2018. Então, tiveram que inventar para a presidente um impeachment. Porque, conforme essa especulação, não havia nada de irregular no governo de Dilma e também porque dariam um golpe parlamentar, o impeachment teve que ser ilegítimo, com total condescendência dos petistas. Mas, cheio de representações de políticos de todas as vertentes, imprensa, corporações, expoentes da sociedade e outros avatares. A massa – eu e você que me lê – com viseira no rosto participou apenas engolindo tudo como verdade, estabelecendo apoios, tomando partido, indo às ruas e brigando entre si.

Uma vez deposta, Michel Temer, que teria iniciado todo o plano quando enviou telegramas para o consulado brasileiro em Washington reivindicando um plano que colocasse na presidência da república do Brasil um nome do PMDB, seu então partido político, telegramas que foram vazados pelo site Wikileaks, tomou de Dilma o cetro.

Temer também é um avatar desse golpe pró democracia (é hilário, mas, não dá pra entender de outro jeito), desse teatro do absurdo sem non sense. Tinha um papel a cumprir que era iniciar as reformas que transformaria o Brasil num país neoliberal. Congelou o orçamento público por vinte anos, distribuiu dinheiro para setores econômicos em dificuldade como o que engloba as teles, enfraqueceu os sindicatos acabando com a contribuição sindical na primeira fase da Reforma Trabalhista que implantou, preparou estatais para serem privatizadas e começou a discussão sobre reforma da previdência.

É claro que tudo isso deixou Temer bastante impopular e certamente seria um vexame se ele concorresse à presidência da república em 2018 para se tornar capaz de finalizar o que começou. O plano, que de repente pode até se dizer ter o dedo da maçonaria na articulação, seria colocar o PSDB para cortar as bolas levantadas por Temer, dar o veredito em tudo que ficara para ser aprovado e implantado.

Iriam tentar isso se aproveitando dos efeitos da Lava jato e do antipetismo. Mas, só com as pesquisas informais sobre quem a população queria na presidência da república a partir de 2019 a expectativa frustrava-se. Lula poderia concorrer novamente e era o preferido do povo. Geraldo Alckmin, pelo PSDB, ficaria em segundo lugar, uma vez que Aécio Neves legara ao partido uma impressão muito ruim.

Começaram a preparar, então, uma figura. Jair Bolsonaro era um político bastante desconhecido. Seu histórico como político era medíocre e tanto quanto sua carreira militar. Mas, o vínculo com o militarismo seria interessante para cooptar massas e depois desfazer a cooptação. Colocar Bolsonaro na presidência, manipulando para isso o eleitor, um tanto para votar nele e outro tanto para abster-se do voto seria uma fórmula altamente viável para o Sistema aplicar na política brasileira. Para todos os efeitos, a democracia do voto teria sido mantida.

Um intelectual em voga, Olavo de Carvalho, ajudou a criar Jair Bolsonaro e outros avatares do pré-bolsonarismo. Arranjou a aproximação de Jair com Marcos Feliciano e com isso, com a ajuda de outros pastores, arregimentou uma grande massa de eleitores, os evangélicos. Os operadores de instituições militares, empresas de segurança, milicianos e cultuadores de violência, como os integrantes de torcidas de futebol, viram na propaganda de durão machista ex-militar de Bolsonaro uma representação. Estava formada uma massa que seria ainda mais ampliada pelos que compraram a ideia do antipetismo e pelos eleitores tucanos, ainda com dor de cotovelo por causa da derrota para Dilma Rousseff.

Na panela do bolsonarismo, além de Jair Bolsonaro e sua família, outras personagens foram criadas. Algumas só faziam ponta, outras chegaram a disputar cargos políticos, sendo muitas delas muito bem votadas. Na panela declarada havia: Joyce Hasselman, Kim Natigui (e todo o MBL), Alexandre Frota, Roger Moreira, Lobão, Janaína Paschoal. Na surdina se podia encontrar até o então governador de São Paulo João Dória e o juíz Sérgio Moro. Cada um cumpriu um papel importante na destinação de simpatia ao bolsonarismo.

No entanto, só foi possível ver Bolsonaro esboçar concorrência forte ao PT após o número circense da prisão, sem provas, do Lula, que não é mero acaso a história dessa prisão ser mal contada. Porém, a possibilidade de da cadeia Lula dar as cartas a seu substituto na concorrência à eleição em 2018, Fernando Haddad, assombrava o Sistema, uma vez que as pesquisas apontavam, com todos os contras ajeitados, vitória do petista. O que mudou foi a necessidade de haver Segundo Turno, já não seria já no Primeiro Turno essa vitória como era com Lula aparecendo como candidato do PT.

Aí, como o brasileiro médio é presa muito fácil para os que manejam o Sistema, veio o atentado para mim escrachadamente falso: a facada eleitoreira dada em Juíz de Fora, Minas Gerais, no dia 6 de setembro de 2018. Outro número de circo. A famosa “fakeada” superou o acidente de avião que sofreu Eduardo Campos em 2014 e colocou Marina Silva na segunda posição nas pesquisas eleitorais, evitando (pasmem) que Dilma Rousseff ganhasse já no Primeiro Turno. Qualquer semelhança seria semelhança mesmo?

Não fosse as articulações para viabilizar o impeachment de Dilma, não existiria a figura de Jair Bolsonaro. Ainda que ele concorresse à presidência da república em 2018, fatalmente perderia para Lula ou Geraldo Alckmin, que legitimamente eram quem deveria estar voltando ao posto de presidente da república, pelo voto do povo, após Dilma Rousseff ter cumprido todo o seu mandato. Não é à toa que ambos formam hoje uma das chapas candidatas à presidência. Não dava para um ou outro concorrer sozinho, pois, Lula sozinho não atrai eleitores tucanos e Alckmin não atrai petistas. Era risco grande não se configurar o meio a meio configurado em 2014, que daria nó na garganta de Jair Bolsonaro.

Se ambos ganharem, Lula empresta além de sua paixão pelo povo e obsessão por alavancar a sociedade, sua invejável eloquência e talento para negociações com o Congresso, instituições sociais e estadistas do mundo todo (coisa que Bolsonaro, cuja área de atuação forte é só a de segurança e demonstrou péssima capacidade para escolher ministros, mesmo alegando optar por técnicos em cada pasta, não passa nem perto do Lula em termos de qualidade nesses sentidos) . Já Alckmin empresta sua veia liberal, robustecida em seus longos anos como tucano (que para mim continua a ser). Inevitavelmente o Brasil só tem a ganhar.

Não podemos deixar de lembrar que tudo isso é especulação. É canalização da minha habilidade em cruzar informações reveladas e sensibilidade, mediúnica, para extrair o latente. E também lembrar que a menor possibilidade de verdade é pelos participantes inconfessável.

Se essa divagação for verdadeira e vier oficialmente à luz, fora da alcunha de teoria especulativa, é evidente que toda a população brasileira se sentirá enganada (pois, teria sido de fato) e que o processo democrático foi desrespeitado. Uma presidente da república eleita pelo povo foi tirada ilegitimamente do posto e esse mesmo povo foi manipulado para por no lugar dela um presidente patético, que em seus quatro anos de mandato, colocar o povo em status de espera pela Eleição 2022 foi só o que fez.

O PT teria completado o segundo mandato de Dilma Rousseff e jamais saberemos quem teria ganhado a eleição presidencial de 2018, embora possamos sugerir que ficasse a vitória entre Lula e Geraldo Alkimin, então candidatos do primeiro e do segundo, respectivamente, maiores partidos do Brasil, PT e PSDB. Por não poder se revelar o que aqui é pura especulação é que acontece atualmente muita confusão na preferência de voto por Lula ou Bolsonaro.

Porém, algo disso tudo fica implícito e perturba os que têm sensibilidade para suspeitar de haver algo estranho no ar se as pessoas não levarem em consideração, ainda que seja mera especulação: o comportamento de Jair Bolsonaro e de todo o comitê bolsonarista dá a entender que Bolsonaro está dando a chance ao povo de recuperar sua democracia e voltar o PT – e por tabela, na pessoa de Geraldo Alkimin como vice de Lula, o PSDB – para o posto que por direito seria de um dos dois partidos.

A candidatura de Bolsonaro não é em vão, ela existe. Ele é representante de uma elite que continua com seu poder e regalias qualquer que seja a candidatura campeã. Porém, tem menos o povo a ganhar se Bolsonaro sair vitorioso.

Privatizações serão inevitáveis, arrochos de direitos do povo idem, a agenda política de ambos será a mesma. Só que com Bolsonaro novamente no posto, se não ouvirem sua súplica gesticular para não votar nele, as privatizações serão mais rápidas e mais duras (talvez até o SUS entre nessa) e a implantação do liberalismo não será tão otimista para o desejoso de ver imperar no Brasil o sistema neoliberal.

A necessidade de pagar por tudo obriga as pessoas a serem muito boas no que fazem. Estudar mais, treinar mais, ser compreensivo com quem dará as cartas, o patrão, será imprescindível. Nos primeiros anos, a dificuldade de se empregar por causa de capacitação será implacável. E é aí que mora o perigo para quem quer se arriscar movido por sentimentos medíocres lhe implantado mediante manipulação, como o antipetismo, ou por recomendações de pessoas que ganham do bolsonarismo para recomendar, como os pastores evangélicos que arrebanham seus fiéis para formar o curral eleitoral bolsonarista.

Se o povo eleger Bolsonaro para continuar comandando o país, significa que os meios mais severos para consertar o país serão implantados. À nada do que o bolsonarista incauto, arregimentado pela veia militar, pelas igrejas evangélicas e por outros meios espúrios de arregimentação defende como a ser os reais interesses do bolsonarismo, como combate ao culto LGBT ou o credo “pátria, família e Deus acima de tudo” será dado atenção.

Se há uma coisa que prezam os que dão suporte ao Bolsonaro e que são seus financiadores – incluem-se oligarquias do Brasil e do mundo, monarquistas do mundo todo, inclusive os do Brasil, megacorporações, banqueiros, grupos étnicos, sociedades secretas, líderes de igrejas – é a saúde da economia. E essa saúde só é possível com grupos de consumidores em massa realizando ferozmente seu consumo. Dentre outros, os LGBT é um dos mais fortes. Ou se entende isso ou se atira no pé com o voto em Bolsonaro por razões mesquinhas.

Muito armado, acredito, foi a eleição massiva de candidatos que apoiam Bolsonaro e darão suporte ao seu novo mandato, que pode, entre outras coisas, enfraquecer o poder do povo, inclusive para decidir seus representantes de então para frente. O fato de vários, senão todos, personagens que trabalharam a implantação do bolsonarismo não serem reeleitos não é comemorável porque foi estrategicamente forçado.

Todos são avatares no plano, foram eleitos às custas da candidatura do Bolsonaro em 2018 e romperam (me engana que eu gosto) com ele estrategicamente, ficando para o eleitor mais suscetível se solidarizar com a imagem do bom pai patriota que foi abandonado pelos filhos ingratos e que quer salvar o Brasil. Um senhor de idade amigo meu (coitado eleitor de Cleitinho para o senado por Minas Gerais) caiu que nem patinho nesse truque e repassa pelo Whatsapp que a “vingança veio a cavalo” e que “foi feito uma limpa”. Espero que quem ler este texto – por completo – escolha não ser tão ingênuo.

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