Desprivatização, a melhor forma de acabar com o Comunismo

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IMAGEM: Internet

Sugerido na coluna da direita do site ao assistir um viral, vi no Youtube a entrevista do Pedro Bial com o guru de Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho. O viral é aquele em que o reivindicante à alcunha de filósofo mete o pau, categoricamente, prestando um grande serviço à Esquerda brasileira, nos militares ao redor de seu pupilo presidente.

Aliás, a nova polêmica envolvendo o Governo Bolsonaro, essa de atacar a disciplina Filosofia nas escolas, só pode ser represália exigida pelo círco militar contra os ataques do astrólogo, filósofo e, pasmem, educador.

Em meio a uma chuva de informações duvidosas prestadas pelo entrevistado, combates à esquerda brasileira que conquistam cada vez mais o apoiador do sistema político conservador e mentiras deslavadas, sem admitir ser próprio da direita o discurso de ódio, Olavo dispara-se contra o Comunismo.

Inclusive, como se Carlos Bolsonaro só destinasse sua ira aos comunistas, nunca a outros desfavorecidos da sociedade, Olavo dá razão ao filho do presidente, dizendo que todo ódio propagado contra os comunistas é tolerável.

Eu perguntei pra mim mesmo: “qual a razão de o Comunismo incomodar tanto esse cara”. No caso, o Olavo. O Carlos provavelmente não sabe direito o que é isso e o critica porque é discípulo do educador impostor.

Não é um sistema falido? Não se mostrou incompetente, economicamente falando? A base de todas as preocupações no Ocidente não é a Economia? Onde assustava a implantação do regime já não deram de mão? Sendo que no caso da China a mudança de modelo econômico não foi muito boa para o Ocidente.

O Olavo vive nos Estados Unidos. Será que ele não sabe que de lá vem uma corrente de idealistas de regimes sociais que pregam a favor do Capital, mas que são contra a propriedade privada?

Os caras instruem a acumular dinheiro em contas bancárias; a formar capital financeiro em vez de patrimônio físico. Cuidar cada membro da sociedade de se tornar sucesso em alguma profissão e faturar trabalhando para alguma empresa ou senão tornar-se um grande empreendedor, dono de um meganegócio.

Eles pregam a favor do aluguel em detrimento à aquisição de imóveis. Os locadores – recebedores dos aluguéis – também não seriam proprietários de imóveis ao pé da letra, pois, o seu imóvel é o seu produto, dependeriam dele para ganhar seu dinheiro, portanto, não poderiam fazer com ele o que bem quiserem, como manda o Capitalismo tradicional.

Em vez de passar a vida a se preocupar com a segurança e o desfrute de seu patrimônio, o profissional de sucesso desse modelo viveria a viajar para outros lugares, fazendo turismo, curtindo a vida, abastecendo de dinheiro, com o seu consumo, outras praças. Voltando à vida de trabalhador sempre que a bufunfa se tornar escassa e a boa vida ter que dar um tempo. Se tornar!

Em sua edícula praticamente ele só apareceria para repousar. Vai ter lá os móveis e eletrodomésticos. Talvez possam ser de propriedade sua, isto seria indiferente. Coisas altamente rotativas pelo desprezo ao cárcere, o que faria bem para o Capitalismo estarem sempre a serem compradas. Nem seria preciso praticar o obsoletismo planejado nos produtos.

Outra contradição ao Capitalismo atual que esses caras sugerem se relaciona ao culto ao automóvel. Pra quê ter um carro? Precisar de garagem, dar manutenção, pagar IPVA. Precisa de um para ir a algum lugar ou para curtir um barato? Alugue!

Vá de ônibus, taxi, Úber quando a grana estiver pouca, ou se não estiver afim de dirigir ou dirigir não se fizer necessário. Ganha com esse comportamento o sistema de transporte e um monte de gente. Ganha o meio-ambiente, a qualidade de vida nos centros urbanos.

As questões que envolvem o trabalhador estariam todas resolvidas. Os patrões – donos dos bens de produção e dos duráveis de consumo, como os alugáveis – teriam que agir pianinho com o trabalhador. Precisariam forní-lo de dinheiro para que o mercado que envolve seus negócios esteja estável e dando condições para estes obterem lucro e com isso ajudar o proprietário a quitar suas despesas e manter seu status quo.

Trabalhador insatisfeito pede conta. Sem a mesquinharia de preocupar com acerto e em ter o que pagar senão perde o patrimônio que conseguiu levantar com o seu suor. No dia seguinte já haverá porta aberta para ele operar novamente.

É capaz até do próprio explorador do imóvel lhe alugado, para salvar seu ganho mensal com aluguel, mexer os pauzinhos pro inquilino se empregar novamente. A última coisa que esse sistema vai querer saber é de desempregado debaixo de suas asas, desfalcando o consumo.

Ah, diga-se de passagem, o espaço para servidor público nesse sistema é bastante pequeno. O mesmo para empresas estatais inexiste. A necessidade de políticos, o grande peso econômico no Brasil, é bastante reduzida. Há alguma dúvida quanto a aposentadoria capitalizada nesse sistema ser a opção mais indicada?

Projetos sociais, universidade pública, saúde e transporte público, vai tudo pro ralo. E com total condescendência do cidadão, tendo ele condições de pagar por tudo isso.

É tudo que o Brasil precisa pra se livrar da crise e da corrupção. E tudo que o atual governo precisa pra se livrar do esquerdismo que tanto o incomoda.

Afeta, inclusive, a Segurança. A insegurança ocorre com as pessoas mantendo-se presas à posses, tendo o que ser roubado ou invejado. Como escreveu John Lennon: “tendo o que matar ou morrer por”. Sendo elas diferentes socialmente com base em posses. Sendo incomuns em vez de comuns.

O advento e atual estágio de evolução do dinheiro eletrônico garante que as investidas de sujeitos hostis contra indivíduos funcionais tão somente para tomar deles dinheiro sejam inibidas.

Num sistema econômico desse tipo, que ameaça o Socialismo ou o Comunismo podem apresentar? Logo, o seo Olavo de Carvalho deveria ser mais claro com relação à sua inquietação quanto ao Comunismo.

O cara, eu acho, é inteligente demais pra achar que Comunismo é o mesmo que terrorismo. No que tange essa questão, o emprego desse capitalismo utópico descrito, por não haver o culto da propriedade privada o desmonta.

Falar que no pacote do comportamento comunista está o homossexualismo, a vitimização, invasão de terra improdutiva, privilegização de grupos, culto à droga, à bebedeira, à violência, ao ateísmo e à vagabundagem, ele bem sabe que  tudo isso é fruto da democracia e a massificação desses fatores são bandeiras de ativistas de linha ideológica não declarada, que usam as esquerdas para chegar ao poder e cuidarem de seus interesses.

E as esquerdas os representam porque formam com isso currais eleitorais e por sua vez obtêm cargos políticos de boa monta. E com eles vão também cuidar de seus interesses.

Mas, não é isso que é Comunismo. E nem são esses: comunistas. São um monte de babacas, que em nada diferem dos babacas conservadores, que fazem com que o verdadeiro comunista se sinta no dever de procurar outra ideologia. Talvez até essa desses idealistas discutidos aqui.

Nem os heróis de Cazuza morreram de overdose

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IMAGEM: Movimento Diretas Já!

Meus heróis não morreram de overdose”. Disse o General Mourão na Globo em setembro de 2018. Quem tem estômago para assistir qualquer coisa da megera emissora de televisão informa que houve muita apologia ao facismo e à violência em tal entrevista jornalística.

O militar descaradamente fazia uma crítica à música “Ideologia” do falecido cantor Cazuza. Subentende-se que aqueles que criticavam a candidatura de Jair Bolsonaro, da qual Hamilton Mourão era o vice, idolatravam seres que estouraram na mídia como formadores de opinião, principalmente do tipo que Mourão abomina, e que associavam suas razões ao vazio e fútil mundo das drogas. Demonstrado isso, gente como o Mourão seria de melhor estirpe por idolatrar pessoas supostamente portadoras de ideais mais nobres, mais necessários à vida e à sociedade e que podem levar a raça humana a um avanço.

Há, no entanto, vários equívocos no que Mourão quis dizer e principalmente em sua interpretação da frase de Cazuza.

“Morrer de overdose” qualquer pessoa está predisposta a morrer. Quem bebe água além do que comporta seu corpo pode morrer de overdose de água. Qual a falta de hombridade em se morrer de tanto beber água?

Na letra da música esta frase está solta, sem nada a limitando ao submundo das drogas. Se você quiser entendê-la por meio de conotação sexual – overdose de sexo, por exemplo –, a interpretação é toda sua. Na sua mente é você quem manda!

Penso que para se concluir o sentido que Cazuza quis dar é necessário analisar a letra da música por um todo. A começar pelo título “ideologia”, passando pelo que após esta palavra vem no refrão: “eu quero uma pra viver”.

Cazuza poderia não estar falando de si, mas, da geração vigente no momento em que esta letra foi criada, 1988. Cujos filhos chegaram aos trinta anos de idade neste ano em que Jair Bolsonaro concorreu e venceu a eleição presidencial. Com toda certeza, o ex-capitão do Exército contou com voto em peso desta moçada.

Aquela geração estava perdida em incertezas. Tinha a democracia, um brinquedo novo, toda à sua disposição. E não sabia o que fazer com ela. Não sabia por onde começar a viver a Revolução proporcionada por seus pais. Achou que democracia era sinônimo de “tudo pode” e se rendeu ao mais persuasivo: o consumo de drogas.

E hoje, o que se nota nas ruas é o reflexo daquela geração. O monstro que tomou forma, agigantou e criou independência. O filho fuma maconha com o pai; a mãe abandona seu bebê por causa do crack ou da cocaína. Tudo isso por falta de uma ideologia. A falta de alguém que mostra um caminho melhor. Que com certeza não é colocar em sua mão uma arma.

O Brasil redemocratizou, mas, não cuidaram de dar suporte ideológico para o povo. Era disso que falava Cazuza, se colocando como um daqueles entes, mesmo não sendo um deles, pois o artista tinha um potencial ideológico muito forte.

E usando de sua credibilidade junto ao público, tentou dizer pra ele que estavam indo para o lado errado. Criticava seus hábitos e seus ícones, gente que se matou de tanto se drogar. E a eleição de Fernando Collor de Mello provou que Cazuza estava certo.

Hoje se repete os mesmos erros. Mas não porque não houve quem instruisse o povo a votar melhor ou a se comportar melhor. Sim porque a hipocrisia fala mais alto. A hipocrisia da mídia, das escolas, das igrejas e principalmente dos políticos. O mesmo sujeito que diz que seu herói morreu crucificado coloca no poder seus amigos, todos antagônicos à doutrina cristã quando pregam a violência, a tortura, o racismo, a homofobia, a xenofobia. Todos envolvidos com a corrupção.

Então, Mourão, só posso parafrasear Cazuza para lhe pedir que “Mostre a sua cara, pois, eu quero ver quem paga pra gente ficar assim”. Eu sei que você sabe.

Leia o livro “Os meninos da Rua Albatroz“.

Prenda o Aécio, solte o Lula e casse a Rede Globo se você for homem!

Se não fores, deixe tudo como dantes no castelo de Abranches. A essa altura já se sabe que o povo não votou por mudanças mesmo!

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IMAGEM: Blog do Covas Jr.

Começa assim: A família Bolsonaro se vê em maus lençóis por causa de um suposto mau hábito de pregar a máxima “menos direitos e mais empregos” para o trabalhador e ter que ver seu motorista tendo que pagar à patroa salários por meio de depósitos na conta dela. Falsidade ideológica? Não, lavagem de dinheiro mesmo!

Isto deu um bafafá descontrolado, fora da gestão trivial realizada com o subsídio que a imprensa corporativa costuma receber de ‘patrocinadores’. Tanto pelos opositores quanto pelos apoiadores da família.

A merda toda é que isto poderia atrapalhar a posse como presidente da república do Bolsonaro-mor. Logo, alguém tinha que fazer o trabalho de desviar a população do assunto. Fazê-la falar de outra coisa até o dia da posse, quando ficará muito mais fácil legitimar qualquer atitude, boa ou má, dos membros da corte presidencial.

Tentaram então jogar luz na suposta tara do medium João de Deus. Teve lá sua contribuição o escândalo espalhafatoso envolvendo estupros que teriam sido praticados pelo medium, desde há muito tempo, com vítimas brasileiras e estrangeiras, durante suas sessões de cura espiritual.

Passou a embriaguês midiática e o povo voltou a focar no caso do motorista caridoso. Daí, veio a expectativa de Lula conseguir um habeas corpus. Noticiário que ganharia o interesse de toda a multidão interessada em ver o circo pegar fogo para os Bolsonaro. Tanto os que gritavam e escreviam “Lula livre” Brasil a fora, quanto os que se indignariam ou ficariam comprometidos com Lula solto.

Os moldadores de opinião especialistas em desviar a atenção da população acharam que o efeito seria melhor se na hora final da duração da viseira dessem que todos os que foram presos em julgamentos de segunda instância fossem libertados para o Natal, menos o Lula.

Só que a comemoração dos que já estavam predispostos a inocentar os Bolsonaro não foi mais produtivo como tapume do escândalo que os envolvia como foi a volta ao objetivo de os encarcerar com que os que queriam Lula livre se dedicaram. Voltou a melar o esquema. A Globo só perdendo! Mostrando cada vez mais que só consegue influenciar quem se deixa influenciar até com uma moedinha paga para calar-lhe a boca.

Eis, então, que mexendo os pauzinhos, os curandeiros de reputação entregaram para o público se deliciar, videografado até, o capítulo em que policiais encontram em um fundo falso de armário na casa de João Teixeira de Farias, o João de Deus, cinco armas de fogo e o equivalente a R$405 mil em dinheiro. Eles não são fracos não!

Mas foram. Nem firulou os caçadores de reputação na cola dos Bolsonaro. E o tempo só passando. E Jairzinho sem o que fazer.

Eis que surgiu o medíocre caso da casa da mãe joana… ops: mãe do Aécio. A PF – Polícia Federal – teria mirado no ainda senador mineiro Aécio Neves, indiciado em escândalos calamitosos, mas, protegido pela Conspiração, e teria feito buscas em endereços ligados ao recém-rebaixado deputado federal.

O furo de reportagem, propagado com muita curanderia pelos veículos das organizações Globo, de modo a parecer querer arrasar com o tucano querido, mas sem lhe arrancar as válvulas de escape, liquida de vez com Aécio Neves? Entrou ele numa fria na tal da Operação Ross?

É uma cartada de mestre. Quem esses esquerdistas e outros opositores de Jair Bolsonaro querem mais a cabeça do que a do Aécio Neves? Eles querem Aécio em ‘Neves’. Ou na Hungria: Nelson Hungria, presídio de Minas Gerais.

Pro tucano, como sempre, não acontecerá nada. Nada. Mas, o noticioso é uma baita cortina de fumaça para manter o povo com os olhos irritados e longe da vida alheia do homem que ruma para o Palácio da Alvorada daqui a duas semanas e precisa que o público tenha total confiança de que alguém, enfim, vai acabar com a corrupção neste país. Passiva e ativa. Mantendo a dele e a da corte, é claro! Mas, sem problemas!

O fato garante o desvio de atenção da massa perseguidora dos Romanov dos trópicos até por mais do que o tempo que se precisa.

Lula, João de Deus e Aécio Neves se interligam na História. Os dois políticos já foram usufruir dos trabalhos do medium. Mexe com os brios da curiosidade essa nova conexão entre eles. Um clubinho de notícias chocantes que apareceram na hora certa para salvar um recém presidente da república de ter sua reputação indo a zero de ibope. Talvez. Né?

Agora, se os Bolsonaro querem se livrar da perseguição de seus opositores de uma vez por todas e ainda lhes arrancar apoio para governar em paz, é só experimentar soltar o Lula e prender o Aécio. E cassar a Rede Globo, né?!

O João de Deus que seja entregue sua sorte à Deus, que é quem sabe fazer justiça. Muito mais do que o Sérgio Moro. Obviamente. E é quem sabe ganhar o crédito do público quando sua obra não parece tão clara. Muito mais do que a Rede Globo. Obviamente.

Leia o livro “Os meninos da Rua Albatroz“.

Presidente Paulo Guedes

Quando o inimigo é útil.

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Temos que nos acostumar à ideia de sermos governados por Jair Bolsonaro e sua esplanada. Não adianta, nem mesmo com a suspeita ajuda da Globo a gente vai conseguir evitar que o homem tome posse. Sendo assim, é hora de encontrar ouro minerando num lixão. Deve ter o que se extrair de bom desse governo que vem aí. O Itamar Franco não ficou em cima do muro, mas, pelo menos não cedeu à corrupção? Então?

A extinção do Ministério do Trabalho como conhecemos, por exemplo, ao meu ver pode ser encarado como uma grande vitória para o trabalhador. Parece que não, né? Deixa eu explicar:

Há dois anos, 2016, eu precisei recorrer ao MT por causa dos abusos que eu e os trabalhadores da empresa onde eu trabalhava sofríamos. Eu tive as seguintes experiências:

Primeiro, passei mais de seis meses, de janeiro à agosto, tentando marcar sessão no órgão para solicitar rescisão indireta devido à não cumprimento pelo empregador das obrigações contratuais para comigo. Eu telefonava pro MT e não conseguia ser atendido. Ia ao estabelecimento da instituição e batia com a cara na porta. Uma tabuleta com os dizeres “estamos em greve” era o motivo. Seis ou sete meses de greve. Pode isso? E pra justificar, a grande mídia noticiava que o órgão não estava recebendo verbas do governo.

Com isso, o que aconteceu? Deu-se o perdão ao que eu ia reclamar e eu perdi o direito da rescisão que eu pleiteava.

Uma amiga minha, no mês de março de 2017, havia me solicitado testemunhar na causa dela e eu aceitei. A audiência dela fora marcada na ocasião para o mês de fevereiro do ano seguinte. Ela acionara a Justiça através do sindicato laboral que nos representava.

Em junho de 2017 eu recebi uma intimação para ir depor pra ela, no dia 02 de agosto, num fórum do MT em uma cidade que não tinha nada a ver com ela ou com a empresa com quem ela conflitava. Aliás, o fórum nomeado no Contrato de Trabalho para resolver as pendengas entre o contratante e os contratados era o de Belo Horizonte.

No início de julho recebi outra vez a mesma carta, relembrando a data da audiência e a multa de dez salários mínimos que eu teria que pagar caso não fosse ao compromisso sem apresentar justificativa. O envio da carta voltou a acontecer no final desse mês.

Compareci ao local no dia e hora marcados. Não encontrei minha amiga por lá. Foi porque o início da discussão em juízo se aproximava é que conheci o advogado da moça, que gritou pela testemunha. Então, ele me disse que a cliente dele não iria e justificou a escolha do local como ser um procedimento normal do meio jurídico, que visa priorizar o deslocamento da testemunha.

É claro que refutei. Era mais fácil para mim seguir para Belo Horizonte. E se a reclamante tivesse duas testemunhas que morassem em cidades distintas e opostas a localização, quem seria priorizado?

Além disso, fiquei desconfiado de algumas coisas que o advogado me pediu para falar para o juíz. No processo julgariam uma indução de pedido de demissão sofrido pela reclamante e já existia a informação de que quem a induziu ao fato, estando ela grávida, no momento do acontecimento estava a sós com a autora do processo, trancafiados em uma sala. Informação prestada pela própria vítima. O advogado queria que eu alegasse que presenciei o fato. Detalhe: No dia dessa demissão eu estava de férias.

Lógico que não fui na onda nem mesmo de falar que eu sabia que ela estava grávida na ocasião. Eu não sabia. Fui lá pra falar sobre o caráter do supervisor que a induziu pedir demissão e sobre eu já tê-lo visto praticando com outros colegas o mesmo ato e outros atos inconformes com os direitos dos trabalhadores.

Aproveitei que o advogado era do sindicato e perguntei a respeito de um processo que eu havia iniciado com a instituição. Tirei da mão deles quando descobri que nada haviam feito. Mais tarde descobri que provavelmente à pedido da empresa eles aguardavam o tempo para que prescrevesse minha petição. Com isso, perdi novamente minha oportunidade de me alforriar daquela empresa escravista tendo todos os direitos ganhos.

Porque eu prestei depoimento no processo dessa minha amiga, a empresa passou a me perseguir. Eu me esquivei de todos os seus truques. E dei bastante dor de cabeça para os gestores quando – devidamente – entreguei mais de trinta dias de atestado médico, de maneira a não entrar em afastamento. Aí, como represália, mudaram o horário do meu expediente, começando num turno e indo até o próximo, 18:00.

Isso me atrapalhava bastante, então, recorri à Justiça novamente para pedir rescisão indireta com base no artigo 468 da CLT, que diz que as mudanças no Contrato de Trabalho, que inclui mudança de turno na duração do expediente, só podem acontecer em comum acordo das partes contratantes.

O MT não estava realizando pronto-atendimento. Nem chegando de madrugada no posto para pegar senha para até 20 pessoas por dia, como era antes. Era necessário ligar para o *156 ou acessar o site do órgão. O site sempre fora do ar em uma ou outra coisinha e o telefone difícil de ser atendido. Mas, com muita dificuldade, consegui marcar uma audiência para agendar uma atermação. Tive que aguardar um mês. Seria em janeiro de 2018 o evento.

A Reforma Trabalhista do Michel Temer havia sido promulgada em novembro de 2017. E na sessão, após saber o que eu ia reivindicar, o auditor do MT me deu uma CLT surrada, aberta no artigo 483 e escrito à lápis uma alínea inexistente na versão original. O homem me disse que era complemento vindo da Reforma Trabalhista.

O conteúdo da tal alínea tirava minha razão e ainda me intimidava, pois, dizia que eu teria que pagar todos os custos do processo se eu perdesse. E na cara dura o velho ainda me disse que os juízes estavam comprometidos em não contribuir com o desemprego e não legar despesas com rescisões para as empresas para não lhes aumentar a crise.

Entendi tudo, inclusive o ar de corrupção, e me mandei dali. Ou seja: sem o Ministério do Trabalho estamos desde há muito tempo. E sem representantes sindicais idens. Todos colaboram para que o sistema trabalhista funcione bem para os patrões e todos defendem o seu ganho nesse sistema. Os sindicatos ganham propinas dos patrões para rifarem os trabalhadores a que representam. Fingem representação. Esta é a realidade que mesmo o governo petista colaborava com ela.

Em meados do mês de janeiro eu fui testemunhar para outro colega. E este ganhou a causa. Reverteu uma demissão por justa causa que recebeu. A advogada dele era particular, mas, também teria aceitado propina desse meio obscuro e o meu amigo só conseguiu ver o dinheiro da causa há poucos meses atrás, considerando que estamos em dezembro de 2018. Como ele conseguiu outro emprego, ficou sem receber o Seguro Desemprego – outra coisa que os juízes agiam para o Estado não pagar – que tinha direito e com certeza não verá retroativos.

Em fevereiro, a amiga já mencionada me telefonou. Perguntou se eu estava lembrado da audiência dela. Eu fiquei pasmo de ela não saber nada sobre a sessão de agosto. E ainda me dizer que teve seu bebê no dia seguinte do provavelmente falso julgamento preparado para lhe queimar meu testemunho e lhe legar a perda da causa.

Se ela não tivesse ficado chateada comigo, achando que eu mentia, não tendo me dado sequer meios de mostrar a ela as intimações de presença que recebi e a cópia da declaração de comparecimento que tive que levar na empresa para ter abonadas as horas gastas no ensejo, eu processaria junto com ela o sindicato, a empresa e até o MT. Todos evidentemente estavam concubinados nesse esquema de lesar trabalhador.

Um tempo depois, uma junta do Ministério do Trabalho esteve na empresa para fazer inspeção. Isso aconteceu depois de uma paralisação de dois dias que os funcionários fizeram guiados pelo sindicato. A greve foi motivada por causa de obrigações salariais que a empresa não estava cumprindo havia cinco meses.

A maioria dos trabalhadores não percebeu, mas, houve um golpe de lide simulada que junto com a empresa o sindicato aplicou nos trabalhadores. Fingindo ajudar os operários, o sindicato buscava filiação, já que Michel Temer havia cortado a contribuição sindical de ser obrigatória ao trabalhador.

Esse episódio foi um tiro no pé para o sindicato, mas, legou à empresa o direito de mandar vários funcionários embora sob alegação de justa causa. Era parte do plano. Ela precisava disso, pois, pensava em reduzir o quadro e queria evitar pagar rescisões com todos os direitos. Os que não foram demitidos assim, pediram conta. Também interessava aos patrões.

Fiz denúncias no site do Ministério do Trabalho e também no da Polícia Federal, convocando esta ao estouro de cativeiro de trabalho escravo e crime de formação de quadrilha. Achei que a visita da junta do MT fosse movida por essas denúncias.

Porém, o que os inspetores do MT fizeram foi uma espécie de tomada de providência para inglês ver. Com ar de visita surpresa, não fizeram mais do que avaliar coisas que certamente a empresa andaria na linha com elas. Tipo: se o ar condicionado estava na temperatura adequada. Para fazer que olhavam também questões morais, pediram aos gerentes para escolherem operadores para eles entrevistarem.

Até fizeram perguntas importantes para os escolhidos, mas, quando todos os operadores esperavam de eles fornecerem respostas que ajudariam a acabar com as injustiças e as fraudes contra o trabalhador, todos se viram frustrados com as que deram os colaboradores escolhidos a dedo. Gente que foi premiada com folga de dois dias após a prestação de favor devido pelas suas respostas. Gente que em seguida foi promovida. Entende?

Outra colega entrou em depressão grave naquele cativeiro. Conseguiu afastamento de cinco meses. Foi obrigada a voltar antes do prazo, pois, não recebeu um centavo sequer do INSS. E a empresa não quis colaborar nem um pouco com ela, pelo menos a trocando de função por uns tempos. Era o cerco ao trabalhador. Melhor ser liberal e não depender do Estado para nada.

Esse tipo de coisa é fruto de uma política velha existente no Brasil. A Reforma Trabalhista iniciou o rompimento com esta política e o que Paulo Guedes já anunciou fazer em seu ministério da economia e do trabalho no Governo Bolsonaro é de extrema importância para moralizar empregadores, juristas, sindicatos e combater o trabalho escravo que este sistema dá permissão para se configurar.

Não só o que ele vem anunciando com respeito ao trabalho, mas, também com respeito à economia mexe diretamente nesse bolo. Essas tentativas de minar a moral do presidente eleito visam impedir elevar esse cerco à outras forças sociais. Querem é continuar com esse negócio de que é só o trabalhador quem paga o pato. Por certo, há a mão de empresários, nacionais e estrangeiros, por trás desses casos que a mídia, fingindo agradar o público, noticia. E, é claro, servidores públicos, como os do MT, que não querem largar as mamatas e querem continuar com a garantia de emprego vitalício. Neoliberalismo tem horror a funcionário público, incluindo político. Por isso, tem político também nesse grupo.

Só que essas investidas só atingem Jair Bolsonaro, considerando que os filhos dele são uns ninguém no escrete que se dirige para a presidência. Se forem elas suficientes para fazer cair o presidente eleito, ele cairá sozinho. Seu vice assumirá e os ministros tocarão os planos já traçados. De liberar a economia, mas, também liberar o trabalhador. Chegou a hora de admitirmos isso e parar com as picuinhas ou de deixar de ser ingênuo aquele que não consegue enxergar que na verdade aquilo que Getúlio Vargas implantou era bom para aquela época ou, atualmente, para países que empregam o socialismo na íntegra.

Se há alguma chance de impedir de tentarem acabar com a política escravista que abrange o trabalho no Brasil, com a frágil economia que depende de que empresas sem utilidade existam só para empregar, pagando com muito sofrimento o salário mínimo aos funcionários, evitando o máximo de eles alcançarem remuneração variável, o que resume a modalidade à cativeiro de trabalho escravo, e com as oportunidades de corrupção estando o país envolto de empresas e faculdades públicas, transporte público, sistema de saúde pública e políticos safados que administram essas entidades, esta chance reside em deixar Jair Bolsonaro em paz e empossar de vez.

Sem ele no posto, o país caminhará para o parlamentarismo que Temer tanto gostaria de implantar e o que hoje é conhecido como presidente da república passaria a ser chamado de primeiro ministro, que fatalmente seria o do ministério mais importante de cada governo, que no novo será o da economia e do trabalho.

Este texto foi compilado reunindo histórias de terceiros, mesmo a parte contada em primeira pessoa. Antes de me tacar pedra, reflita: Se quisermos continuar com a política socialista que desde de Getúlio Vargas 1930 temos aplicado ao trabalho, então, temos que brigar para que o país seja socialista em todos os setores. Do contrário, o trabalhador vai continuar recebendo chicotada do patrão. E o consumidor sendo enganado pelos trabalhadores, que recebem chicotadas exatamente para isso. Discorro em outra postagem esta parte do assunto.

Teria a Escola de Frankfurt nos trazido o nosso admirável mundo novo?

Neocapitalismo. É nisso que eu estava pensando quando eu quis escrever esta postagem. O capital transformado, disfarçadamente, em instrumento de manutenção de políticas socialistas. Garantia de empregabilidade e, contudo, consumo à vistas grossas. Levando ao extremo a engenharia social tal qual foi imaginado por Aldus Huxley em seu livro “O admirável mundo novo”. Sem qualquer tipo de revisionismo. Sem, inclusive, deixar a engenharia genética e alimentar de fora. E com direito, tirando-se as máscaras dos mantenedores do problema, à administração de drogas na sociedade. Nada de Soma ou de ácido lisérgico, diga-se de passagem. Outras drogas sintéticas, mais vagabundas, é o que usam.

E aqueles alemães marxistas encripados – Max Horkheimer, Rosa Luxemburgo, Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse, Friedrich Pollock, Erich Fromm, Otto Kirchheimer, Leo Löwenthal – que costumavam pensar o mundo para a geração deles para frente dividirem, será que eles eram mesmo visionários ou será que o que fizeram foi influenciar com força gente que sempre teve as rédeas do mundo na mão e resolveu empregar as ideias que essa trupe colocava em pautas de discussão nas sombras da Escola de Frankfurt?

Estamos vivendo uma Era em que não só o emprego tradicional evaporou-se, mas, também os costumes antigos, que o tornava viável. Ninguém mais quer trabalhar na linha de produção de uma fábrica. E ninguém mais quer comprar o que se produzia nessas fábricas. Todos que estão para começar em um emprego agora quer ser algo especial. Se é que ainda há alguma ocupação que se possa dizer ser especial. O mais perto que se possa chamar de atividade operária é a função de um operador de telemarketing que exerce suas tarefas em um contact center.

Será que tem consumidor suficiente para todos os veículos zero quilômetros que ainda saem da indústria automobilística? Parece que venda garantida só têm os lotes de smartphones e tablets, que no Brasil já chegam montados. Nem tudo na prateleira dos supermercados encontra outro destino que não apodrecer por ali mesmo. Cobrir o corpo com tatuagens está mais na cabeça da humanidade de todas as idades do que visitar uma antiquada loja de roupas.

E enquanto a mudança de comportamento das pessoas carcome o capitalismo, este sobrevive com uso de uma estratégia: mercados de mentirinha. Economia planificada sendo chamada de neoliberalismo na base da distração oferecida pela mídia.

Para sermos claros, sempre o capitalismo contou com argumentos que faziam com que os mercados sempre estivessem aquecidos. Mesmo sem haver necessidade alguma, o consumidor ia às compras para satisfazer o ego atiçado pela mídia. Fora a necessidade de consumo imposta pelas datas comemorativas, que tornam as pessoas reféns do comércio, algumas vezes ele ouvia dizer que seu tênis estava fora de moda e por isso ele comprava outro. Outrora ele caía na lábia de que a validade do produto era de certa quantidade de meses. Por vezes, os recursos existentes no novo modelo de televisor não estavam presentes no antigo e por isso era necessário trocar o aparelho para poder usufruir dos recursos que todos estavam usufruindo.

Trocavam tecnologias, entradas de tomadas de cabo elétrico para atender a supostas normas de segurança baixada pelo Governo ou pelo Inmetro ou para “salvar o meio-ambiente”. Você mesmo pode se lembrar de mais táticas. Com o celular ainda fazem todas essas coisas. Jogavam sujo, mas, ninguém percebia, só acatava. E assim se garantia saída para tudo que passava pelas linhas de produção.

E já que citei o segmento de contact center, vamos exemplificar por ele como é esse processo de demanda de consumo forçada nos dias de hoje.

Compreende-se que os call center são mantidos pelas ligações que atendem. O negócio deles é atender ligação. Por exemplo, um call center que atende para uma operadora de telefonia móvel precisa que os clientes dessa operadora necessitem fazer tais ligações. A própria operadora poderia fazer esses atendimentos, mas, a terceirização é forçada pelo órgão regulamentador do setor, que usa o paliativo da empregabilidade e obriga as operadoras a cuidar só de sua prestação de serviços. Assim se gera motivo até mesmo para a existência do órgão regulamentador e, por conseguinte, dos cargos existentes dentro da organização.

Só que se a operadora prestar infalivelmente seus serviços, como manda uma das premissas do capitalismo, o cliente jamais precisará ligar para reclamar de alguma coisa. Entra em cena, então, alguns remendos para gerar ligação para contact center. O primeiro deles é a interrupção arbitrária dos serviços. O cliente imagina que está sem sinal para fazer ligações ou acessar a internet por puro ossos do ofício da tecnologia. Mas não: o sinal foi cortado propositalmente para clientes específicos ou para uma região inteira, assim, haverá pessoas ligando para reclamar e solicitar providências. O curioso é que para ligar para o call center as antenas ajudam e sempre há cobertura.

Outra tática: contas de telefonia têm propositalmente seus valores errados para maior. Ninguém deixa barato quando o problema é pagar mais e para aproveitar disso a URA dos números de atendimento das operadoras fica de prontidão para transferir para um atendente humano a chamada. SMS carregando falsas mensagens e solicitando a ligação para um asterisco qualquer coisa aterrorizam diariamente quem é cliente de operadoras de telefonia móvel. O objetivo é ele ligar para receber a informação de que fora um engano e que ele pode desconsiderar. Não era melhor ficar em paz, sem ligar para call center, se já se sabe que o recado é improcedente? Tem gente que liga para verificar se procede um SMS que recebeu dizendo que lhe estava reservado um prêmio de milhares de reais, bastando ele ligar para a operadora para tratar de pegá-lo. Golpe sujo e antigo para fazer pessos ligarem e ainda tem quem perde tempo com confirmação da mentira.

Há outros estratagemas de invenção de demanda nesse segmento de mercado, como, por exemplo, pessoas receberem cachê para passar o dia ligando para call center, digitando um número de telefone pré-conhecido por SMS enviado pelo call center, contendo a reclamação a fazer e os dados do verdadeiro dono da linha para validação pelo atendente a quem for dirigida a chamada. Muitas vezes o impostor é orientado a solicitar ativações de plano ou de forma de pagamento do tipo Conta On Line e quando o problema aparece ao verdadeiro dono ele se vê obrigado a ligar para o call center para desfazer a ativação indevida. Ser cliente de operadora de telefonia móvel é passar por muito desaforo e ter bastante chateação e perda de tempo com ligações não programadas.

Olhando pra isso, pensamos: Mas, a operadora é quem paga o atendimento, porque ela permitiria esses golpes? Não é possível que ela não sabe que acontecem ligações frias para ela pagar. E há também o fato de ela arriscar perder seus clientes por causa desses descasos com o consumidor. Porém, há suspeitas de que as operadoras são condecendentes com o assunto porque elas são recompensadas com incentivos fiscais oriundos do Governo por sustentar empregos. Em outras palavras: redução de custos de operação e lavagem de dinheiro. Diante a essas informações não oficiais, mas, contundentes, não é de se admirar a razão de o Governo Temer ter dado dinheiro para as teles. Elas, no mínimo, ameaçavam acabar com o esquema, dizendo que a crise estava brava e que seria cada um por si, e com isso haveria desemprego massivo.

E o cliente não foge porque todas as operadoras atuam da mesma forma. Todas são a mesma coisa. O desconforto que se encontra em uma, se encontra propositalmente noutra. E, depois, a população está escravizada demais ao uso do celular para ela mover-se contra esse império do mal e cobrar qualidade e descência desse mercado. Tanto no quesito prestação de serviços, quanto taxas cobradas, quanto atendimento de CRCs. Se precisam gerar emprego e a solução está no atendimento de telefones a culpa não é do consumidor. Podem muito bem deixar o atendente de plantão esperando pela ligação sem que ele seja obrigado a atender, quase que sob chicotadas, chamadas inventadas, de gente que não quer nada, e receber seu salário mínimo do mesmo jeito que não vai afetar o faturamento do call center, já que ele tem o seu faturamento mínimo garantido pelo Governo.

E por ser a demanda do setor de atendimento por telecomunicação um produto inventado, os trabalhadores da categoria ganham baixos salários e são submetidos a condições de escravo em seu dia-a-dia nos call center que participam desse esquema. Até o sindicato dos trabalhadores da categoria entra na corrupção para fatiar o bolo e com isso não têm os trabalhadores a quem recorrer para melhorar sua realidade de servir de boneco em uma peça teatral, cujo tema é chamado de rotina de trabalho ou de administração de empresa. Quiçá de um país!

Esse é só um caso dos muitos de demandas fictícias para sustentar empregos e criar consumo para vitalizar o capitalismo. Há outros de igual forma inventivos. Se pensarmos bem, focando nesse exemplo, todos os operários são funcionários do Estado, pois, recebem salários pagos com dinheiro oriundo de benefícios fiscais. Uma sociedade onde o Estado controla o mercado, como a pensada pelos marxistas, é socialista. O socialismo direto é que é honesto, por que não discutí-lo com a sociedade e implantá-lo?

Haverá neste blog outra postagem sobre esse assunto, mostrando a engenharia genética empregada para gerar consumidores e como a cultura e as artes se aliam ao capitalismo para torná-lo vivo. Táticas desenvolvidas informalmente pelos filósofos da Escola de Frankfurt. Se você se interessa por esses assuntos, comente ou curta a postagem!

Na prática, o transporte não é público só no nome

Há certas coisas que possuem a designação de público e na prática não o são. O transporte público é um deles. Se temos que pagar passagem e atravessar catracas para validar a entrada na lotação, então, não é público. E isso causa um grande desastre social, pois, muita gente fica indignada com a situação de ver uns pagarem a tarifa e outros não. Além de ter que lidar com a questão de a designação de transporte público ser mantida apenas para favorecer a especulação do setor por empresas privadas, pois, se a designação fosse privada a evasão não poderia acontecer com o oba-oba que acontece, uma vez que estaria-se dando razão para os pagantes entrarem na folia, já que os que ganham com o negócio aparentariam se contentar em ganhar só sobre quem não rebela.

Um sujeito contou em público que estava indo para o trabalho e entrou em um ônibus que o deixaria em uma estação dentro de um shopping em Belo Horizonte. Um circular que vai de um bairro de Vespasiano para a Capital. Do tipo que transita sem cobrador. O motorista faz a vez desse profissional desempregado por motivos capciosos dos administradores do transporte coletivo de Minas Gerais.

Teve o sujeito que driblar os que ficam amontoados no espaço que antecede a roleta para chegar até a própria e passar o seu cartão corporativo para pagar a tarifa. Ao fazê-lo, viu na tela da maquininha registradora a mensagem de que ele estava com saldo insuficiente para concluir a operação. Ele não entendeu a razão de estar com saldo insuficiente, a empresa para a qual ele trabalha sempre faz em dia as recargas, e insistiu algumas vezes mais, até que foi convencido de que teria que consultar a carteira e pegar algum dinheiro para passar para o motorista. No que fez isso ele se viu em apuros: os dois reais que restavam-lhe do movimento de abre e fecha de porta-notas durante a semana não o ajudariam a se livrar da inadimplência.

Eram cerca de nove da manhã e provavelmente a casa lotérica do bairro já estava aberta e nela ele poderia sacar algum dinheiro de sua conta corrente e reabastecer sua carteira, além de dispor-se do que precisasse para efetuar ao motorista da próxima lotação o valor da passagem. Com receio de o condutor-cobrador da lotação pensasse que se tratava de apenas mais um a dar o golpe do cartão sem saldo para permanecer antes da roleta e descer pela porta da frente sem pagar a passagem, truque comum entre os vigaristas que cabulam as tarifas nos ônibus, o sujeito  avisou ao condutor o ocorrido, lhe pedindo autorização para descer pela porta da frente perto da casa lotérica a que foi obrigado a se dirigir.

O motorista lhe concedeu o pedido, mas ficou cabreiro. Quis saber por que ele não seguia a viagem até o destino e deixasse de pagar a passagem, como muitos fazem, tanto intimidando os condutores, quanto de maneira amistosa. O sujeito fez-lhe então uma explicação bastante motivacional.

– Qual a imagem que se faz de quem cabula passagem? É a de um vagabundo, um malandro, um marginal, respondo eu. Inevitavelmente eu vou ser visto assim. E eu não sou nenhuma dessas coisas e nem gostaria que me vissem assim. Se eu ajo da forma que age um vagabundo, mesmo que por motivo de força maior, corro o risco de atrair situações que me levam a agir novamente dessa forma e de acostumar-me com isso. Contudo, irei me tornar um fracassado, do tipo que nunca poderá realmente pagar uma passagem de ônibus. Não irei crescer, pois, só as pessoas que não se importam com os atos que cometem os marginais é que não os veem com essa imagem ruim, aniquiladora. Essas pessoas também são marginais, fazem as mesmas coisas que fazem os marginais. Tenho pretensões maiores para a minha vida. Quero um dia não mais ter que utilizar ônibus. E não é estando rodeado de marginais, por serem iguais e me tolerarem, que vou conseguir subir na vida. As pessoas que poderão me ajudar a subir podem estar dentro de um ônibus em que eu estiver e ao me vir fazendo essas picaretagens vão me avaliar mal e desistir de prestar a ajuda. Imagem é tudo!

Terminado seu discurso, que deixou muitos ao seu redor invocados e ao mesmo tempo reflexivos, o salto do ônibus dado pelo sujeito se sucedeu. Pegou na casa lotérica o dinheiro que precisava e foi em busca de ponto de ônibus para pegar outra lotação.

Já dentro do ônibus o sujeito observava a corrupção que é praticada até mesmo por pessoas que até pouco tempo batiam panelas para exigir moralidade dos políticos. Além das que ficam na parte anterior à roleta à espera de descer pela porta da frente e das que andam com cartões magnéticos vazios ou com defeito para forçar um álibi para não pagar a passagem, marmanjos e moçoilas pulavam a catraca ou arranjavam meio de atravessar a região através da cadeira que antes era ocupada pelo cobrador. Crianças com mais de seis anos passavam debaixo da roleta. Tinha os que o motorista abria as portas traseiras para eles entrarem ou os que entravam por esta porta nos momentos de desembarque. E entre os poucos que pagavam a taxa havia os que passavam de dois na catraca, um empurrando o outro até o giro dela se completar.

O ápice do absurdo apareceu quando um senhor de idade ficara de pé perto do sujeito pagante. Este ocupava uma cadeira de cor cinza, que não é reservada aos prioritários. Muitos  passageiros olhavam para ele esperando que ele fosse educado e compreensivo e cedesse o lugar para o idoso. Mas, nisto o sujeito era igual a todo mundo: Não aceita desaforos. Tanta gente que pulou a roleta e estava sentada, e em cadeiras de cor amarela ainda por cima, por que ele, pagante, iria ceder o lugar? Ficou para alguém que também pagara a passagem fazer o que nem ele e nem os marginais fizeram.

Eu acredito que as prefeituras devessem imaginar um jeito de tornar o transporte realmente público. Evitaria essas situações que são desconfortáveis para quem é honesto e colabora com o sistema. Deviam priorizar a preservação de pessoas assim. E até estimular. Na prática, já que a evasão atinge grande patamar e pode-se dizer que só aqueles que possuem cartões empresariais é que seguem a rotina normal de pagamento da condução, a tarifa é aberta. Passe livre. Na marra, mas livre. Fica tudo nas costas dos empresários e os que exploram o setor de transporte urbano são postos a ver navios.

Sei que não é bem assim, mas critico o modelo, que permite o questionamento da idoneidade dos administradores públicos, pois, se já se ficasse conhecido que há a necessidade de pagamento da condução só para o trabalhador, porque ele ganha do empregador o vale-transporte, a indignação de uns e até mesmo a insegurança existente nos ônibus, que parte dessa corrupção, acabariam. As viagens seguiriam tranquilas e ninguém teria dificuldades sequer de atravessar a roleta porque há obstáculos de não pagantes entre ela e a entrada do ônibus.

Sei lá, de repente, se as prefeituras que passam por esse problema na administração do transporte coletivo descontassem do usuário o valor do transporte em algum insumo municipal que ele não tenha como cabular, seria uma solução.

Tenho em mente o IPTU. Se de repente no IPTU fosse implantado um valor que subsidiasse o transporte público de cada bairro, os moradores de cada casa, independente da quantidade de moradores, receberiam cartões de transporte que os permitiram utilizar por um ano, livremente, as linhas de ônibus que servem o bairro onde o imóvel se situa e também as que os levassem a outros bairros.

Cada morador da residência, incluindo as crianças, teriam o seu cartão. IPTU atrasado: sem cartões até regularizar; residências que não quisessem o provento implantado em seu imposto predial e territorial urbano, idem. Esses últimos, nessa situação teriam que comprar cartões para utilizar os coletivos.

Somente as linhas mananciais que levam o usuário de um terminal de ônibus até o centro da Capital, como o MOVE no caso de BH, é que seguiria o modelo tradicional de se comprar cartões em bilheterias. Cabulação de passagem em estações de BRT também acontecem, mas, assim como nas estações de metrô, com muito menos facilidade. A evasão pode ser controlada.

As entradas e saídas dos ônibus poderiam ser na frente dos mesmos. Os engenheiros do setor conseguem resolver isso. Ao entrar, o passageiro passaria o cartão na leitora. A mesma se prostaria antes da cabina do motorista. Ao descer, novamente se passaria o cartão para liberar a porta de saída. Dessa forma, quem quisesse entrar ou sair teria que portar um cartão válido. Que ele receberia ao aderir o sistema de cobrança integrada ao IPTU ou comprando um cartão de transporte, qual compra poderia ser estendida aos lojistas que trabalham com venda de cartões telefônicos ou recebimento de contas. Seria até uma forma de alavancar negócios para pequenos comerciantes.