O futebol é uma arma psicotrônica?

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Eu voltava do trabalho no sábado que antecedia o Seguno Turno da eleição municipal de 2016 e ao passar em frente a um bar notei que o jogo entre Atlético Mineiro e Flamengo do Rio de Janeiro no Mineirão pelo Brasileirão havia se iniciado. Decidi parar para assistir. A situação na tabela do campeonato entre os clubes que digladiavam nessa ocasião apontava o Galo de Minas precisando vencer o Fla do Rio para ultrapassa-lo em dois pontos e tomar-lhe a vice-liderança, além de diminuir a diferença para o líder Palmeiras de São Paulo para cinco pontos. Torceriam para logo mais este mesmo time perder para o Santos paulista para fazer com que essa diferença se mantivesse, assim o campeonato continuaria interessante para atleticanos, pois haveria esperança de chegar ao final dele na ponta, gerenciando-se as cinco rodadas restantes. Para o Flamengo e para o Santos a expectativa de chegar ao final do torneio com chances de ser o campeão também valia.

O bar era atleticano e havia uma turma de frequentadores ligada na transmissão. Esperançosos que o Galo fosse cumprir o seu papel sem maiores dificuldades. Apesar de o time para o qual torciam ter no campeonato um elenco melhor do que o do Flamengo – um time cheio de estrelas –, não esperavam de vê-lo arrasar o rival carioca, mas, uma derrota ou um empate sem propósito era inconcebível, ninguém esperava de ver isso acontecer. O técnico do Atlético, Marcelo Oliveira, havia facilitado bastante para que o torcedor aceitasse esse acontecimento se ele viesse. Jogava ele com três volantes, porém, com os laterais avançando descriteriosamente e deixando a guarda da defesa desprotegida aos contra-ataques. Ou seja: um jogo em casa, com o time precisando vencer, o técnico decidiu criar retranca no meio de campo como se estivesse precisando empatar. Ninguém entendeu a escalação, exceto, é claro, quem acredita em teorias conspiratórias e sabe muito bem a razão do feito e até mesmo que resultado se teria ao final do jogo. Como sou uma pessoa desse tipo, veio-me logo a sacada.

A partida desenrolava-se com a audiência local chiando muito. O Galo jogava com três volantes, mas não ganhava nada no meio de campo, pois, era necessário dar cobertura aos laterais durante os abandonos do setor para avançar para o ataque. E nessas coberturas dos volantes o time se expunha aos contra-ataques do Fla, os quais aconteciam com frequência a determinar que o Flamengo dominava a partida. Por várias vezes apareceram seus atacantes de frente para o gol do Victor, goleiro do Atlético, e perdiam chances chutando para fora ou em cima do arqueiro (claro, deviam estar instruídos que não era hora de marcar). Por pouco um zagueiro atleticano não estraga os planos, tendo jogado da pequena área uma bola na trave de seu próprio campo de defesa.

Eu dizia para os meus companheiros: “Isso é para o Flamengo marcar primeiro, estão contribuindo para forçar a partida e o resultado dela”. Mas, futebol é lavagem cerebral e lavagem cerebral ninguém admite que sofre, logo, os companheiros se irritavam comigo, pois eu lhes fazia pensar que eram uns bestas torcendo doidamente contra situações que estavam escritas nos bastidores da indústria do futebol e que nem por decreto iriam deixar de serem materializadas, as quais não eram as que eles queriam ver realizadas. Eles achavam que o erro estava em os laterais subirem e o meio-de-campo ter que se deslocar para cobri-los, permitindo que o Flamengo penetrasse pelo meio, que ficava desguarnecido, na defesa do Galo. Bradavam contra o técnico do time, dizendo que ele não sabia escalar e nem comandar taticamente a equipe.

Eu, assumindo riscos, é claro, tentei lhes pôr para raciocinar: Os jogadores seguem ordens do técnico. Se este manda os laterais avançarem, eles têm que avançar, não importa se está ficando buraco em alguma parte do campo e isso favorece os contragolpes do adversário. Jogador em campo não tem vida própria como pensamos ter. Não mais. Antigamente tinha. Se o cara não cumprir o que lhe é ordenado o técnico o tira da partida ou o juiz o expulsa. E aí ele vai ter que colaborar de qualquer jeito. E, tal qual em uma empresa quando não fazemos exatamente o que o chefe pede, ele pode tomar sanção do clube e pode até ter prejuízos em seu salário. Jogador de futebol é um trabalhador comum, que tem seus compromissos para arcar, ele vai querer isso? O técnico é outro funcionário e se foi falado para ele organizar taticamente o time tal qual ele está organizado é o que ele tem que fazer e pronto. A organização tática é um dos instrumentos para se cadenciar partidas de futebol e chegar a um resultado forçado sem que a audiência suspeite de que o mesmo não tenha sido natural.

PARTIDA ENTRE AS EQUIPES DE ATLÉTICO-MG X FLAMENGO, VÁLIDA PELA 33 ª RODADA DO  CAMPEONATO BRASILEIROIMAGEM: Sportv

Mas não adiantou, fiquei foi mal com os companheiros. Como eu odeio ouvir a narração da Rede Globo (Sport TV pertence ao mesmo grupo) e a choradeira dos locais estava me incomodando, resolvi ligar o rádio do celular e, utilizando fone de ouvido, sobrepor o som local com alguma coisa. Como havia jogo do Cruzeiro simultaneamente e a rádio Itatiaia, que uso para ouvir os jogos do Atlético, costuma transmitir num esquema de revezamento da narração dos dois jogos, decidi sintonizar em uma emissora que transmitia uma programação musical sortida. Não gosto de funk e nem desse sertanejo eletrônico, mas, eu não estava me importando com o que eu escutava, eu só queria que abafasse os ruídos locais, então o que saía do rádio me vinha neutro e não incomodava.

Daí, após sucessivos e visíveis “erros” de passe do Atlético para favorecer a bola ir parar nos pés flamenguistas, veio o gol do Flamengo. Sem ouvi-la, vi a plateia indignada vociferar raivosamente. Devem ter pensado: “Esse cara aí é que gorou e o Flamengo marcou”. Devo ter escapado de tomar uns safanões, que eu nem poderia culpar os agressores, pois, teria sido minha opinião cética que os fez criar o ódio contra mim e com a mente tomada de ódio ninguém consegue dominar bem o que faz. Eu teria era que sair dali. Gritei um “vamos empatar, acreditem” e isso os deixou mais serenos. “Se o cara disse que o Flamengo ia marcar primeiro e isso aconteceu, então, vamos esperar pelo segundo palpite”, devem ter pensado. Afinal, eles duvidavam, ignoravam, mas tudo o que eu dizia eles estavam vendo acontecer.

Acabara o Primeiro Tempo e a corrida até o banheiro ou para o meio da rua para fumar ou utilizar o celular fez com que o ambiente ficasse semi-silencioso. Nisso, minha atenção foi tomada pelo som que saía do rádio. A batida do funk é alienante. Diferentemente daqueles que o adere, me causa uma irritação, um desconforto. Desliguei o aparelho decidido a voltar a liga-lo só no início do Segundo Tempo. E, dando goladas no copo com cerveja, passei a refletir. Me lembrei das sirenes dessas ambulâncias modernas e também das viaturas de polícia. Pode haver o tumulto que for, que se esses batedores forem ligados a multidão se dissipa, pois, não consegue ter outro comportamento que não tentar afastar o máximo da origem do ruído. Um meliante em fuga fica atordoado e inerte quando submetido ao barulho.

Existe dessas ondas mal intencionadas interferindo nas transmissões de rádio e de televisão e também nas ligações telefônicas. Você não sabe, mas seu celular é usado para infiltrar comportamentos em você. É o ELF, que as equipes de Hitler descobriram a respeito e tentavam com a radiofrequência criar uma arma que causasse distúrbios psicológicos e emocionais e paralisasse infratores ou inimigos pelo tempo suficiente para que fossem capturados. Era o início das armas psicotrônicas, que hoje estão finalizadas e são uma realidade, apesar de as pessoas que entram em contato com esse tipo de denúncia, assim como no que contesta a integridade do futebol, não acreditarem que é possível criar comportamentos através de ondas eletromagnéticas que espalham pelo ar. Estudo que está muito bem explicado nas páginas do livro “Os meninos da Rua Albatroz”.

O problema é que a administração da propagação de ondas ELF para cima das pessoas pode levar elas aos mais diversificados comportamentos, não só o de recuar para longe do local de propagação ou o de ficar imobilizado. As pessoas podem cometer barbaridades, tais quais as barbaridades que comete um indivíduo alucinado por uma droga ou em ataque de abstinência da mesma. Qualquer um em estado de euforia ou de indignação, ou atormentado por uma dor intensa causada por um barulho ou outra coisa, pode se tornar violento e cometer homicídio, por exemplo. Quantos casos já vimos de pessoas que saíram de uma sessão de cinema após ver um filme violento e dispararam contra pessoas causando um atentado? É a mistura da preparação emocional – feita com os disparos de ondas sutis e de ondas intensas de radiofrequência – com a sugestão dada pelo roteiro do filme assistido. Qualquer semelhança com a exposição a uma partida de futebol cadenciada por conspiradores super mal intencionados para com a audiência é semelhança mesmo.

Antes de chegar ao bar onde eu assistia o jogo, eu entrara em contato com a notícia de que um torcedor morreu durante o jogo entre Cruzeiro e Grêmio válido pela Copa do Brasil, ocorrido na quarta-feira anterior àquele sábado. O noticiário falou sobre infarto ocorrido por conta da carga emocional desencadeada nele durante a apreciação da partida para mim cadenciada para ser como foi. Falou também sobre o falecido ter se envolvido em um episódio de agressão que gerou tumulto envolvendo outros torcedores e mais a Polícia e que uma investigação visando apurar a verdadeira causa da morte do torcedor de 37 anos seria aberta.

Arma psicotrônica descrição from Wagner Heiker on Vimeo.

Dentro do que estou debatendo, as duas situações são possíveis de serem promovidas em se expondo a espetáculos que visam manobrar o comportamento de uma plateia. Alguém tem dúvida de que ao se assistir a uma comédia no teatro, a plateia ri quando há a representação de algo que, não que seja mesmo engraçado, é pensado e manejado para se obter risos? Quem em uma igreja que resiste às sugestões dadas pelo pregador e seus instrumentos e não se põe em transe hipnótico de adoração e melancolia? O futebol é pensado para obter certos comportamentos junto aos expectadores, entre eles o de se tornar violento e partir para agressão. Parece até que um dos objetivos de se afetar psicológica e emocionalmente o torcedor é o de produzir notícias do tipo canibais para que os noticiários possam se valer delas e faturar com atenção.

É por isso que os meus companheiros no bar eu não poderia julgar se viessem a me agredir. É claro que a imposição do Código Penal nos obriga a ter o máximo de controle, pois, não seria justificativa para livrar-se de sanções ter partido para cima de alguém e ter lhe causado danos por causa de uma divergência de opinião. E em ambientes onde a egregora formada não é capaz de eliminar por completo o uso do bom senso aqueles que mesmo contaminados com sentimentos destrutivos conseguem contorna-los em nome da manutenção de sua liberdade como civil e seu histórico de não ter sofrido sanção penal de espécie alguma. Os estádios durante a realização de uma partida de futebol que mexe com os brios dos presentes ou durante uma apresentação musical de uma banda que incita comportamentos agressivos, por exemplo, assim como as sessões de cinema em que um filme violento é exibido não são ambientes que favorecem a preservação do bom senso e do autocontrole emocional.

O jogo acabou empatado. 2 a 2. Eu havia lhes antecipado que o Fred, do Atlético Mineiro, marcaria um gol legítimo – o que seria o de empate – mas que sofreria anulação. E também entraria na partida o centravante titular do Atlético, o argentino Lucas Pratto, e faria o gol de desempate. O Atlético passaria pelo gol sofrido, pelo empate e pela virada no sufoco, tal qual manda o script já batido para partidas do Atlético com o histórico de expectativas como o dessa. Só não arrisquei dizer que o Flamengo empataria, por razões já explicadas. Minha leitura foi implacável e a mim não enganam o Clube dos 13, que é quem contrata as demandas recebidas de patrocinadores (investidores) do futebol e de políticos, os marqueteiros da Rede Globo, que são quem decide a forma do desenrolar das partidas dos campeonatos nacionais e os resultados que melhor favorecem ao pronto atendimento dessas demandas, e a CBF, que com toda a sua estrutura, que inclui a comissão de arbitragem, executa em campo o que for proposto.

Para finalizar, me pus a pensar: Por que não deixar os campeonatos nacionais clássicos, como o Brasileirão e a Copa do Brasil, rolando soltos, verdadeiros, com todas as possibilidades abertas, inclusive a de se ver um time do Norte ou do Nordeste campeões, e permitir que o público dite naturalmente as tendências para se criar faturamentos ou o que mais se deseja criar com a manipulação das partidas, e usem torneios caça-níqueis com resultados arbitrados e partidas cadenciadas só para atingir esses propósitos? Esse campeonato chamado Copa da Primeira Liga, que teve sua primeira edição este ano, pode ser essa opção (aliás, foi uma opção).

Para que um mal lhe aconteça, você não precisa acreditar em nada; basta que quem conspira contra você acredite“.