Meus sonhos acabaram

Meus sonhos se foram.
Sem que eu os tivesse realizado.
Mas, a vida continua.

Eu… entrei nessa de me libertar de crenças.
E nada mais faz sentido para mim.
Nada mais me traz inspiração ou me feticha.

Eu não quero ouvir falar sobre nada mais.
Eu não quero presenciar nada mais.
Eu não quero escrever sobre nada mais.
Não quero iludir com nada mais os poucos que me lêem.

Se não possuo mais crenças, com o que poderei eu iludir alguém?
Sobre o que escreverei, se só escrevemos sobre o que acreditamos ou com o que sonhamos?

Há o tempo de plantar e o tempo de colher.
Há o tempo de nascer e o de morrer.
Entre os dois tempos há o tempo de viver.

Eu gastei muito tempo escrevendo e sonhando porque eu achava que eu estava vivendo.

Eu gastei muito tempo tocando canções e desejando ser notado porque eu achava que eu estaria vivendo.

Gastei muito tempo desenhando, pintando, imaginando projetos infalíveis de sucesso, desenvolvendo programas de computador.

Deus me encheu de dons, mas eu só falhei com eles.

O único dom que eu obtive êxito foi o de persistir. Foi o da iniciativa. Eu nunca quis morrer sem tentar. Agora já tentei tudo e estou sossegado. Minha missão foi cumprida.

Talvez eu não tenha falhado em nada. Talvez eu tenha criado a expectativa errada.

Talvez o resultado que as pessoas tinham para mim é o que elas me deram.

Talvez eu nunca fui de confiança, Talvez eu não tenha dado nada para elas como eu achava que tinha para dar.

Sou grato àquele que me ensinou o que é perder as crenças e me estimulou a procurar por isso.

Esse jeito cético é o que me faz bem hoje. Viver sem crença; viver sem esperança; viver sem esperar cooperação das pessoas. Tudo isso é maravilhoso.

Se eu escrever mais, escreverei pra mim; Se eu tocar mais canções, tocarei para mim;
Se eu desenhar qualquer coisa, será para mim.

E assim, prosseguirei feliz.
Como um poeta morto.
Ou um violeiro estulto.
Ou um pintor inadequado.
Um alguém na multidão que encontrou a razão e enxerga nitidamente a realidade.

E não espera nada dela.