A guerra não é contra o vírus?

Aameacavermelha

Recebi um daqueles videomemes que pessoas ligadas a grupos terroristas adoram injetar nos meios onde sabem que tem quem vai fazer viralizar e providenciar para que eles, com grande probabilidade, veem seus objetivos cumpridos. Aqueles sujeitinhos que geralmente trabalham para a extrema-direita.

No conteúdo juram que o presidente da China, Xi Jinping, ou um sósia dele, eleva o moral dos chineses para declarar guerra ao mundo, sob alegação de que a China sempre foi humilhada na história das nações e que se encontra economicamente em posição privilegiada.

Se eu entendesse chinês eu poderia dizer que não é isso que, caso seja realmente o Xi Jinping, estaria pronunciando o suposto estadista sentado em seu gabinete. Como eu não sei o idioma, aposto em edição de som e sincronização de fala.

Mas, não vou ser assim tão ingênuo de pensar que não há qualquer possibilidade de verdade nisso. Ainda mais que, vindo talvez do mesmo grupo de viralistas, há exaustivo material acusando a China de ter produzido bioterrorismo com o coronavírus, a fim de impor regras nos mercados mundiais e decretar antes da hora sua hegemonia perante as nações.

Falam que desde 2003 a China vem sendo noticiada como a ser vítima de peste animal e endemias humanas, o Ocidente perde indicador econômico enquanto a China passa ilesa. Não sofre um arranhão em sua economia e ainda cresce seu PIB.

Com o coronavírus não vem sendo diferente: já fez abaixar em 30% o preço do petróleo; obteve redução de preço também na compra de alimentos; comprou minério de ferro barato e vendeu produto processado; embargou importação de fornecedor de peso. Tudo que países como os Estados Unidos antigamente faziam como se tivessem exclusividade.

Então, motivo para praticar bioterrorismo a China teria tido se houver praticado. Ou seja: fazer as nações entrarem em colapso de saúde para ceder às pressões dela. Tendo tido anteriormente, estrategicamente, se passado por vítima.

Em contrapartida, motivos para os demais países julgarem a China como trapaceira e quererem represália existem aos montes e são totalmente justos.

Agora, vamos as estranhezas.

No início do ano o mundo teria ficado preocupado com a iminência de uma guerra nuclear protagonizada por Estados Unidos e Irã. O Irã, mal falado como a ser um antigo parceiro de operações fraudulentas dos yankees. Quem não vai ficar agonizando de pânico se o mundo se vir ameaçado por uma arma dessas? As populações vão à rua imediatamente dizer: “dê para eles o que eles querem, porra“. Certo?

Mas, existem os conspiracionistas. E eles agiram logo. E parece terem desvendado o golpe e explicado muito bem para os que seriam atemorizados. Logo, se ambos países queriam o efeito que talvez o coronavírus está dando para a China, fracassaram. Se é que é para a China mesmo que ele anda trabalhando!

E os exímios conspiradores já foram logo acusando o poder global de intencionar usar armas nucleares para reduzir a população de humanos e outros animais do planeta. Nada de preocupação econômica apenas. Pode ser que a ideia fosse essa mesmo!

Com essa, as frágeis presas dos líderes mundiais e seus golpes recuaram.

Um microorganismo letal, como diz a propaganda pró coronavírus, faz esse trabalho melhor. Não jogará prédios no chão e gerará menos desconfiança aos que sobreviverem. E a crueldade dos que estiverem por trás do que seria uma pandemia passará  batida provavelmente.

Dentro dessa concepção, Estados Unidos, Irã, China, Itália, Israel, Brasil e outros estariam juntos num acordo de redução populacional e teriam seu agente causador o maldito vírus. E a história que vem sendo contada para nós é o que teriam articulado para nos ludibriar.

Com a China se vendo vitimada, seguida do Irã, depois a Itália. Tá na fase Brasil agora. Quarentenas, toques de recolher, produtos específicos da situação em alta de preço e grande saída. A imprensa corporativa mundial aterrorizando em sua melhor prestação de serviço espúrio.

Se há uma força-tarefa embrenhando papéis para o cumprimento de um objetivo obscuro, o coronavírus veio à calhar. E acusando a China de ser a beneficiada, tudo contribui para que os nervos dos populares se aflorem.

Os iranianos ficarão invocados com as infestações em seu solo; idem os italianos; idem os brasileiros; quem sabe vai rolar algo do tipo nos Estados Unidos. Que seria o mais interessado em emplacar um plano a la “11 de setembro” para atacar os chineses, mas, está de molho, ninguém confia mais em acusações feitas a outros pelos Estados Unidos. Melhor para o país é contar com os aliados.

Acusar a China de inconsequência quanto à saúde mundial em benefício próprio gera um cenário que favorece até mesmo uma declaração de guerra ao país vermelho. As populações, tendo passado um aperto danado e ainda perdido vidas de entes queridas, não há conspiracionista eloquente o suficiente para tirar delas a adesão à mortandade em massa.

E ainda com um viral desses trafegando no mural do Whatsapp, não vão sequer pensar que guerra nuclear acaba é com tudo, não só com seres humanos. E não escolhe o polo geográfico, mesmo que todas as bombas tiverem rumando para a China.

Daí, teria sido um golpe de mestre de todos os envolvidos – os que no palco representaram vilões e os que representaram mocinhos – para cima da incauta humanidade.

É, contra quem é a guerra a gente vai ter dificuldade de saber. Mas, que o inimigo na atualidade são as redes sociais na internet, isso eu não tenho dúvida.

A.A.Vítor – Autor do livro “Os meninos da Rua Albatroz“, cujo capítulo “Planejadores do futuro sombrio” previu o momento atual. Sobre saúde e espiritualidade leia: “A magia que enriqueceu Tony“. Sobre empreendedorismo, relação interpessoal e sexo leia: “Contos de Verão: A casa da fantasia” e “Todo o mundo quer me amar“.

Sigam em frente; e que Deus vos acompanhe!

A prova que o Governo Militar era de esquerda

Essa é pra fazer o Bolsonaro revirar no túmulo… ops: na UTI!

A História é contada pela situação. Nos meus tempos escolares, ensino primário e colegial, a situação era formada pelos militares. E quem está no comando controla as instituições cívicas. Entre elas a educação. Logo, os livros do MEC eram colocados na grade seguindo orientação dos generais. O que os historiadores tinham que colocar dentro deles era ditado pelos meganhas. Assim como o que ia nas páginas dos jornais.

E o que eu lia nos livros de História e Geografia naqueles idos, o que eu encontrava nos álbuns de figurinha e até nas revistas em quadrinhos, apresentava a realidade do mundo de maneira mais mastigável. O material de escola, publicitário ou artístico e midiático não eram tão manipuladores. Não buscavam te fazer acreditar na verdade que costuma querer que se acredite quem está na situação. Muitos daquela época e que podem chegar a ler este texto contestarão, mas, aquele material resistiu ao tempo e todos nós temos acesso a ele. Não tenho como dizer outras coisas sobre aquele procedimento educacional, pois, posso ser facilmente desmentido.

Na grade escolar se falava de Comunismo, apenas não se enaltecia. Não tinham os textos o mesmo entusiasmo que tinham os que propagandeavam o capitalismo. Na verdade: o consumismo. Ninguém, dentre os brasileiros médios, passava o tempo a pensar sobre regimes semi-opostos buscando adesão. Mas, o suficiente para sabermos que isso existia, sim, era divulgado. Me lembro que eu sabia de cor os nomes das quinze províncias soviéticas e das respectivas capitais. Era obrigatório para as provas saber sobre a União Soviética, a China e os Estados Unidos.

Já nos livros didáticos utilizados na grade do MEC a partir do Regime Civil, com relação aos tempos militares vemos muito recrutamento para aversão, muito ataque. Falam de censura que não existiu e de procedimentos que não eram adotados para qualquer pessoa. Houve sim perseguições políticas. Havia muitos militantes marinheiros de primeira viagem, que entravam de gaiato em grupo subersivo, simpatizavam com a causa dos líderes e saíam a afrontar os generais e com isso ajudavam a engrossar o caldo das prisões abusivas, torturas e outras desavenças acontecidas com muitos inocentes. Isso porque nisso os generais eram mesmo durões. Aliás, tinham que ser, pois, se não se zelasse pela ordem e se protegesse o ideal do regime que se queria manter, haveria desgoverno e consequentemente anarquia.

E quem são os sujeitos que estão no poder hoje, por trás do regime civil? São exatamente os que nos idos em foco queriam derrubar o governo. Sob pretexto de falta de liberdade para as pessoas e de existência de miséria e de injustiças. Carregavam a bandeira do Socialismo na tentativa de angariar simpatizantes e assediar pessoas. Eles não estão só no PT ou nos outros partidos de linha esquerda. Estão também no PSDB, nos demais conservadores e, obviamente, no PMDB, que voltou a se denominar MDB.

Quando chegou a vez daqueles enfrentadores do sistema botar a mão no poder, o que eles fizeram? Venderam as estatais que os militares criaram, quebraram, de propósito, as instituições públicas e muitos benefícios sociais que também foram implantados pelos militares. Permitiram a entrada do capital estrangeiro até em atividades em que o bem de produção é o trabalhador, como nas centrais de atendimento. Escravizaram, com isso, o trabalhador. Venderam ele para as multinacionais. E é assim que está configurado e querendo ficar cada vez pior.

Trabalhador de call center nos tempos militares seriam, sem qualquer dúvida, funcionários públicos. O setor, assim como os centros de processamento de dados, era considerado reserva de mercado de trabalho a função e não podia ser explorado por empreendedores estrangeiros. Os estrangeiros, se quisessem, que viessem instalar fábricas e produzir algo que pudesse ser vendido, fazendo o país ganhar com a exportação do excedente, assim como aconteceu com as fábricas de automóveis. Nada de mamata de vir pro Brasil escravizar o trabalhador, entregar pra ele máquinas precárias para ele trabalhar, pagar a ele o salário mínimo só para ele consumir e fazer o capitalismo girar e lucrar alto com o seu atendimento prestado durante árduas horas por dia.

Naquela época haviam dois partidos. O MDB – Movimento Democrático Brasileiro – e a ARENA – Aliança Renovadora Nacional. É um pouco difícil de definir isso, mas o primeiro representava o desejo de se sair do Regime Militar e o segundo o oposto.

Democracia no Brasil eu acredito que não tenha existido nem mesmo quando a ala que se rotulava como democrática entrou no poder. Só de se constatar a necessidade de aprisionar psicologicamente a população, por meio das instituições doutrinárias, para que ela seja mantida no cabresto sem que perceba, pois, iludida com o conceito errôneo de democracia, que ela determina como “se poder fazer o que se quer“, já é um indício de ditadura. Ditadura civil. Sai da atrocidade visível para se manter a ordem e o progresso praticada pelos militares e entra na invisível, extorquida à base de controle mental e engenharia social, praticada pelos civis. Não só os políticos. E é duvidoso se para manter ordem ou criar progresso que as táticas acortinadas dos civis são implantadas.

Como está implícito, no modelo de governo civil esquerdistas e direitistas formam um laço só. Mas, se fazem de adversários para garantir permanência no poder. Senão os militares intervêm e acabam com a farra. Essa é a lógica de Hegel. No fundo é “todos contra os militares“. Sob a ilusão popular de ser “todos pela democracia“.

A estratégia mais sensacional adotada por esse conluío é o pluripartidarismo. Muitos partidos não significa só dividir uma boa soma da receita pública na forma de apoio financeiro aos partidos políticos. Mas, uma forma de camuflar investidas contra os inimigos do regime civil e de manipular a opinião pública, colocando a população para seguir linhas partidárias, que estão sob o controle das lideranças políticas ou da elite que está por trás dos partidos. Quer entendam ou não a ideologia da facção que são seguidas.

Se voltarmos ao passado e reinstaurarmos o bipartidarismo, teríamos de volta o MDB legítimo e a ARENA. Todos os partidos interessados em manter o Regime Civil se concentrariam no MDB e o inverso na ARENA. Teríamos que fazer um levantamento dos feitos de cada grupo e juntar os interesses.

No lado civil estariam o interesse de liberação das drogas, do aborto, da sexualidade descompromissada, do crime, da baderna e da violência, do “faz o que quer” que caracteriza a mídia corporativa. Na área econômica vem privatizações, consumismo fútil e empregabilidade fantasmagórica, entrada desenfreada do capital estrangeiro e perda de soberania nacional. Lavagem de dinheiro e corrupção. A Educação priorizaria o emburrecimento e a infantilização. No campo do trabalho: o escravagismo encripado. As polícias totalmente aparelhadas e operando o suficiente para garantir o soldo, exercendo suas funções um pouco somente nas solicitações para defender o sistema. E na administração pública os abusos que vemos desfilar os homens do Judiciário e a extravagância típica dos políticos de qualquer esfera: municipal, estadual e federal. Tudo que só não constatamos se não quisermos.

E no militar: busca rígida pela ordem e bom comportamento, desenvolvimento econômico sustentável. Progresso comedido. Respeito pelos índios, pelo brasileiro de todas as regiões, pelo menor abandonado. Nova Funai, novas superintendências regionais, nova Febem. Interesse em criação de projetos sociais e de amparo ao trabalhador. Como o Funrural e o PIS. Novas fundações de incentivo à cultura. E, é claro, estatais. De negativo só as obras faraônicas, Mas, elas estão presentes em qualquer tipo de administração pública. Tudo bancado com dinheiro público para usufruto pelo nação. Colocando a imprensa e os veículos de mídia no chinelo para que sua ganância não venha a comprometer a ordem e o progresso ou educar o povo para a servidão.  Mais vermelho impossível.

Percebe-se assim que o Governo Militar tinha uma quedona para o socialismo. Aqueles radicais que o combatiam é que estão no poder hoje e privatizaram tudo o que foi começado naquela época. Eles é que deviam receber investimento dos Estados Unidos. O Tio Sam odeia estatais e benefícios sociais. E foi ele que bancou a redemocratização do Brasil. Foi ele que comprou a maior parte das nossas empresas e se apropriou da maior parte dos nossos recursos naturais, nossas riquezas. E quem facilitou e continua facilitando para eles? A última cartada foi o Pré-Sal e lá vai a Eletrobrás, que os militares criaram. Qual o regime que está no poder? Será que o Bolsonaro tem noção sobre esse esquerdismo todo desses idos que ele gosta tanto de enaltecer? Será que ele se interessaria em reavivar a ARENA e buscar pelos interesses que hoje seriam dela?

Não é guerra, é só reflexão e ponto de vista. E colhidas as informações da memória a maior parte. Mas, tenho um vasto material da época, a maior parte impresso, que não me deixa mentir. E não há contradição com o que venho publicando neste blog, pois, venho criticando os acontecimentos que são injetados na sociedade atualmente. A maior parte esquetes midiáticos, com o propósito de desviar a atenção do povo para que ele enfie-se num erro. Meu ceticismo é notório. Meu niilismo idem. Meu inconformismo ainda mais. Duvido do futebol e do esporte em geral, da cultura e das artes, da imprensa, da mídia, do sistema educacional – destaco as escolas, da ciência, das igrejas, das empresas, dos poderes executivo, legislativo e judiciário e principalmente do governo. Ninguém me parece ser íntegro. Todos manipulam e parecem militar por um bem comum onde poucos ganham. Não há distribuição e sim fascismo. É só navegar nas postagens e verificar que não há nenhuma contradição. A não ser que se queira, sem qualquer coerência, tachar dessa forma.

Este texto tem a pretensão de ser o último publicado neste espaço com os marcadores que o compõe.

Futebol e engenharia social: Quando os engenheiros falham

O Atlético Mineiro jogava no Mineirão contra o Corinthians Paulista, quando o narrador da televisão, canal Premiere, justificando o motivo de o jogo ser no estádio municipal e não no Independência, local de praxe onde o dono da casa vinha jogando, disse que era mais lucrativo para o Atlético colocar no Mineirão seus jogos com expectativa de torcida maior do que trinta mil torcedores. Conforme o narrador, no caso, o Galo de Minas pagava mais para jogar no Independência.

O Galo vinha, na ocasião, de uma vitória fora de casa diante ao Coritiba. Os que estão acostumados a sacar as jogadas que são feitas no mercado futebolista nacional não caíram na conversa e suspeitaram de ter sido uma manobra, combinada inclusive com o Coxa, para fazer o então desmotivado torcedor atleticano marcar presença nas arquibancadas do Mineirão e esperar pela reviravolta do seu time, tirando, inclusive, a invencibilidade do Timão.

E isso deu certo, o torcedor compareceu. E viu, ao final do jogo, o que tem visto ao vivo dentro do campo ou pela TV, em casa ou nos bares: o Galo sair da partida depenado. Perdendo um jogo bastante visível de ter sido escrito nos bastidores pela cúpula que faz do futebol uma máquina de engenharia social. Com o Atlético sempre avante, empolgando, parecendo que estava mudado, tendo tomado o rumo certo de uma vez por todas no campeonato, fingindo atacar e a querer agradar o torcedor. E o Corinthians fingindo se defender e a esperar os momentos ou os lances combinados para fazer os dois gols que fez na partida. O lobby de resultado garantiu mais três pontos ao coringa, que afastou-se ainda mais do vice-líder do campeonato, o Grêmio.

Mais tarde, na mesma rodada, foi a vez do Cruzeiro vencer o Vasco em pleno Rio de Janeiro. O Vasco venceu o Galo em Belo Horizonte, então, isso mexeria mais com os nervos do atleticano e melhoraria a autoestima do cruzeirense para com o seu time, o que seria muito bom para garantir sua difícil presença nas arquibancadas do estádio que o time arrendou e que está ruim das pernas, precisando fazer gerar renda nas catracas para sair do apuro financeiro herdado do negócio malfeito pelos governadores do Estado de Minas Gerais de antes e durante a Copa 2014. Tanto é que vem aí Aerosmith e Paul McCartney buscar dólares e bajulação do público, deixando um pouco do cobre para ajudar a sair da penúria a administração do estádio anfitrião de seus shows musicais.

Na rodada seguinte, o Galo foi jogar contra o Grêmio em Porto Alegre. Se o negócio do time era ganhar fora de casa, eis que aí estava uma grande prova de fogo. Mas, ingênuo é quem achava que o o lobby do futebol ia deixar isso acontecer e o Grêmio ficar distante do Corinthians – que ganhara em casa do Sport no dia anterior – uma quantidade de pontos que a considerar as estatísticas do primeiro turno do torneio, poderia-se desde já sagrar o time paulista campeão do próprio no ano.

O Corinthians ganhando o Brasileiro este ano favorece a necessidade de saldar as contas do Itaqueirão, herdadas também da Copa 2014, mas, se isso for feito assim tão precocemente, tira a atenção do campeonato do torcedor do Palmeiras, do Santos, do São Paulo, pois, eles não teriam mais o brinquedo de torcer contra. Sobraria, é claro, outra engenharia de opinião: a torcida de uns para ver o São Paulo cair para a segundona e dos sãopaulinos esperando que isso não aconteça. Curingão campeão também faz eleger candidato a presidente da república que enaltecer o clube ou que se pronunciar corintiano. Voto de torcedor mata qualquer eleitor consciente. Que o diga quem tem que aguentar Zezé Perrela no Senado.

É até por isso que o São Paulo fica revezando com algum time na zona do rebaixamento. Se vai cair ou não, decidirão ainda. Se acontecer, será com o mesmo objetivo mercadológico que foi cumprir este ano na divisão o Internacional do Rio Grande do Sul (por que acham que o Grêmio está tão por cima? Seria porque essa diferença de polaridade mexe bem com o interesse dos torcedores e os fazem tomar certos comportamentos que patrocinam ações políticas e comerciais?), que é o de levar atenções para a divisão e alavancar público e oportunidade para venda de pacotes de assinatura de jogos para a televisão. Arranjar também palco para alguns jogadores antigos e em lançamento irem aparecer para o mercado.

Em Porto Alegre também há dívida da Copa para quitar. Por isso um time de lá está em evidência. O jogo contra o Galo não foi nenhum absurdo o time gaúcho sair de campo com a vitória. Por isso vamos só criticar o fato de que se era para parecer que o Atlético MG anda pisando na bola em casa devido a uma onda de azar, então, que ele vencesse fora de BH um time de real expressão dentro do campeonato atual. O pênalti que Robinho do Galo perdeu, chutando a bola para o goleiro pegar no alto, da maneira mais tranquila possível, foi só para fazer parecer para aqueles que dão corda para as nossas postagens que não temos razão nenhuma nas caraminholas que deslanchamos e que se Robinho tivesse batido o pênalti contra o Botafogo no Rio de Janeiro, ele poderia perder tal qual perdeu Rafael Moura.

Aliás, o pênalti que o Fred perdeu no Independência contra o Santos teve o mesmo propósito de engenharia de opinião: Fred visivelmente bateu para o goleiro pegar. Uma alusão ao fato de que exímio batedor também erra pênalti, feita sob medida para desencorajar crenças à nossa crítica contra a penalidade deixada para Rafael Moura cobrar. Da mesma forma havia ocorrido no mesmo jogo com o goleiro do Atlético, Victor, que dessa vez pegou firme a penalidade mal cobrada de propósito, a fim de sabotar o que escrevemos na postagem que contestou o rebote para frente, nada típico do goleiro, que Victor deu no jogo contra o Botafogo só pra torcida do Galo entender que ele fez a parte dele, mas que infelizmente nessas cobranças o cara que cobra pode se valer de um rebote.

Nesse pênalti a favor do Galo contra o Grêmio, marcado quase no final do Segundo Tempo, quando o time mineiro perdia por 2 a 0, o puxão de camisa que o zagueiro do Grêmio deu no atacante do Galo era visível de ser artificial. Que jogador profissional que faz uma coisa daquela dentro da pequena área? Feito para o juíz marcar mesmo. E bem localizado na área para as câmeras da Globo pegarem, mostrarem com detalhe, com o narrador e o árbitro comentarista dizendo com todas as letras para moldar o telespectador que foi justa a marcação do penalti marcado para acontecer no jogo.

O que move o mundo é a esperança e não o dinheiro. Todos nós somos movidos pela esperança, pela expectativa. Quer que alguém faça algo para você? Encha-o de esperança. E é isso que está sendo descrito aí. Se o Corinthians já fatura logo o campeonato, por exemplo, acaba com a esperança, e consequentemente o interesse, da maioria dos torcedores. Eles não vão ver os jogos nem do seu time mais, não vão pairar na frente da TV nem pra ver programa esportivo, não vão comprar produtos do time para o qual torcem. Não vão apoiar o esquema que gira bilhões e enche bolsos. Exceto os do torcedor, é claro!

Porém, a engenharia de comportamento ministrada pelos gerenciadores do futebol constatou uma falha. Eu falei no começo da postagem que a televisão informou que o Atlético Mineiro coloca seus jogos com previsão de mais de trinta mil torcedores no Mineirão. Um paliativo para justificar a ida do jogo contra o Corinthians para o estádio, que favorece, inclusive, a televisão. Tanto Atlético MG quanto o Grêmio jogariam o próximo jogo de suas equipes pelas Oitavas da Libertadores 2017 na quarta-feira, 9 de agosto. Era tudo ou nada.

O Atlético perdera por 1 a 0 na Bolívia para o Jorge Wisterman e precisava ganhar em seu campo por 2 a 0 para passar de fase. Resultado bem menos esperado pela torcida, devido ao fator casa, melhor campanha na fase de grupos da Libertadores, maior investimento na formação da equipe do que o feito pelo adversário. Era para o torcedor, certo de o Galo vencer e sair da partida classificado.

E o torcedor do Galo tem fama de lotar arenas, independente da importância do jogo e independente da qualidade ou fama do adversário. Jogo do Galo para reunir 30 mil pessoas é qualquer jogo. Na sua estada na Segunda Divisão em 2006 a torcida bateu os recordes de público das três divisões principais. E com o time minguando no Brasileiro, a oportunidade para continuar a sequência de idas para a Libertadores no ano que vem morava nesse jogo. Era de se esperar 50 mil torcedores fácil fácil.

No entanto, não foi o que aconteceu. A Globo anunciou antes de começar a partida um público de 31 mil pessoas. Remediou dizendo que ainda havia muita gente do lado de fora para entrar. O que se viu que não era verdade. Em um momento no meio da partida, uma parte bem ampla das arquibancadas foi mostrada pela câmera. Estava vazia. A Globo remediou dizendo que era onde deveria estar a torcida adversária, que não comparecera em grande peso. Porém, era balela, pois, nunca é deixado para o torcedor visitante espaço tão grande e tão nobre, com boa visibilidade do campo. E nem a torcida do Galo deixa sobrar tanto espaço, ainda que fosse reservado. O público não foi mesmo.

Daí, encheram-se de orgulho aqueles que criticam o futebol industrial e a engenharia social feita através do futebol: o público está amadurecendo e está reagindo contra a moldagem de seu comportamento. Este foi um episódio em que a casa caiu para os moldadores de opinião. Tanto é que o próximo jogo do Atlético, contra o Flamengo do Rio, em Belo Horizonte, pelo Brasileirão, foi marcado para ser jogado no Independência. Como se diz: O Atlético não põe seus jogos contra times com expectativa de público maior do que 30 mil torcedores no Mineirão?