A diferença entre educar e estudar

Primeiro momento: No Facebook uma colega postou “A forma arrogante como algumas pessoas estudadas tratam pessoas que não estudaram demonstra que estudar não garante educação” e o algoritmo da rede achou que devesse a publicação aparecer no meu mural.

Pensei que pudesse ser a Rede tentando me fazer militar contra aqueles que pregam que o país não deve destinar verba às escolas públicas, então, reagi comentando: “É só no Brasil que estudar significa educar-se. Estudar nos outros países significa o que é: adquirir conhecimento. Rs!”. Coloquei o “Rs” de risadinha para que a colega não pensasse que eu estivesse querendo pagar lição de moral.

Segundo momento: Encontrei com um amigo professor em barzinho e no ensejo procuramos colocar nossas conversas em dia. À certa altura do bate-papo, a jukebox estava em volume exagerado e o professor perguntou se eu não toparia ir para outro boteco. Decaí porque eu tinha um compromisso naquele local. Fui até a dona do bar e solicitei que diminuísse o volume. Provavelmente por conhecer minha média de gastos no ambiente comercial recreativo, a proprietária atendeu ao meu pedido.

Nosso assunto então era questões da política brasileira. Surgiu oportunidade para expormos ideias sobre implantar o Liberalismo econômico e acabar logo com a guerra de interesses que disputam bolsonaristas, esquerdas e pessoas não necessariamente politizadas que opinam sobre os factóides políticos despejados pelos diversos canais de mídia existentes nas sociedades atualmente, entre eles as redes sociais na internet, como por exemplo o Facebook.

O professor me disse que o Brasil não está preparado para viver o Estado-mínimo. E eu lembrei que no sistema mixto de economias que define o regime econômico do país é que não dava para continuar, seria melhor implantar o socialismo de vez.

Concluímos, então, que o brasileiro não está pronto para os dois regimes. E o professor pontuou que o motivo seria a falta de educação do povo e que houvesse investimento pesado em educação seria possível optar por um ou outro sistema. Foi aí que falei para ele sobre meu comentário no post da colega de Facebook.

O professor discordou do meu comentário. Achava ele que devesse sim o país investir em educação. Nisso, procedi dizendo que teríamos que compreender a palavra “educação” do modo correto. Educar um indivíduo é torná-lo adequado para o convívio em sociedade. Isso quem faz em primeira instância é a família. As crianças recebem dos pais essas instruções. O governo, a mídia e as igrejas, com mais ênfase esses três, fariam o resto.

A parte do governo não se dá exclusivamente providenciando e gabaritando escolas. Na escola se vai aprender a ler e obter o conhecimento de diversas ciências positivas que ao longo do tempo o homem acumulou. Na escola também se aprende uma profissão e se capacita a trabalhar nela. Citei a medicina. Mas, têm que chegar à escola já educado, já tendo bons modos. E dei a informação que na faculdade eu tive professores que não tinham um pingo de educação ou que fossem bem menos educado do que eu. Isso torna verdadeira a reflexão na postagem de Facebook mencionada.

O Governo investir em educação é criar campanhas educativas e usar os outros instrumentos como meio de implementar essas campanhas. Em minha infância, tempos militares no Brasil, era comum se vir dessas campanhas em todas as instituições públicas e nos mais diversos produtos de mídia – por exemplo: na campanha do Dedinho, que visava incentivar a prática de esportes e ajudou o Governo Médici a implantar a disciplina Educação Física nas escolas, utilizaram revistas em quadrinhos que eram dadas nas escolas ou vendidas nas bancas; a campanha para criar a consciência de higiene e limpeza utilizou um personagem chamado Sujismundo, que foi parar em filmes para a televisão e em cartazes que se podia ver fixado até em estabelecimentos comerciais e interior de ônibus.

Ou seja: as escolas serviam de murais e porta-vozes para fazer chegar ao público pertinente a elas a mensagem do Governo para educar a população. Porém, isso sendo mais esperado de se ver nos estabelecimentos educacionais de ensino fundamental. As universidades poderiam no máximo dar apoio para relembrar esses deveres a seu público, que está nelas para se profissionalizar em alguma profissão e já tem que estar educado para os processos sociais – como não sujar as ruas, não fazer barulho em locais de uso comum das pessoas, como se proceder no trânsito.

O professor concordou em partes com o meu apontamento quanto a investimento em educação, mas manteve sua opinião quanto ao motivo de não ser devidamente educado o povo para viver o minarquismo ou o socialismo propriamente ditos. Ele próprio citou que a solução seria pegar representantes de cada grupo social do Brasil e em um debate chegar ao melhor modo de realizar as implementações.

Nisso concordamos juntos sem resistência. E ilustrei minha adesão considerando o bar onde estávamos como a Sociedade. O interesse daquela sociedade era que todos nós, os consumidores do bar, estivéssemos satisfeitos em estar nela e jamais decidirmos ir para outra sociedade. O volume da jukebox, por exemplo, teria uma configuração que não incomodasse quaisquer dos usufruintes do local.

E o potencial de gasto de cada consumidor não seria o determinador dessa configuração, uma vez que por não se tratar de um local incondicional para se estar e ainda por existir concorrentes que provesse o mesmo lazer, quem fosse excluído da decisão, ou seja: quem não suportasse o decibel determinado, estaria livre para se retirar. E o interesse do proprietário é que ninguém se retire, quanto mais quem representasse consumo maior.

O determinador seria, sim, um debate com a participação dos proprietários, funcionários e clientes do boteco. A melhor expressão do que é democracia é o debate.

O Design thinking no combate às perdas da Indústria 4.0

Publicado o novo livro do escritor A.A.Vítor: Os passos da eficiência. Segue sinopse.

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Dois executivos estão prestes a assinar o contrato que irá afirmar a agência de publicidade da qual são sócios e um deles, devido a uma fatalidade, vê entrar em seu caminho um jovem deficiente físico conformado com a vida sem sucesso profissional devido à sua limitação física. Ao ser salvo pelo deficiente do ensejo fatídico, o empresário lega um desejo incontinente de o recompensar. O desejo se torna uma obsessão e o homem faz qualquer coisa para se livrar dela.

Consta que o grande contrato assinado pelos dois sócios exige uma campanha bastante prodigiosa, pois o produto a ser socorrido por meio da publicidade beira a extinção devido ao eminente advento da Quarta Revolução Industrial – ou Indústria 4.0. Buscar uma solução de sobrevivência para um produto com imensa dificuldade no mercado requer a sensibilidade de alguém que em seu dia a dia está a lidar com adaptações. Um deficiente físico é alguém assim.

Nasce desse mote uma imperdível história que narra casos de inovação, aumento de autoestima, motivação e superação focada nos campos do empreendedorismo e das relações interpessoais. Muita ação é vivenciada na trama e garante ao leitor experimentar bastante emoção e absorção de conhecimento e preparo para o futuro que se esboça.

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Os passos da eficiência

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Dois executivos estão prestes a assinar o contrato que irá afirmar a agência de publicidade da qual são sócios e um deles, devido a uma fatalidade, vê entrar em seu caminho um jovem deficiente físico conformado com a vida sem sucesso profissional devido à sua limitação física. Ao ser salvo pelo deficiente do ensejo fatídico, o empresário lega um desejo incontinente de o recompensar. O desejo se torna uma obsessão e o homem faz qualquer coisa para se livrar dela.

Consta que o grande contrato assinado pelos dois sócios exige uma campanha bastante prodigiosa, pois o produto a ser socorrido por meio da publicidade beira a extinção devido ao eminente advento da Quarta Revolução Industrial – ou Indústria 4.0. Buscar uma solução de sobrevivência para um produto com imensa dificuldade no mercado requer a sensibilidade de alguém que em seu dia a dia está a lidar com adaptações. Um deficiente físico é alguém assim.

Nasce desse mote uma imperdível história que narra casos de inovação, aumento de autoestima, motivação e superação focada nos campos do empreendedorismo e das relações interpessoais. Muita ação é vivenciada na trama e garante ao leitor experimentar bastante emoção e absorção de conhecimento e preparo para o futuro que se esboça.

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À espera de alguém chegar

Eu via a vida se passando
à espera de alguém chegar.
Um belo dia veio Sandra
a minha vida transformar.
 
Um novo Sol eu vi brilhar.
Um novo tempo pra sonhar.
Vi que a sua porta se abrirá.
E ao teu convite eu me vi entrar.
 
Seus olhos negros feito a noite.
Tem um jeito incrível no olhar.
Seu riso tímido contagia.
Faz qualquer coisa se alegrar.
 
Vi um grande amor se aproximar.
Meu coração ferido eu vi se curar.
E o seu nome:
SANDRA,
para sempre eu me vi chamar.
 
Publicado pela primeira vez no Recanto das Letras em 2013.

Este poema foi publicado no livro “Todo o mundo quer me amar” junto com as demais postagens do blog do autor “Hoje o tempo voa, amor” e textos inéditos.
O livro narra a busca de um homem pelo desenvolvimento empreendedorista, que acaba lhe tornando empreendedor também no campo amoroso, o que o faz viver romances maravilhosos com todo tipo de mulher. Adquira e se encante com cada crônica que o livro oferece.

Escolha o que te influencia

Com algumas observações se constata que é verdade que as pessoas com as quais nos relacionamos podem, de alguma maneira, influenciar nossos hábitos e decisões. Por isso é bom procurarmos estar a nos relacionar com pessoas vitoriosas, cultas, que possuem boa conversa, que passam otimismo e motivação para o sucesso, que sejam bem-sucedidas.

Se você é uma pessoa assim, venha para perto de mim e me influencie à vontade.

Agora, não é sempre que podemos contar com gente desses naipes ao nosso redor. Há alguns truques como ir ao encontro delas; frequentar os ambientes que elas frequentam e neles procurar pelo menos estar em pontos onde é possível observá-las.

E quando a impossibilidade disso se fizer, nem tudo está perdido, pois, existem os livros. Criar o hábito de ler e escolher obras de autores consagrados para devorá-las em leitura e se deixar influenciar pelo que elas incitam equivale a estar próximo deles a receber suas influências.

A mídia livro é ampla no quesito influenciar. Você pode deixar se seduzir por um autor ou por uma história, mas, também pode fazer o mesmo com um gênero literário. Se você quer se tornar um ótimo administrador de empresas, então, deixe-se influenciar por livros do gênero. E segue o mesmo para os tantos outros que existem.

As vezes, somos influenciados por personagens que encontramos pelas histórias a fora. Fictícios ou tirados de alguma biografia. Nesse caso, o poder pessoal do autor nem importa. Quanto mais carismática a personagem, mais desenvolvimento pra quem lê.

Adquira o livro “Todo o mundo quer me amar” e se deixe influenciar pelas tantas personagens bem magnéticas que há no romance em forma de crônicas.

O professor é um perigo para o mundo (Pt. 1)

Quando usamos a palavra “mundo”, muitas vezes queremos dizer: modelo social dominante. Um professor pode ser um perigo para o modelo social que domina o mundo.

Estava ele, o professor Pascoal, a perambular pela rua com as mãos para trás e o pensamento ao longe, os olhos debaixo dos óculos fitando o nada no horizonte e o semblante esboçando um sorriso reticente. O nome dele, Pascoal, dado por seu avô, homenageava o monte que diziam nos livros de História, pelo menos os do século passado, que Cabral avistara antes de adentrar em terra brasileira com a sua quadrilha. Perdão: esquadrilha. A invasão tinha a intenção de pilhar os índios que sua trupe encontrou. Que não era novidade para eles, conforme dizem alguns livros proibidos de hoje. O Monte Pascoal até que tentou impedir o bando português de penetrar no continente, mas, a natureza tem também um líder e esse líder quis que o homem fosse mais forte e sacaneasse com ela.

Uma garota magra e branca, com cabelo negro, curto e cacheado, trajando uma bata laranja com estampa indiana que descia até a cintura e encontrava com a calça jeans índigo blue que descia o restante até os pés cobertos por um tênis da Nike bloqueava o caminho do professor. Ela também usava óculos e conservava a aparência de gente que se acha intelectual, consciente das questões de suma importância para o ser vivo. Era daquelas pessoas que gostam do retrato do Che Guevara tirado pelo Alberto Korda e popularizado pelo Andy Warhol e diz ser amante da ecologia. Havia tirado mais um bolo de papel de dentro da bolsa de pano e a tiracolo que ela levava consigo e entregava para os transeuntes quando o professor se viu de frente para ela a receber a oferta do papel.  Não foi preciso o professor pegar no próprio para recusá-lo. Apresentou para a moça as duas palmas da mão, como se quisesse dizer que não carregava nada. O docente reconheceu ser a garota uma aluna dele. Estavam os dois próximos à faculdade onde ele lecionava sociologia. Nisso, começaram a dialogar.

– Qual é, professor, não gosta de santinhos?

– Do pau oco não, minha filha! E olha, você está severamente passando uma informação falsa de si. Vou denunciá-la por falsidade ideológica, estelionato ou qualquer outro artigo que enquadra quem passa uma imagem de si e mostra outra coisa com o que faz. Por que quer me enganar? O que eu te fiz? Te dei péssimas notas?
Veio-lhe, encerrando seu rosto sorridente, o pedido de esclarecimento da protagonista da conversa.

– Sobre o que está falando, professor?

– Ora, filha, quem olha para você imagina se tratar de alguém bem informado, intelectual, politizado, sabedor dos problemas do Brasil e de seus causadores, e, no entanto, você repassa um papelote sugerindo votar no candidato do PSDB à Presidência do Brasil?

A garota, só pelo respeito ao professor, que em sala de aula dá um show em termos de conscienciologia, teve uma espécie de epifania. Enxergou longe e viu o quanto ela estava sendo inocente conflitando as aspirações que mantinha com a postura política que tomava, ainda que para ganhar um dinheirinho apenas. Até que as aspirações ela não precisava se sentir culpada, pois, por ser uma garota jovem, ela era presa fácil para o terrorismo psicológico que a mídia faz para controlar a opinião de quem se expõe a ela. E já que a garota não conseguia se desprender e não se expor aos veículos de manipulação, ela não tinha o que reclamar. Isso a confundiu bastante.

O professor avistou do lado, sentados na grama em uma parte do campus universitário, alguns hippies fumando baseado. Eles usavam os santinhos para envolver a erva e enrolar em forma de canudo. Parecia que a gramatura e textura do papelote servia bem ao propósito. Voltou ao diálogo então o professor, indicando com os olhos a cena para a aluna.

– Seria uso de mensagem subliminar  para informar as propostas desse candidato sem se comprometer com os moralistas que ele quer que votem nele também, minha cara? Tem um pastor que vai levar um grupo de evangélicos a votar nesse cara. Será que esse pastor nos próximos cultos vai dizer que seu rebanho deve concordar com o uso de drogas e sua legalização, coisa que faz parte do conjunto de repulsa da fé que ele representa?

Maconheiro também, o professor ofereceu a aluna um exemplo de tática usada em aliciação de mentes para o voto. É claro que o tal partido não pensara no golpe que se formava, mas ficaria super satisfeito se soubesse que foi hábil em recrutar eleitor até no material que empregou para fazer sua panfletagem. O problema é com os militantes do adversário, que não são bobos e se tiverem oportunidade levam tudo o que puderem para denegrir a imagem do outro às claras.

– Me diz, minha cara, mais uma falsidade ideológica, não é mesmo? A gente sabe que incentivar o uso de tóxicos se relaciona com estar de acordo com o crime organizado. Nem tanto contra o combate à saúde da população.

– Professor, o senhor está exagerando!

– Talvez sim, minha cara. Mas te dou um exemplo claro de como é possível manipular a opinião das pessoas com coisa pouca, informação indireta, que são verdades incutidas em mentiras ou falsa informação. É assim que esses partidos todos agem em época de eleição. A força da imaginação dos marqueteiros trabalha para eles. E é aí que esse pessoal dos veículos de mídia ganha dinheiro. Eles não têm compromisso com o que o povo vai sofrer depois de eleito o candidato que lhes pagam. Olha isso aqui!

O professor mostrou o celular para a aluna e ela assistiu nele a um vídeo espalhado pelo Whatsapp. Um suposto carteiro entregava folhetos publicitários com o rosto da Dilma, candidata do PT à Presidência. Em seguida o professor pediu que ela assistisse o próximo, no qual um policial mineiro faz severas acusações contra o candidato do PSDB.

– Bem, minha filha, concorda que fica difícil escolher um ou outro candidato e que nós somos bonecos na mão desse pessoal que quer parar na Presidência do país se apresentando como o mais honesto e na hora que eles chegam lá se vê outra coisa?

– É um círculo vicioso, professor!

– Que nós mantemos! Devíamos abominar esse tipo de coisa e todo mundo votar “99 – Confirma” para anular o voto. Cinquenta por cento de votos nulos em um pleito desses anula o pleito e obriga a aparição de concorrentes novos. Votar em branco é perigoso. Não vemos para onde vai o voto e essa urna eletrônica não é confiável, pode mandar para um dos dois partidos em disputa.

– Concordo que fica difícil, professor, mas… o do carteiro parece ser mais impressionante e foi parar na Globo o assunto.

– É difícil, mas não é por isso, minha filha. É difícil porque nos sujeitamos a assistir tevê ou a consumir qualquer outro objeto de mídia. Se não entrasse em sua vida nenhum desses vídeos você não entraria em contato com eles e tomaria sua decisão por outros meios. Talvez mais corretos.

Tendo dois materiais audiovisuais em questão, o professor quis mostrar para a aluna dele o quanto ela precipitava.

– A Globo, analisando por uma série numerosa de esforços midiáticos que ela nos mostrou, se opõe ao PT. Tanto a emissora cuidaria de passar o que denigre o partido, independente de ser verdade ou mentira, quanto não mostraria o mesmo tipo de material que denegrisse o adversário dos petistas. Isso é nazismo. Desonesto pra chuchu!

A ausência do material anti-PSDB na mídia oficial realmente chamou a atenção da moça. “Por que nunca há, nem nos debates, exposição dos podres do candidato da elite”, é o que passara pela mente dela bem ligeiramente. Um bichinho interno parecia impedir que ela aprofundasse o questionamento. Era o efeito do flúor e de outros tapadores em seu cérebro que a impedia de discorrer por mais tempo o que pensara.

– No que você acredita mais: em um vídeo onde uma pessoa se veste de carteiro e tendo juntado folhetos publicitários de um candidato faz o que manda a pessoa que o filma? Ou em um vídeo no qual um homem, de cara limpa, só ele e a câmera, se identifica, apresenta documentos que supostamente comprovam o que ele fala e argumenta coisas que todos podem constatar, pois são de conhecimento público?

– Analisando dessa forma, professor, mudo minha opinião. É realmente mais autêntico e comprometedor para quem o criou o segundo vídeo.

A moça nem esperou seu mestre de sociologia dizer qualquer coisa e foi logo jogando em um cesto de lixo o material publicitário que carregava. Para não ser desonesta ela sequer cogitou ir receber os cinquenta reais que o comitê que a contratou para fazer a entrega ia lhe pagar. “Não vou  mais contribuir com a ascensão do crime organizado”, pensou ela. Mas não disse. Em seguida, apresentou um ar de estar bastante aborrecida e indignada por ser presa tão fácil para o terrorismo midiático, como disse seu professor. Tirou seu celular da bolsa para fazer uma ligação e antes de começa-la reclamou do clima com seu interlocutor.

– Não fique triste, querida! O tempo todo somos enganados. Coletivamente isso acontece diariamente. Veja o que ocorre com o clima: não chove nem a porrete e nessa época do ano as chuvas são frequentes. E ainda vêm falar sobre contaminação por um vírus maldito que saiu lá da África. Há muito o que saber-se sobre isso e não nos falam. Não sabemos outra visão que não a que a mídia nos passa: aquecimento global, crise do Ebola. Mas será que é assim mesmo e pronto? Não há nada de obscuro para ser suspeitado e discutido com a população em vez de apenas induzir ela a um comportamento? Temos só deveres? E essa coisa de recrutar drogados como curral eleitoral, recrutar evangélicos, membros de grupos sexuais, torcedores de futebol, não é fruto de engenharia social nociva? A mídia, vilã, fica impune? Tudo isso está em jogo nessas eleições. Até o seu celular pode ser um contribuinte para que o clima esteja como está. Já ouviu falar sobre o Haarp?

A moça desligou rapidamente o aparelho que mantinha à mão e fulminou o mestre com o seu olhar de curiosidade número dois. E ele não quis faltar com a informação para ela. Só disse que ela deveria aguardar para ouvi-lo na sala de aula. E se você quiser saber também o que ele tinha a dizer para seus alunos, acompanhe a segunda parte deste conto.

Grato pela leitura!

*Originalmente publicado em 14 de outubro de 2014 no blog “As besteiras que recebo“.

Pecando em alto estilo

Pela greta da porta, Vera Cristina olhava sua irmã se deliciar do sexo. Sua mão livre fazia que ia e desistia de ir acariciar seu clitóris. A região estava inundada. De uma inundação que junto com a sensação que ela experimentava em silêncio forçado ela jamais tomou conhecimento de que podia existir.

O espetáculo que ela assistia estava no auge. Até ali, Lindaura atingira o orgasmo duas vezes. Ela estava sensível demais e provou logo um duplo. Os movimentos do parceiro permitiu a façanha, que com o marido jamais ocorrera. Lindaura não economizava no volume de seus gemidos. Isso possibilitou Vera vez ou outra soltar alguns suspiros que se não abafado o som poderia revelar sua localização.

A calmaria sônica comum do início da madrugada naquele lugar foi interrompida por um ruído peculiar das moradoras da casa ouvirem geralmente às nove da manhã dos sábados. Era inusitado demais para ser o que se passou pela cabeça de Lindy. Por isso ela continuou a cavalgar com a calcinha descida, presa na canela de uma das pernas, e a saia levantada, no colo do homem que ela elegeu amante naquela noite. Os olhos fechados e os lábios ajudando na respiração é o que ele via dela enquanto a segurava pelas ancas. A calça jeans que ele usava, aberta na região do zíper, a conta de expor estrategicamente o pênis, oferecia-lhe desconforto.

A plateia de um integrante apenas acomodada atrás da porta do corredor não se deixou levar pela euforia do acontecimento e reconheceu o desligar do motor do Volks 8150. Notou também o bater apavorado da porta do motorista, a fala rasteira reclamando de terem deixado a televisão da sala ligada, a batida enferrujada do portão social  e os passos nada educados a pisotear os degraus da escada externa e a aproximar da porta da sala.

Num átimo, Vera Lúcia deixou seu esconderijo e invadiu a sala para socorrer a irmã. Àquela altura a própria já identificava a solidez do inesperado. Benício provavelmente estava bêbado. Alguma coisa de podre acontecera para ele voltar antes do trivial. Principalmente por ser uma madrugada.

Lindaura desertou-se do posto. A irmã a substituiu no colo do rapaz, que já estava razoavelmente recomposto e vestido. A boca dele foi procurada por Vera. Ele entendeu o que ela tinha em mente. Lindaura correu o quanto pôde corredor a dentro em busca de seu quarto. O barulho de chuveiro elétrico sobrepôs o dos dois aparelhos televisores que estavam ligados.

A redenção pela greta da porta

Fim da linha para o casal em pressa. Lindy apagou os faróis do carro e seguiu com eles apagados, pelo pequeno quarteirão que ela conhecia de olhos fechados. Confirmou se o Volks 8150 branco com um baú cinza acoplado estava parado na porta, como de praxe: de maneira a atrapalhar a passagem para a garagem de sua casa e a incomodar durante o dia os transeuntes que precisavam trafegar pela rua de calçadas desuniformes. Seria um sinal que lhe estragaria os planos. Ao que lhe pareceu seria uma virada típica de sexta-feira para sábado.

As portas do Celta foram abertas devagar. Ambos saíram juntos. Ele fechou a porta do lado do passageiro sem fazer qualquer barulho. Ela deixou a do motorista aberta. O motor estava ligado em marcha lenta e as chaves na ignição. Olhou, Lindy, para cima e notou a irmã segurando a renda da cortina da janela da sala, que ficava de frente para a rua em um andar superior, para observar discretamente quem vinha. O suave bombardeio do motor em estado de marcha lenta foi o que a fez buscar a janela. Olhando para cima, a claridade fosca denunciava que ela via televisão. O restante da casa estava com as luzes apagadas. Mesmo a do alpendre.

Lindaura abriu o portão de bandeira da garagem e solicitou ao amante que ele guiasse o carro para dentro dela. Ele deu a volta pela frente do veículo, entrou nele e fez o que foi lhe ordenado. Obviamente o farol teve que ser ligado. Este revelou no interior do cômodo de paredes apenas rebocadas uma escada que conduzia à porta de entrada da sala no andar de cima.

Mal o carro chegou ao ponto que precisava atingir para que o portão pudesse ser fechado e a dona da casa já puxou o próprio para dentro, enfiou-lhe a chave na fechadura interna e o trancou. O próximo passo foi se lançar nos braços do homem que a acompanhava. Parecia que o coito aconteceria ali mesmo. Mas, foram apenas carícias mais picantes. A moça estava decidida a levar o parceiro para o interior de sua residência.

A porta da sala já se encontrava destrancada. Quando foi aberta, Lindaura viu a irmã sentada no sofá grande. A TV, ligada no Cine Record Especial, era a companhia de Vera. A protestante olhou para os dois com o semblante de quem desaprovava o que ela premonizava e que já sabia se tratar de um ato de vingança contra o cunhado estúpido e infiel com quem Lindaura tivera o infortúnio de ter se desposado.

Aos trancos e barrancos, Vera foi apresentada a Júlio. Mal disseram qualquer coisa e Lindy conduziu, segurando-lhe o braço direito, a irmã até o corredor que levava aos quartos da casa. Vera já sabia qual seria o seu papel. E não muito conformada foi parar em seu aposento, onde havia também um aparelho televisor, o qual ela ligou para continuar a ver o filme que assistia.

Na sala, a anfitriã acomodou seu amante no sofá. Subiu em seus quadris como uma amazona e de frente pra ele, enlaçados pelos braços, trocaram beijos atrevidos e ficaram à espera de que o tesão os enlouquecesse e aquecesse estonteantemente a transa.

À medida que gemidos e barulho de raspões de corpos no estofado de chenille cinza denunciavam o clima que jazia na sala, a curiosidade da irmã se despertava. Com alguns passos pé-ante-pé ela poderia se aproximar do palco das atrações e discreta como estava à janela quando o casal deu as caras ela poderia abrir à meia-visão a porta que obstaculava a passagem e com isso saciar sua vontade de mulher casta, virgem aos 27 anos, de obter pelo menos platonicamente uma transa. A sorte com homens, que sobrava à irmã, lhe faltava por causa das escolhas que fez ao longo da sua trajetória vital, devido à baixa permissividade ao pudor que lhe fora imposta pelos pregadores das congregações religiosas que fizera parte.

Tão possante quanto os ataques dos guerreiros do filme de ação que ela assistia foi o impulso que Vera sofreu para dar um basta ao moralismo que só a estava atrasando a vida e a causando opressão e sofrimento em nome de uma ética criada por mortais enganadores se passando por emissários de Deus para só ela manter. E pé-ante-pé a branquela de corpo esbelto e cabelos amarelos desgrenhados partiu para dar asa à sua imaginação. E, se não podia – ainda – ter a sorte da irmã, pelo menos se degustaria ao vê-la em ação. Se lhe ocorresse a tentação de desfrutar do que ela acreditava ser pecado, o automassageamento genital visando o orgasmo, ela, sem delongas, procurando o máximo de discrição, se renderia a ela e com isso, quem sabe, iniciaria sua libertação sexual e mental.

Minha adorável vida de hétero

O Celta cinza prata fazia cem por hora sempre que havia oportunidade. Para trás ficava a paisagem vista como mera sinalização do caminho. O destino, o velho Júlio não sabia por que cargas d’água estava no rumo que tomavam. Passaram por vários motéis. “Tá certo que a maioria é bem abaixo da crítica, mas, havia uns dois de luxo“, sobrava para ele se perguntar sentado no lado do carona enquanto a morena estonteante guiava o volante e revezava afobada seu pé direito entre o acelerador e o freio, deixando o rapaz a notar o que das coxas da amiga de faculdade conseguia escapar pela aba da saia branca que ela usava. Quando o semáforo obrigava a parada, as bocas se encontravam, sob olhar de soslaio da moça para garantir a segurança de não estarem a serem vistos, e beijos lacônicos amenizavam a inconsciente pressa.

Onde, ele tinha um palpite. O que ela tinha em mente, ele não tinha dúvidas. Era para ser apenas uma carona até parte do caminho rotineiro que a jovem recém balzaquiana fazia toda noite para ir para casa. Ele deixaria de ser companhia para ela cerca de vinte quarteirões antes de ela pegar a Padre Pedro Pinto, sentido Ribeirão das Neves, localidade que estava bem além do ponto onde a própria pararia seu carro e o guardaria na sua garagem.

A dúvida de que era sexo com ele o que ela queria ele desfez logo que ela fez questão de não falar sobre aulas. “noite de sexta-feira a gente tem que pensar é em outra coisa“. Somando-se à fungada maliciosa em seu pescoço logo que ele aceitou a carona. Fungada que lhe custou o restinho do cheiro do Ladro borrifado às quatro e meia da tarde, antes de ir para escola. O qual formava o pelotão de frente para defender a pele do moço contra o cheiro forte do suor peculiar do stress de ter que suportar quatro horas a estudar. A certeza de que era iminente a primeira transa com uma colega de sala daquela faculdade de administração, que ele iniciara só para ocupar seu tempo, lhe vinha como certo é também que mamão com açúcar tem gosto adocicado.

Pelo parabrisa as luzes confusas dos carros da contra-mão junto às buzinadas desnecessárias que os vândalos do trânsito insistem em oferecer aos ouvidos presentes como forma de obter atenção fazia aumentar profundamente a impaciência. Na altura de uma agência da Caixa Federal, naquele ponto de aspecto pobre da Grande Belo Horizonte, o velho Júlio teve que confirmar com a motorista misteriosa o local para onde seguiam. Lindy era uma mulher casada e morava para aquelas bandas. Ele só sabia isso.

Meu marido é caminhoneiro e volta para casa sempre no sábado pela manhã“. “Relaxa! Não vamos passar a noite toda lá em casa“. Era para a casa dela mesmo para onde iam. Como ele desconfiava. E a irmã? Ela lhe falava dentro da sala de aula que havia uma irmã que mora com ela e o marido. Pensamentos mais picantes penetravam na cabeça do homem de meia-idade que se mantinha em silêncio a maior parte do tempo.

Uma virada à direita e a avenida foi deixada. O caminho tornou-se mais estreito e ainda mais paupérrima a aparência do ambiente. Adentraram-se em um bairro com algumas casas boas revezando com barracos e sobrados cheios de puxadinhos. Ruas pavimentadas e outras de chão puro. Um córrego à céu aberto despontou. O carro o contornou até certo ponto. A iluminação viária desceu. Postes com lâmpadas acesas intercalavam outros com elas quebradas. O medo que Júlio sentia tentando não deixar transparecer misturava-se com a excitação causada pelo sombrio panorama voltado para a expectativa de infortúnios típicos de periferia. Superava a inevitável aflição de ser flagrado pelo conjugue legítimo de Lindy. Porém, estranhamente não burlava esses contrapontos a vontade de ultrapassar os momentos preliminares à diversão que estavam à espera de degustar.

*Acompanhe este conto no marcador “Minha adorável vida de hétero”.

Sem esperar

Uma trapalhada fez com que ele saísse mais cedo para o intervalo de almoço. Atravessou as dependências da empresa onde trabalha e retornou trazendo uma marmitex. Foi para o refeitório. Havia um tanto bom de gente por lá. Mesmo tendo bastante mesa sobrando, ele custou a decidir onde sentar. Sentou-se de frente para uma mulher que ele não conhecia. Coisa que era de praxe.

A garota apresentava sinais de que queria conversar. O problema era só em escolher o assunto para dar início a uma conversa. Ele estava elétrico, como vem lhe sendo ultimamente. Sente impulso de fazer contato com mulheres, que aparece-lhe logo um assunto ou uma situação para consumá-lo. Fazia parte de seu estado-foco. Aquele estado que te deixa, mesmo que inconscientemente, de prontidão para atingir seus objetivos.

Hipnoticamente, ele arrancou dela um sorriso com os olhos por trás dos óculos, enquanto ela mastigava o que comia. Ele armou o bote.

ELE: Temos que apressar, pois o tempo é curto, acha o mesmo?

Ela gostou que ele iniciasse uma conversa assim. Respondeu com o mesmo sinal de poucos instantes atrás.

ELE: Acaba que esse refeitório é o único lugar em que podemos conhecer as pessoas que trabalham na mesma empresa que a gente e não podemos aproveitar dele para isso por causa da pressa.

Era uma empresa onde trabalhava muita gente. Uma fábrica.

ELA: As pessoas que possuem o mesmo horário de almoço podem se encontrar mais vezes.

ELE: E de vez em vez, acaba criando um relacionamento e saindo para se divertir depois do horário. É o jeito, concorda? [riram os dois]

ELA: Acontece de isso se dar na primeira vez.

Riram olhando um para o outro compenetradamente. Um clima estabelecido naturalmente os ajudou a arriscar desprender sem cerimônias movimentos típicos de flerte, olhares focados e uso de frases e palavras abordadoras.

ELE: Pode ser esta uma dessas vezes.

Ela era tímida e cheia de julgamentos auto-aniquiladores, mas estava cansada de perder tempo e de não conseguir o que quer por causa dessas coisas. Deixou para lá o que ela dizia sempre para si mesmo, e o que ela ouvia de outras pessoas, a quem ela achava que devia satisfação.

ELA: Se você não tiver nenhum outro compromisso e quiser que seja esta também a vez de sair para divertir depois do horário, eu concordo.

Riram os dois quase em silêncio e trocaram telefones. Havia apenas o turno da tarde os separando de um promissor encontro.