O ateu que Jesus Cristo salvou

Puto da vida com a demora para chegar ao Centro que o ônibus em que ele se encontrava se via nela por causa da bobagem de um jogo de futebol, um ateu literalmente rogava praga em tudo que se relacionava com o evento. Queria que os jogadores tivessem sido envenenados durante a partida para o estádio, que o próprio desabasse matando tudo quanto fosse idiota que estivesse presente nas arquibancadas, que os alienados locutores desportivos e tudo quanto fosse jornalista que fosse fazer cobertura da inutilidade sofresse derrame cerebral.

Tava nojento demais. Aquela conversa repetida, que não saía de previsões de resultados; contagens de títulos conquistados por cada equipe de futebol que tem vez na mídia; enaltecimento de jogador e de clubes; as insandices de supostos acontecimentos de bastidores que a mídia injeta para darem repeteco e ela confirmar para seus anunciantes que influencia um loco de otários predispostos a serem explorados como consumidores de artigos relacionados ao futebol ou ao Esporte; provocações ao torcedor do time rival, que nem estava no confronto. Aquela discussão que não levaria ninguém ali pra frente no meio social, que não enche barriga e nem bolso.

Jogariam no Mineirão Cruzeiro, de Minas, versus Palmeiras, de São Paulo. Um deles passaria para a Final de um desses torneios mesquinhos, de integridade duvidosa, que enchem o saco o ano inteiro e é usado pra desviar a atenção da população de algo que seja importante ela observar e cobrar soluções ao Governo.

Tal qual acontecia naquele mesmo momento: ônibus lotado, precisando melhorar a infra-estrutura e diminuir o preço da passagem ou tornar os salários compatíveis com a tarifa para que o sistema de transporte fosse justo; muita gente desempregada, tendo que ir pedir nos coletivos; facilidade no trânsito mal administrado para ocorrer transtornos como os engarrafamentos, e como naquela hora: sem motivo justo.

Precisa alguém que esteja voltando cansado do trabalho, que nada tem a ver com futebol, ser obrigado a chegar em casa bem mais tarde do que o seu trivial só porque vai acontecer uma partida de futebol num local no itinerário do transporte que utiliza? Fora a baderna de gente cabulando a passagem pulando roleta e perturbando com gritaria sem motivo e execuções de músicas escrotas, em alto volume, em seu celular, os passageiros pagantes. E ainda não se falou do foguetório que torcedor de futebol espúrio acha de soltar pra aumentar ainda mais a poluição sonora e aérea que parece para ele que não afeta em nada o planeta ou os viventes dele.

A costumeira adoração a Jesus Cristo em conversas entre duas pessoas, as apologias à droga e ao ridículo mundo do funk e do crime, e mais a paulada nas bolas do saco que é o assunto Eleição Presidencial e tudo que envolve a política brasileira ficavam de fora por causa daquele grande evento que desfila o potencial de imbecibilidade da humanidade atual. Sequer os pedintes e os vendedores de bala, que completam a parte dura de se aguentar dentro das lotações, apareceram pra fazer os alienados por futebol calarem a boca pelo menos um pouquinho.

Eis que, finalmente, a condução da linha 3550 alcançou o ponto de ônibus existente em uma esquina saída da Avenida Alfredo Balena, rumando para a Santa Casa de Belo Horizonte. Nosso ateu enraivecido desceu da lotação. Estava faminto e viu a chance de forrar o estômago olhando para uma lanchonete meio que armazém disponível logo que saltou. Entrou nela interessado em uma promoção de três pasteis por R$3,00.

Solicitou a promoção para o balconista vestido para o verão de frente para o mar, que não pôde ser identificado se era mesmo com quem se falava para pedir alguma coisa do bar, mas, com cara de quem não está muito afim de vender seu produto ele próprio perguntou para o ateu o que ele queria. Foi parar na mão do rapaz uma cumbica de plástico com os três pasteis e um copo americano com 300ml de refresco de uva. O freguês se ajeitou na única mesa disponível e logo depois lhe veio a notinha com o pedido para ele passar no caixa e pagar.

Como a achar que ele só podia estar numa de atrair o que não quer, lá foi nosso protagonista se expor à mesmice com que se deparara dentro do ônibus. E o assunto do jogo de futebol ferveu. Ainda mais chato. Com pessoas maduras se identificando como torcedor do Cruzeiro, do Atlético e da “puta que os pariu”, como os definia em sua cabeça o ateu.

Eis que naquela de dar palpites sobre o jogo, um dos interlocutores da discussão se dirigiu ao ateu para lhe perguntar o que ele achava que ia acontecer no confronto desportivo. O moço, querendo dizer algo áspero, mas, comedido, respondeu que não daria palpite porque não entendia de futebol. O solicitante do palpite achou um afronto. Como poderia existir no Brasil alguém que não desse toda a sua atenção ao futebol? Um cara desses deve ser maluco. Ou senão uma bichona. Ainda mais estando prestes a acontecer a importante partida que estava para acontecer naquela noite.

E com tom de chacota, olhando para seus condescendentes e risonhos amigos, o importunante que interrogou o ateu quis saber a razão de o ateu não gostar ou não entender de futebol, não conhecer os jogadores ou os clubes ou a situação de cada campeonato em disputa. Ele se via obrigado a mudar aquele quadro de indiferença total ao que no Brasil é uma instituição à qual se deve reverenciar. E o ateu, demonstrando irritação pela sabatina: “Não entendo de futebol, nem de política, nem de pobreza nenhuma dessas que gostam de perder tempo comentando sobre elas a maior parte do dia”. O cara achou que aquilo o insultava e demonstrou isso em seu semblante quando perguntou: “do que você gosta então”.

O ateu lembrou-se dos casos que ouvira falar que é muito comum pessoas agredirem outras por causa de divergências de opinião quando o assunto permeia o futebol. Lembrou-se que muitas das brigas finalizavam em morte. Eram cinco contra ele. Teria que responder, e já saindo para fechar a conta, de maneira categórica para que além de chegar em casa bem mais tarde e furioso com a razão, não chegar todo quebrado ou talvez nem chegar.

E foi aí que ele usou aquela expressão que é capaz de contornar qualquer contenda: “Eu só me interesso por Jesus Cristo. A única coisa que é importante na minha vida é o meu Salvador.”

Salvador mesmo! O máximo que o outro faria era falar que ele está certo, mas, que não precisava ser tão beato, que podia sim ter um tempinho para outros assuntos, que Deus não se aborreceria com isso. Ou então chacotar a fé dele. Mas, se isso acontecesse ele teria dado uma mudada na conversa totalmente a seu favor.

Acalmados os homens, que o deixaram em paz, paga a conta para o caixa, que saiu do meio da discussão, totalmente fora de caráter e também com cara de quem não queria receber, talvez por ter sido interrompido no que discutia, o ateu tomou o rumo da segunda lotação que iria tomar. E andando até ela ele refletiu: “É, esse tal de Cristo salva mesmo”. Mas, ainda estava fora de questão entrar em alguma igreja.

Conquistando e fazendo compras

Mais um texto tirado de um blog que tenho no Blogger.

Ele a viu logo que entrou no supermercado. O fato aconteceu enquanto ele pegava um carrinho para colocar suas compras. Não deu para saber se ela era casada, se tinha alguém, se gostava mesmo era de homens. Dos maduros ou dos mocinhos. O que importava para ele era obter essas respostas, por isso, meio que a parecer para ela encontros por coincidência, em todo corredor que ela passava ela se deparava com ele. Na imaginação dela eram ocasionais os encontros, mas ele fazia por onde acontecerem.

E usava ele uma técnica muito empregada em hipnose neurolinguística chamada espelhamento. Tudo que a moça tirava da prateleira e colocava em seu carrinho ele tirava também e punha no dele. Da mesma marca de produto, por sinal, e tal. Só poupava na quantidade do produto, para sugerir, caso ela estivesse mesmo o reparando, que se tratava de um homem que mora sozinho e que fazia a sua dispensa.

A técnica do espelhamento visa fazer com que uma pessoa sinta familiaridade com outra, ainda que não conheça esta. Isso causa o que, também em neurolinguística, é chamado de raporte. Que é o mesmo que empatia ou despertar de interesse. O mesmo que envolvimento.

Eis que à distância, a parecer deslocar-se naturalmente por entre os corredores e gondolas, ele viu o sinal amarelar-se e desacelerou-se. Ela entrou em uma seção onde só havia produtos exclusivamente femininos. Talvez ela estivesse sendo estratégica e querendo pegá-lo. Talvez, como era óbvio, ela quisesse apenas completar sua lista com os materiais que lhes eram próprios. Se ele também colocasse no carrinho que puxava um pacote de absorventes, ela, no mínimo, pensaria que ele comprava isso para a esposa.

Mas, para ele, as situações adversas soam como oportunidades para colocar o instinto criativo em ação e aparecer com alguma inovação. Quantos enferrujados homens de negócio gostariam de ter à sua disposição essa particularidade de alguém? E, como Henry Ford, ele pensava: “Obstáculos são o que a gente vê quando tira os olhos do foco”. E lá foi ele com o seu carrinho para perto dela.

ELA: Vai comprar um pacote para a sua namorada? Quer que eu te ajude a escolher?

ELE: Eu adoraria, mas, por não ter namorada terei que dispensar a ajuda. Sinto amargamente! [risos]

ELA: Desculpe eu ter te feito a pergunta, mas, é que a gente trombou por quase todos os corredores e parece que temos os mesmos gostos… [ela falou sorrateiramente]

ELE: Eu também notei isso. Para mim soa como um sinal. Então, tomei a precaução de já saber um pouco mais sobre os seus gostos quanto a produtos exclusivamente femininos. Quem sabe um dia você pode aparecer na minha casa e… não quero estar desprevenido. Vou querer ter em meu poder tudo o que você precisar. E exatamente do jeito que você acha melhor.

Sabe quando uma pessoa olha para outra e pensa “cara de pau”, “mas bem que me pareceu bem interessante o danado”? Foi o que passou na cabeça dela enquanto eles riam da cena ao mesmo tempo que tiravam pacotes da prateleira do supermercado. E durou algum tempo esse clima até que, já assumindo ele o encontro em vez de fazer parecer casualidade, juntos eles seguiram para o mesmo caixa, pagaram o que compraram e trocaram números de telefones para combinar de degustarem na casa dele, um dia após um programa antecedente que ocorresse em um local mais formal, as iscas de melusa que ele colocara em seu carrinho junto com uma boa garrafa de vinho, logo quando decidiu que iria tentar abordá-la.

Se você põe em prática um evento final para uma situação que pretende iniciar, mais chances ela terá de ocorrer, pois o fator principal já está consagrado: a confiança em si. Primeiro existe na mente para depois existir na realidade. Assim no céu, como na Terra.

Saindo dos trinta

Dando sequência à migração dos textos de um blog que tenho no Blogger para cá.

Ele, recém chegado aos cinquenta anos de idade. Ela, saía dos trinta. Ele, após passar a última década de sua vida se preparando para afortunar-se, se tornou um homem rico. E estava em busca de alguém para, quem sabe, compartilhar da sua pequena fortuna. Ela, professora da rede de ensino público, tinha emprego estável e algum patrimônio, que lhe garantia a vida de mulher independente, sem filhos, que levava.

Ela também procurava alguém. Mas, não queria se precipitar. Da mesma forma que formou cuidadosa e qualitativamente sua independência financeira, queria formar seu laço conjugal. Precisava ela encontrar um homem que fizesse valer a pena sua busca e seus longos anos de solidão, vividos de encontros casuais e de amores platônicos.

Era inevitável que um dia eles se conhecessem. Iam frequentemente ao mesmo ambiente recreativo destinado a encontros de pessoas maduras. Ela já o havia visto muitas vezes sair do lugar com mulheres de vários perfis. O que ele tinha que atraía tanto as mulheres, ela precisava descobrir. Um homem que sugere guardar um grande segredo, toda mulher quer desvendá-lo. E com ela não era diferente. Valia a pena para ela dar um tempo na rigidez de sua busca e sair dali com ele para um simples encontro casual.

Valia também a pena pagar o preço para saber a razão de tanta rotatividade: ou ele não era ao todo o que sugeria ser e as mulheres que conquistava não o seguravam por isso, ou ele era exigente demais e por isso ainda procurava quem quer que seja. E ela, então, decidiu que era aquela noite a vez dela. Já não tinha mais tempo para perder, o tempo voa e a gente tem que se permitir a fazer o que precisar ser feito para garantir a felicidade que a natureza nos exige.

Ela ia para lá com amigas. Ele sempre ia sozinho. O recurso de insinuar com o olhar a alguém querer conhecê-lo é implacável. Ela o utilizou. Estar com amigas é ótimo para sugerir estar tendo dificuldades para se livrar delas e estar aí o motivo de ainda não ter ido à luta. E num lugar desses, quando o tempo passa gotejando e alimentando a expectativa de um homem de ver logo ao seu lado uma mulher que lhe tiça, a impaciência misturada com as bebidas que fazem com que o garçom gire carregando bandejas várias vezes ao seu redor, faz chegar um momento em que, por mais delicado que seja um homem, ter que abandonar o posto para ir ao toalhete seja inevitável. E ela sentiu que esse momento estava eminente.

ELA, A CAMINHO DO TOALHETE FEMININO: Parece que esta noite é nossa!

ELE, DESARMADO: Nossa?

ELA: Os solitários!

ELE: E já somos solitários demais para comemorarmos sozinhos, não?

ELA: Não se consegue mudar nada fazendo sempre as mesmas coisas, concorda? O que você sugerir eu topo!

ELE: Prefiro voltar à minha mesa e lá te espero para ouvir a sua sugestão.

E ela foi. E não é que ela conseguiu o que queria! Desvendou o mistério que o encobria. E estão por aí a viver a vida a dois, felizes à beça.

 

A fé que remove montanhas

Um ônibus passava por uma rodovia, seguindo seu itinerário, quando entrou em um congestionamento. Um trecho da pista no sentido contrário estava isolado devido ao risco de queda de um caminhão Mercedes, que tombara no alto de uma ribanceira e estava sendo sustentado pela cabina e por toda a lateral esquerda do veículo.

As rodas ficaram para o ar, viradas para a rua onde o caminhão estava antes de se envolver no acidente e para a gente curiosa e aflita que observava o desespero suprimido do motorista, que dentro da cabina se esforçava para não se mexer, imaginando que qualquer movimento o poria cinco metros a baixo. Seu semblante, que podia ser visto de certo ângulo privilegiado, sugeria estar ele a pedir aos céus pela sobrevivência.

O corpo de bombeiros já estava no local a preparar a estratégia de socorro. Os carros que vinham no sentido concomitante ao trecho isolado estavam sendo orientados por um guarda rodoviário a virar à direita, atravessar a pista da contramão na rodovia e entrar em uma via coletora para evitar a área de risco, além de amenizar o congestionamento, pois, àquela hora da manhã o tráfego nas duas vias da rodovia era intenso. Essa manobra do guarda orientador é que fez com que o ônibus parasse.

Dentro do ônibus, as pessoas deixaram de lado o assunto obtido através do Jornal Nacional da TV Globo, de uma emissora de rádio qualquer ou de um jornaleco desses que custam 25 centavos, e voltaram suas preocupações para o imprevisto. Os malogros da política que os noticiários usam como carro-chefe para o seu faturamento, foram forçados a serem deixados de lado.

Pela janela observavam a situação enervante, sentados um do lado do outro, uma mulher jovem e um homem de meia-idade. Não se conheciam, mas, a circunstância caótica fê-los puxar assunto entre si.

— Ele vai se safar dessa! Disse o homem. — Como sabe? Foi ela quem disse.

— Para esse caminhão ter parado nessa ribanceira desse jeito, no último milímetro dela, só pode ter sido a fé dele que o fez parar. O estado de desespero altera nossa consciência, faz-nos perder a razão e entrar em contato com o nosso eu verdadeiro e fazê-lo operar. Criamos uma força desconhecida, que é capaz de agir sobre a matéria.

— Você parece saber muito sobre fé? A moça indagou.

— Todos nós sabemos. Você só me perguntou isso porque no fundo bateu-lhe uma compreensão bastante nitida, como se fizesse parte de você.

A moça silenciou-se um instante e pôs-se a observar o acidente. O homem ao seu lado fez para ela uma pergunta.

— Você conhece a sensação da Fé? Ela retornou a pergunta tentando confirmá-la. — Sensação da Fé?

— Sim. A fé também é material. Ela pode ser sentida. Você é convicta de alguma coisa? Se é, aquilo em que você tem convicção lhe faz sentir de um certo jeito quando você pensa nisso. Uma sensação de segurança, de certeza. Internamente parecemos a enrijecer, a ficarmos duros como uma pedra, de tanta convicção. E a convicção faz-nos realizar coisas.

“Alguém que está convicto de que os gatos falam, se não obtiver provas disso, se convencerá também de que eles são teimosos”. Fraseou o homem e continuou a dar exemplos.

— Há uma forma muito fácil de você saber quando sente confiança. Na vida, em tudo há dualidade. Para a fé, há a dúvida. Se você não está sentindo fé, está sentindo dúvida. A neutralidade é outra possibilidade. Refaço a minha observação então, transformando a realidade em trina. E saber quando temos dúvida é muito mais fácil, pois dúvida é o mesmo que medo. Se sentimos medo estamos com dúvida. Se o que sentimos não é dúvida, então é fé ou a neutralidade. Porém, a neutralidade, aquela sensação de indiferença quanto à circunstância, de tanto faz, também é fácil de se perceber.

Reparou essas pessoas quando elas falavam sobre a política? Elas tinham opiniões uniformes. E todas elas demonstravam indignação. A indignação também é medo, é uma incerteza quanto ao futuro, portanto é dúvida.

As pessoas passam o tempo todo se expondo à mídia e se enchendo de dúvidas. E, consequentemente, de medo, de insegurança, de incertezas, de rancor. É só o que a mídia tem para nós. A mídia é paga para nos criar esses medos. Sobre o que ela notícia nós não temos dúvida. Temos plena confiança na notícia que ela nos dá. Nem consultamos os órgãos oficiais para nos certificarmos da integridade ou da coerência do que é dito. Deixamos tudo por conta dela, apenas reagimos como ela quer que reajamos.

Com respeito à dúvida que a mídia nos enche, não temos qualquer dúvida. Temos plena convicção de que os fatos aqui fora são exatamente o que a mídia nos reporta. Com isso, acabamos por criar na nossa realidade o que é nos imposto a criar. Nada que nos satisfaz, mas, ainda assim, criamos. Esse é o grande perigo de gastarmos tanto tempo nos expondo à mídia.

O homem, então, observou à moça que os homens do corpo de bombeiros chegavam um cabo de aço ao para-choque e a outras partes do caminhão. Certamente haveriam eles de puxar o veículo, para consertá-lo, em direção à rua da qual o mesmo saíra. Assim, o homem estaria a salvo em pouco tempo. Lembrou ele, que se tudo desse errado, se as leis da gravidade não pudessem mais esperar pelo esforço dos bombeiros e o caminhão sofresse queda, dependendo do tamanho da fé do motorista, algo do que fosse possível acontecer aconteceria dentro da cabina e o faria sair da situação sem nenhum arranhão. O milagre seria de acordo com o que fosse pedido. Por isso, ao solicitar milagres, não poupe.

Ao deixar o assento, ele que saiu primeiro, agradeceu à moça a oportunidade de expor seu pensamento, deixando para ela o desejo de um trino fraternal abraço.