Sedução muito pesada

Se autocensurava Ela por causa dos seus oitenta quilos de peso distribuídos pelo seu metro e sessenta de altura. Era uma gordinha simpática. O volumoso corpo não repugnava ninguém exceto ela mesma.

Esse comportamento inseguro fazia com que Ela não arriscasse a dar o passo seguinte em direção a materializar sua vontade de sair com Ele, que ela ouvira das amigas se tratar de um homem maravilhoso, sem preconceitos e que as fizeram se divertir na companhia dele e gozar horrores em casos de sexo casuais. Ela queria ter a vez dela.

Entrara em uma academia de ginástica só para tentar melhorar sua autoestima. Mas, parecia não dar muito certo a investida, pois, logo que o efeito dos esforços físicos passavam ela se via a recuperar a ansiedade, que a fazia comer irresponsavelmente para contê-la.

Entretanto, parece que os seres humanos têm um fusível que quando o desejo é muito forte ele queima e obriga o indivíduo a repará-lo devido à dor incontornável que se sucede. Sendo a forma de efetuar a reparação, mover-se a fazer com que o desejo se cale. Em outras palavras: ir à luta!

E Ela se encontrava com o fusível queimado, precisando restabelecê-lo. E, coincidentemente, nesse dia ela viu à deriva, dentro de um shopping, prestes a subir em uma escada rolante, o motivo de sua aspiração incontinente. Apressou-se, com dificuldade por causa de seu peso, para tomar conta do degrau logo atrás do que ele tomava. Por sorte ele não era daquelas pessoas que sobe degrau por degrau enquanto a escada rola.

ELA: “Ê-ei! Veio comprar um presente para mim?”

ELE, SE VIRANDO PARA ELA SURPRESO COM O CHAMADO:

“Olá! Como vai?”

ELA, VENCENDO BRAVAMENTE A TIMIDEZ:

“Muito melhor agora que você está me dando atenção.”

ELE, NOTANDO O AR DE CANTADA E JÁ ARQUITETANDO UM PLANO PARA POR EM PRÁTICA UMA TRANSA EXCÊNTRICA:

“Que bom te encontrar, preciso mesmo de uma ajuda feminina.”

ELA, PRECIPITADAMENTE VENDO SUA SORTE FRACASSAR:

“Po… pode contar comigo!”

No segundo pavimento do estabelecimento comercial eles entraram em uma loja de roupas femininas. Nela, ele pediu para a colega de trabalho escolher uma langerie que ele daria de presente para uma mulher que por acaso tinha as medidas parecidas com as dela.

Ela escolhera, casuísticamente, a vestimenta íntima, pois, ficara explícito para ela que o rapaz era acessível à pessoas do porte dela.

Em aproximadamente vinte minutos a escolha foi feita e a compra efetuada. A moça ficara bastante feliz com a execução da tarefa imprevistamente lhe conferida. Lamentou não poder ser ainda mais útil e invejou a sorte da felizarda que vestiria a roupa que ela ajudara a escolher.

ELE, ABRINDO MÃO DE QUALQUER RISCO DE CRIAR UMA SITUAÇÃO DESCONFORTANTE:

“Agora, preciso ver como fica com a pessoa vestida com essa langerie. Será que está a seu alcance essa tarefa?”

Na cabeça dela ele só poderia estar falando de irem para um motel. Em nenhum outro lugar ela poderia colocar a langerie para ele visualizá-la vestida nela. A adrenalina que surgiu lhe deixou trêmula. Com muita dificuldade ela respondeu positivamente a ele.

E do shopping eles partiram para o motel ao lado. Onde ela experimentou a roupa, matou seu desejo de transar com ele, reconstituiu seu fusível controlador de ansiedade e ainda ganhou uma langerie nova. Que ela própria escolheu.

Extraído na íntegra do livro “Todo o mundo quer me amar“, uma seleção de crônicas eróticas, sedutoras, empreendedoristas, românticas, mágicas e divertidas.

Tempo de plantar

A editora lançou um projeto que destinaria ao seu perfil no Instagram crônicas sobre quarentena, a fim de ajudar pessoas com sugestões quanto ao que fazer durante esses dias confinados em casa. Só seriam publicadas as crônicas que passaram por um processo de seleção. Apesar de não haver prêmio, se deu o projeto como se fosse um concurso. Participei com a crônica que aqui publico por não ter sido classificada. Vamos conhecê-la?

plantando

Estou sem sair de casa já há sete dias por causa da quarentena para evitar contágio de coronavírus. Se eu te contar que essa situação de confinamento eu pensei ela durante muito tempo da minha vida, sei que você não vai acreditar.

É sim! Nos meus tempos de menino, lá nos anos 1970, quando ocorria mais dessa vontade inconsciente, eu vivia recebendo sugestões para experimentar isso. Seriados de televisão – como Perdidos no Espaço, Os pioneiros: em um episódio focado em uma epidemia de varíola, A família Robinson; alguns filmes; livros, como “O diário de Anne Frank”; notícias de jornais sobre meliantes à solta. Tudo isso me influenciava a ter desse desejo.

Eu imaginava fazer estoque de comida, de água, dos artigos que eu gostava de brincar com eles ou de utilizar – como por exemplo minha coleção de quadrinhos. Me confortava a sensação de que teria tudo por perto, à disposição, para não passar privação durante o intervalo que o confinamento durasse.

Sem perguntar se eles queriam estar nessa comigo: meus pais, meus irmãos e o cachorro da casa eu colocava, no meu imaginário, sob determinação de não botar o pé na rua. Ah: por vezes o risco era ser levado por alienígenas sequestradores ou soldados nazistas.

Pois é, materializei meu pensamento ou premonizava eu esses dias que vivo agora?

Bom, se mais gente está nessa realidade junto comigo é porque talvez isso seja uma aspiração comum ou uma situação com grande probabilidade de ocorrer em algum momento na vida de todos os seres humanos. Não acredito em premonição. Pra mim, nada está escrito, tudo é construído.

A grande diferença entre aquilo que eu imaginava e o que obtenho agora é que hoje há tecnologias que faz minha clausura parecer um experimento social que visa convencer as pessoas a adotarem o lar como espaço para tudo.

Como eu iria imaginar, lá nos anos setenta, que sem sair de casa eu não deixaria de falar com meus amigos – podendo os ver até –, de visitar – mesmo que virtualmente – museus, parques, praias ou o próprio centro da minha cidade?

To podendo receber aulas, trabalhar para a empresa para a qual eu presto serviço, sacar dinheiro para pagar contas ou fazer compras on line, efetuar investimentos e apostar em cavalos pela internet, jogar eletronicamente com alguém lá no outro lado do mundo.

Se acaso eu quiser reler uma daquelas revistinhas que eu não me descolava delas, as quais não tenho mais, eu só tenho que acessar o Google e procurar por um exemplar virtual. Como não estou precisando deslocar até meu local de trabalho, tem sobrado tempo à beça para eu desperdiçar. E essa nostalgia é imperdível gastar esse período livre com ela!

Acessando na web ou num HD externo, que estou tendo oportunidade para organizar finalmente as pastas e arquivos dentro dele, pilhas de e-book eu estou lendo. Os livros de papel na estante estou relendo. Meu conhecimento está aumentando com essa crise. Dentre o que venho aprendendo, até fazer projetor 3D com o celular e um bom suco de frutas para fortalecer o sistema imunológico, fora os pratos gourmet, eu estou contabilizando. Grande quarentena!

Planos de empreendimentos de toda sorte – até da área de agricultura – ou inventos, que sempre me vêm à mente quando eu não estou em condições de sequer anotá-los, estou desenvolvendo e testando, pois, aparece e eu corro pra registrar à caneta ou no notebook. E histórias para publicar em livros idem. É acabar a crise e eu vou pôr tudo isso em circulação.

Cultuar alguns hobbies – como tocar gaita ou violão –, melhorar minha dicção e oratória, conversar com a família e curtí-la, orar e meditar, praticar yoga e exercícios respiratórios, relaxar meus pés com reflexoterapia. Estou me sentindo sem limites!

Parece que chegou o aguardado prazo para pôr a vida em dia. De uma vez por todas, desfazer todas as pendências. Eu sei que o fato que nos proporcionou isso é trágico e malquisto. Mas, ao mesmo tempo incentiva-nos a aceitar a máxima que diz que é nas tormentas que as oportunidades aparecem.

Por essa razão, não devemos temer recessão econômica após a Covid-19 assentar. Será uma nova tormenta, que trará novas oportunidades. Aproveitemos esses dias de quarentena para desenvolver habilidades e criatividade para aproveitar o momento a advir. E construir para todos nós um futuro até melhor do que o que o Coronavírus fez desabar.

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; (Eclesiastes 3:1,2)

A.A.Vítor – Autor do livro “Os meninos da Rua Albatroz”, cujo capítulo “Planejadores do futuro sombrio” previu o momento atual. Sobre saúde e espiritualidade leia: “A magia que enriqueceu Tony”. Sobre empreendedorismo, relação interpessoal e sexo leia: “Contos de Verão: A casa da fantasia” e “Todo o mundo quer me amar”.

Cresça em inteligência e alimente sua prosperidade

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IMAGEM: Pinterest

Eu era bastante indiferente quanto a uma observação que sempre me teciam. “Você é tão inteligente, não entendo por que não ganha dinheiro”. Um dia eu encuquei e cismei que precisava encontrar essa resposta. Podia não significar nada para mim esse enigma, mas, responder ao que me perguntam é algo que é lei.

De cara eu decidi que uma coisa não tem necessariamente a ver com a outra. Podia ser que ganhar dinheiro fosse mais fácil para quem compreende bem os mecanismos da vida social e o funcionamento da natureza. Entretanto, quantos debilóides são podres de ricos?

A base da riqueza é a venda. Quer queira ou não, tudo que vendemos é um produto que temos para oferecer. Mesmo quando em forma de força de trabalho. Daí, busquei na minha mente o que eu produzia e o que além disso eu poderia produzir.

Pra não demorar muito pensando, ficou claro para mim que meu produto são os livros que publiquei. É, podemos usar isso para discorrer sobre esse assunto. O próximo passo foi concluir que eu não era próspero materialmente porque eu não conseguia vender satisfatoriamente meus livros.

A indagação seguinte foi “e por que não”. Então, a resposta óbvia pairou na minha cabeça: “as pessoas que eu posso alcançar não compram livros”. E olha como fui cônscio e não disse para mim que elas não leem, pois, ler elas leem, mas, a maioria quer fazer isso de graça. Desde que as interessem, elas vão atrás de material literário.

Me veio aquela mensagem que a gente sempre vê em trabalhos de autoajuda, que menciona jogar semente em terra fértil. A paródia com meus livros seria disponibilizá-los onde há compradores de livros.

Não estou falando do óbvio, de ir parar os exemplares em prateleiras de livrarias. Simplesmente porque esse óbvio eu não estou entre os autores que podem contar com ele. Minha alternativa é eu fazer chegar ao leitor o meu trabalho, na raça. Em vez de um terreno fértil, eu precisarei adubá-lo.

O que se assemelharia a adubar a terra nesse caso? Seria chegar em um ambiente e educar aqueles que nele habitam a ler e a comprar o que for ler? Como fazê-lo?

Se eu conseguir achar essa fórmula terei eu uma inteligência acima da média. E inegavelmente esta será premiada com a prosperidade que andam me cobrando.

Na lavoura, as sementes seriam os livros, o adubo seria a estratégia publicitária. Talvez a terra seriam os compradores. Se ela já for fértil, não precisará de adubo.

Se tira disso uma lição empolgante: Meu faturamento estará garantido se eu lançar meus livros em um terreno fértil, onde ninguém necessita passar por uma estratégia de marketing para ser convencido a ler e a comprar o que for ler. Mas, caramba, que lugar seria esse?

Para alguém se destacar pela inteligência não deve ser só pela capacidade cognitiva, de raciocínio, de explanação. Deve ter um pacote. E dentro dele tem que estar “habilidade de efetuar relacionamentos”. De que adianta você ter muita inteligência e só se relacionar com quem a suga ou a inibe? Pessoas que te desmoralizam ou que não te faz exercitar seu precioso dom para te ajudar a extrair o máximo de seu potencial.

Pronto, provavelmente matei a charada. Seria eu caminhar ao lado do meu próprio leitor e consumidor. Contar histórias para ele que o deixe bastante empolgado, inspirado e imaginativo. E em seguida recomendar onde ele encontra mais delas. Não podendo deixar de dizer: “Se quiser trago amanhã mesmo para você um livro desse pra você comprar”.

É como o dono da padaria indo toda manhã, como quem não quer nada, na casa de seus fregueses e ouvir deles: “oh, que bom que você passou por aqui a esta hora, estamos nos preparando para o café da manhã, mas, não compramos ainda o pão, você tem aí para nos vender”.

Não. É diferente. O terreno do dono da padaria já é fértil, todos nós já temos o hábito de tomar café de manhã. O meu não, o meu tem que ser adubado. Pode ser que o sujeito abordado seja leitor, consumidor e tudo mais. Mas, ele deve ter um gênero literário que goste mais, um autor. Às vezes compra pela capa, pela crítica ou pela propaganda.

É difícil lutar contra a indústria, mas, adubar, quando é a alternativa, é mais certo de funcionar se se construir relacionamentos cativantes com clientes potenciais.

Todo mundo que escreve gosta de discorrer sobre assuntos que conhece. Procura conhecer bem, inclusive. Então, enquanto o escritor está no seu… raport, vamos dizer assim, ele procura entreter ou criar interesse em seu companheiro de ocasião quanto aos assuntos que domina. É criando familiarização com um objeto que um indivíduo o compra.

Logo, se você discorre com alguém sobre preparos gastronômicos de modo a levar essa pessoa a lamber os lábios imaginando o prato, ela vai querer saber mais sobre isso se você o ensinar onde é possível conseguí-lo. A resistência vai ser a de sempre: ter que pagar para degustar. De graça, até injeção na testa!

Eu estava brincando quanto a falar pro meu amigo e leitor logo de cara para ele comprar um livro meu. Eu posso dizer para ele ler lá no meu blog, onde é gratuito, mais a respeito do que discorri para ele e o fiz ficar interessado. Aí, sim, o meu blog pode ser um terreno fértil e germinado. Os frutos estarão nele à venda. Se eu conseguir que o meu relacionamento vá até meu blog, o resto é questão de layout das prateleiras.

E assim, creio que respondo a pergunta que não cansam de me fazer. É fazer crescer a inteligência que a prosperidade surge. A inteligência é um imã para o dinheiro.

Antes de partir

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Eu não li o livro do sociólogo, blogueiro e apresentador de TV Paulo Henrique Amorim, “O quarto poder: outras histórias“, por completo ainda, pelo simples fato de ser um livro bom demais pra eu ler assim com a pressa com que disponho. Mas, o pouco que li até agora me preparou horrores para sacar direitinho como a política mundial acontece sob a cortina de fumaça que a mídia bafora.

Eu às vezes pareço um louco alienado – inclusive pra mim mesmo -, tamanha é a minha dificuldade de acreditar que no hemisfério da imprensa corporativa – vulgo PIG – até a mais simples das notícias não tenha maquiagem alguma e nem qualquer ligação com um fato muito maior. Pra mim, o que não é o fato principal, é usado para tapá-lo ou enaltecê-lo. É o que será descartado enquanto o outro será esquecido.

Nesses últimos anos, em que me vi militando pelas esquerdas em busca de justiça social, pode ser que nas redes sociais os links que mais distribuí foram do blog “Conversa afiada”.

O termo PIG, sigla de Partido da Imprensa Golpista, criado por PHA, foi um dos que mais usei para qualificar veículos de comunicação e classificar articulações disfarçadas de reportagem.

Foi Paulo Henrique Amorim que me ensinou essas coisas. Não fomos apresentados, mas, ele foi por mim lido e visualizado através de seus vídeos com muita frequência. Guruzou-me, não nego!

Graças à pessoa benquista pela minha sede de saber que era esse jornalista, quanta informação secreta despachada por quem tinha credibilidade sairam da nomeação de hipótese vaga para mim e eu pude, inclusive, com bastante segurança, tecer algo da minha observação sobre elas e acertar a boa com curtidas de meus leitores?

Aquele arzinho crítico e sarcástico que PHA exalava em suas mídias de comunicação deixou de cabelo em pé não só o bispo bilionário dono da emissora de televisão onde trabalhava. Seus dedos vorazes por teclar denúncias de maneira que não dava pra não acreditar nelas – e muito menos não cobrar decência às autoridades – deveriam ser embalsamados agora que ele partiu devido a um maldito e fulminante infarte sofrido em casa no Rio de Janeiro, mesma cidade onde ele nasceu.

Eu não posso esquecer a grande exibição da crueldade humana que PHA cobriu em Ruanda, naquela primeira metade da década de 1990. As notícias póstumas sobre as manobras da esquerda para superar os militares nos anos precedentes da ditadura. O título de primeiro correspondente internacional da revista Veja.

Até mesmo suas confusões sucedidas de processos, ora por cutucar políticos e gente graúda de direita, ora de esquerda, serviram-me de inspiração e encorajamento para eu manter sem partido minha opinião. E melhor: As chacotas nos colegas desavisados: Como essa com a Sheerazade.

Tendo já tido desentendido gravemente com Lula, o acusado de ilegalidade e sendo posteriormente obrigado a se retratar, passou seus últimos anos com sua conversa afiada tentando tirar da prisão o ex-presidente da república esquisitamente feito prisioneiro. Tipo de atitude que me mostra o que devo chamar de compromisso com a justiça.

Eu quero aqui deixar minha solidariedade, meu reconhecimento de pessoa útil que foi e o meu adeus ao PHA do mundo material. Graças a seu pai espírita, PHA sabia que não se morre por completo. Sabia que ao morrermos um corpo etérico fica pelas redondezas dimensionais prestando suporte aos que ainda vivem. Que haverá sempre alguém que precisará de sua influência e que em a conseguindo receber o fará atuar neste mundo como se ainda estivesse nele. Como de fato estará nessas horas.

Pode esperar que eu necessitarei, amigo! E canalizarei suas emanações. Do modo que eu puder, seu trabalho continuarei. Simplesmente porque tem sido um dos que vinha me inspirando. É o meu trabalho também. E eu não posso parar por aqui. Esteja por perto. Mas, também descanse em paz!

Como transformar cem dias de governo desastroso em uma tremenda maravilha

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Tá de vomitar, perenemente, ouvir a imprensa mercenária noticiar, sob subsídio, que os cem primeiros dias de governo Jair Bolsonaro foram uma maravilha. E olha que a voz do povo é a voz de Deus e essa mesma imprensa teve que informar que o tal presidente teve o pior índice de avaliação de começo de governo desde que o regime civil entrou em cartaz no Brasil. Perdeu até pro Collor. “Volta, Collor“, dá vontade de gritar!

Mas, de certo ponto de vista dá pra pincelar o new fakenew da imprensa amiga do presidente e fazer com que o cenário pintado deixe de ser o “sem título” do Cy Twombly e passe a ser “A lagoa de lírios de água” do Monet. Mas, pra isso você precisa efetuar algumas operações.

Primeiro: só acompanhe os canais de mídia e imprensa corporativa. Dê preferência para assistir a TV Record e a Globo; ouvir a Jovem Pan; ler os estadões. Esses canais recebem do governo um cafezinho gordo para só publicar a favor do patrocinador. Espalhando simpatia em quem se submete aos materiais, enterrando nos pés-de-página o comprometedor ou sofismando a interpretação daquilo que não tiver jeito de ser melhorado porque é feio que só e não dá pra esconder.

Tipo as demissões de ministros e secretários que aconteceram com os BBB – Big Brothers do Bolsonaro, as denúncias de corrupção latente dentro do clã familiar e ministerial, o caráter duvidoso da família do presidente, as conexões com milicianos, as aprovações de leis agressivas à população, as estranhas viagens e relacionamentos diplomáticos, os discursos em público do presidente e de seus ministros. E o mais grave: os termos da Reforma da Previdência.

É bom ignorar tudo isso se quiser achar que tá tudo uma maravilha no país da bola, do samba e dos milicianos-gospel-neoliberais-latifundiários!

Nas redes sociais, principalmente no Facebook, Twitter e Instagram, bloqueie os amigos e contatos que postam contra o governo. Se não fizeres isto: já era! Ali não há qualquer censura e o alcance dos bafafás eletrônicos é astronômico.

E podem os Bolsonaro tirar as calças e pular em cima dando chilique, que mesmo sendo financiados pelo país-matriz dos veículos de rede social, não vão conseguir punir ninguém que postou algo que os deixaram irritados e nem tão pouco obrigar os sites a tirarem do ar as publicações ou frear a propagação.

Os sites também querem faturar e cada curtida e compartilhamento a mais é uma exposição de anúncio. E anúncio é anúncio. Quem se expõe a eles não quer saber ao que estão associados: se o produto ou serviço anunciado for bom, é corrida certa até o formulário de adesão.

Se você se expor às postagens desse pessoal irá cair na real e aí você não vai ter ‘cem dias maravilhosos’ como querem que você creia que foi esse trágico – em todos os sentidos –  primeiro trimestre de 2019.

Que, aliás, de manchetes verdadeiras só proporcionou tragédias pra imprensa corporativa noticiar. Talvez por isso tem sido fácil pra esta ofuscar os absurdos cometidos pela tragédia-mor, que é o governo do PSL.

Aliene-se – mais do que já é alienado – com o Futebol. Este ano você não precisa remeter sua atenção para a Europa para se cegar com os acontecimentos fúteis e lances bem bolados – sem trocadilhos – em bastidores para serem executados em campo em frente aos da arquibancada e aos de frente à TV.

Prepararam um super time para o Flamengo cegar o país todo, mas, tem também timaços e partidas de laboratório, com intuíto de dar repercussões de toda sorte, positivas e negativas, que atendem as torcidas em todos os estados.

Nessas condições, ninguém vai dar de mão de falar de futebol o tempo todo pra falar de política. Ainda mais que nessa cegueira toda, o país parecerá mesmo uma maravilha. Sáia do livro e vem pra cá, Alice! E traga o coelho!

Bem, aí está a fórmula. Muitos já estão vivendo ela desde o dia 1º de janeiro. Dia da Posse. Como por exemplo, esses que fazem parte dos 41% que aprovam a Reforma da Previdência, conforme noticiou a TV Globo.

Agora, como resolver a miséria com que se enxergará a população brasileira depois dos outros 1360 dias, a gente – nós das esquerdas – tentaremos encontrar uma fórmula.

Confesso que só mantendo os olhos abertos não está sendo o suficiente. Vamos ver como vai ser! Quem sabe numa dessas tragédias que a gente tá vendo acontecer todo dia apareça uma com um avião repleto de parlamentares… e empresários… e banqueiros… e gringos… Que só desapareça, não precisa mais do que isso!

Leia o livro “Os meninos da Rua Albatroz“.

AG265 – Preferencial

Estava eu, saído de uma busca desenfreada, sentado no hall de entrada de uma policlinica de saúde, à espera de ser chamado. Eu tinha em mãos a senha AG274-normal.

Minha intenção era consultar-me com um psiquiatra. A subtração de direitos do trabalhador promovida pelo ilegítimo Governo Temer tem blindado a exploração dos patrões e o meu estava talhando meu sangue na esperança de eu pedir conta ou dar a ele motivos para me aplicar uma demissão por justa causa. Me colocava pra trabalhar dobrado, me trocava de horário ao seu bel prazer, não aumentava o meu salário e não me dava férias. A última me dada passara do prazo mas, até então não me pagara a multa. Impediram minha solicitação de rescisão indireta com ajuda do Ministério do Trabalho e tudo. É o reflexo do quão abandonado está o trabalhador depois que conseguiram tirar o PT da reta e baixaram a guarda do povo.

No monitor de vídeo da sala de espera a senha AG265-preferencial era exibida. Uma voz digital reforçava a busca da atenção da dona da senha. AG265-preferencial não me pareceu idosa. Vai ver era atendimento prioritário por outro motivo.

Torci para que não fosse outro do caso que presenciei outro dia em uma cabina do BRT. Um homem, enaltecendo Jair Bolsonaro, se passava por prioritário numa fila do tipo. Na fila dos “normais”, a gente cansada da labuta teve que vê-lo entrar na frente dela dentro do ônibus. Sem entender o motivo de ter que permitir a isenção de ter o aparentemente saudável homem balzaquiano que enfrentar a enorme fila que os demais enfrentavam.

Eu sei que em plenos dias que antecedem a eleição presidencial de 2018 eu posso ser taxado de estar tentando jogar minha parca audiência contra certo presidenciável e com isso fazê-lo amargar uma estrondosa derrota. Por isso, amenizo registrando que o truque de se prostrar fazendo algo abominável enquanto se enaltece algo ou alguém, a fim de criar no imaginário de quem observa uma associação negativa ao alvo, é puro marketing de guerrilha político. Tem gente que paga por esses cenões. A TV Globo não põe você pra odiar os elementos da Esquerda brasileira sem ela ganhar nada não. Se trata exatamente dessa tática o que se vê todo dia na programação da emissora. Dos telejornais às telenovelas.

Mas, voltando à AG265-preferencial, eu a via em pé em seu trato com a atendente. E como havia certa demora procurei me entreter com alguma coisa pra diminuir a espera. Nisso me veio à mente que a senha dela pudesse significar alguma coisa, de repente fosse uma mensagem subliminar. Marretei, marretei e nada veio me acalentar a persistência. AG265-preferencial saiu da conversa com a balconista e estranhamente voltou a ocupar uma das cadeiras do hall, quando deveria ter se dirigido para um dos andares superiores.

E no que ela sentou, pegou seu celular e foi verificar o que acontecia em seu perfil do Whatsapp. Deslizou o dedo na tela do aparelho, bem dentro da interface do aplicativo, e a música “Eu te amo meu Brasil” na versão dos Incríveis tocou em alto som até que ela paulatinamente ajustou o volume para si. E enquanto observava o que deveria ser um audiovisual, esboçava um sorriso de quem estava muito entusiasmada com o que visualizava.

Impossível não fazer associação ao Regime Militar. E lá veio o Bolsonaro aparecer de novo na minha mente. Dessa vez só nela. Eu sabia que o “AG” da senha significava “agendamento”, mas, busquei outras interpretações, se possível que me fizesse conectar a sigla ao político em questão.

Encuquei bastante, até que cheguei ao termo “Arma Garantida”. Uma das propostas do Bolsonaro é armar o brasileiro. Se bem que o que ele quer fazer mesmo com essas armas é apontá-las para o PT. É a obssessão dele acabar com esse partido. Chega a ser seu objeto de campanha. Mas, onde aparecia a sigla do PT na senha?

A numerologia me fez chegar ao número do partido, 13, somando-se os algarismos que apareciam no código. 2 + 6 + 5. Aí, ficou assim: “Arma garantida para o PT é preferencial“.

Bingo! Fiquei feliz com a minha astúcia. Até que a voz digital sincronizada com a imagem na tela do monitor de vídeo chamou o dono da senha AG274-normal. Levantei, finalmente, me dirigi à atendente. Porém, dei antes uma pausa. Olhei pra cima meio encasquetado, tentando decifrar o código por trás da identificação que me dava a vez de ser atendido. AG274-normal podia ser “Arma garantida para o PT é normal“. Torci, então, para que o psiquiatra tivesse vaga para consulta por aquela hora.

Amor de jóquei

Deixado o partidor havia alguns segundos, velozmente urrava um cavalo na pista de um hipódromo. Quando juntava com uma só mão as rédeas e esticava o braço livre o jóquei, o reio de couro cru descia, batia no dorso do animal e subia impiedosamente. Tamanha era a ânsia do pequeno homem trajando farda branca e capacete, montado em um selim e equilibrado com os pés em estribos, ambos acessórios arranjados sobre a cacunda do equino. Inclinado e com o rosto junto ao pescoço do animal, as esporas das botas do homenzinho cutucavam as virilhas do bicho a fim de aumentar a velocidade de seu galope pelos duzentos metros da pista circular.

Determinado a no páreo superar os outros cavaleiros e chegar ao final do turfe na condição de ocupar o ponto mais alto do pódio, o jóquei alimentava em vez de garra uma expressão de ódio, delineada pelos olhos fixos na crina à sua frente, pretendendo enxergar logo a reta final. Qual posição de chegada facultaria uma premiação que se adviesse fadaria ao esportista viver a desejada vida de estrelato. Por isso não importava para ele se quanto mais veloz o ginete corria, mais na alma lhe doía.

50, 60, 70 quilômetros por hora a arrastar 450 quilos de carcaça e mais o peso do homem em seu lombo e o restante em acessórios, a obediência do cavalo se explicava pela sua inferioridade dada pela sua qualidade de ser vivo irracional. A sofreguidão lhe era insensível devido à alta taxa de adrenalina jorrada em seu sangue ao ritmo de 200 batimentos cardíacos. Sequer o condutor tinha tempo para observar a carga hormonal que o corcel herdava sem pedir. Senhorio e escravo alinhavam-se em busca da vitória que traria glórias ao primeiro e alívio ao outro. Cifras prodigiosas para os apostadores de trifetas, quadrifetas, exata e apostas de outros mercados.

Nessa história de sucesso, tendo tomado ciência de que sequer seria necessário tira-teima, pois a eficácia de seu puro-sangue inglês minara a disputa cabeça a cabeça ao atravessar a linha de chegada, a alegria tomara conta do homenzinho em cima do cavalo. Um amor enorme por seu puro-sangue lhe embriagou. No ponto onde foi possível ele freou seu campeão. Desceu da sela e abraçou agradecio o bicho pelo pescoço, colando cabeça de um na testa do outro.

As mesmas mãos que até pouco tempo açoitavam o animal, a ponto de lhe arrancar gotas de sangue no flanco, agora afagavam, acariciavam desprovidas do chicote. Emanavam ambos uma energia intensa e contagiante, que o cavalo só queria saber de absorver e o humano de doar o quanto fosse possível. Os animais reconhecem as energias que os humanos emanam muito mais do que seus atos. E o que trás alívio e prazer eles não dispensam. É a única forma funcional do perdão, o perdão natural.

Pena que essa devoção e gratidão não durará muito. O destino de um será gastar milhões em dinheiro durante os tempos de glória e o do outro servir ao espetáculo do turfe somente enquanto fosse útil. Não mais servil, incapaz de proporcionar milhões ao seu proprietário, se este não se prostrar tão insensível ao ponto de dar o destino do sacrifício em um matadouro ao seu potro, este poderá puxar carroça para algum transportador anacrônico ou esperará em algum estábulo-orfanato por alguém que lhe queira como companhia pelos dias restantes de sua vida. Quaisquer desses tutores lhe dará certamente muito mais amor.

Jamais se aproxime de uma cabra pela frente, de um cavalo por trás ou de um idiota por qualquer dos lados.”
(Provérbio Judeu)

Reflexões como esta você encontra entre as crônicas do livro “Todo o mundo quer me amar“. Adquira!

Para sempre mulas de burguês

Se tem uma coisa que me indigna é observar nas ruas e em outros locais públicos e privados o povão fazendo virar verdade aquilo que através da mídia preconizam. O mundo pensado para o pobre pelos burgueses.

Eu me lembro de quando estreou a telenovela “Escrava Isaura” na TV Globo. Era o ano de 1976. Havia um programa de auditório aos domingos, provavelmente com o Moacyr Franco, e nele foi apresentado o elenco. Todos esperavam a aparição da atriz que ia fazer o papel principal, esperavam que fosse uma mulher negra. Minha primeira e incompreensível surpresa estava aí.

Depois vieram os capítulos da telenovela. Rapidamente, Lucélia Santos virou uma espécie de namoradinha do Brasil. Branquinha, suave, meiga, angelical. A inocência em pessoa. Era assim que a atriz era vista no meio em que eu circulava.

Uns dois anos mais tarde, na TV Tupi começou a passar uma sessão de pornochanchada brasileira chamada “Sala especial”. Audiência garantida na sala de estar das casas da rua onde eu morava. Os garotos, saindo dos treze anos de idade, viraram notívagos. Persistiam acordados até as onze horas da noite para verem, escondidos dos pais e irmãos mais velhos, peitos, nádegas e pentelhos das principais atrizes que atuavam no Brasil. Muitas delas eram estrangeiras, diga-se de passagem.

E numa das noites em que eu bravamente resisti ao sono tentador de sexta-feira, vi um filme em que Lucélia aparecia semi-nua. Uma cena em que jovens dentro de uma mansão se divertiam em uma piscina.

Para mim foi um choque. Nunca pensei que aquela pessoa meiga e angelical que conheci sofrendo nas mãos de um senhor feudal fosse capaz de tamanha exposição em película, tamanha indecência. Abalou-me profundamente, sem eu entender direito o porquê. Tipo: tirou-me a paixão ou a confiança em quem eu de repente sonhava um dia conhecer alguém parecido e findar um grande e inabalável romance.

No sábado seguinte, meus amigos todos comentaram a cena. A maioria era da minha idade, mas, parecia mais informada do que eu. Mesmo todos nós frequentando os mesmos antros. Tendo aquelas dificuldades que naqueles tempos militares havia e que narrei minuciosamente no livro “Os meninos da Rua Albatroz“. Um dos mais espertos deles, que recebia informação boa de seus irmãos já maiores, associou a libertinagem que me chocou à coisa corriqueira do meio artístico.

E tudo aquilo que nos metia medo e que vivíamos a evitar trafegar no caminho foi também associado. Drogas, orgias, satanismo, obscenidade, tatuagem, anarquismo – se fazendo passar por comunista por puro modismo -, homossexualismo. Tudo isso virou coisa de artista. E nesse momento, meu respeito e admiração por qualquer artista se extinguiu. E abruptamente me vi obrigado a amadurecer. Sinceramente digo: o mundo sem a minha inocência ficara pior.

Mas, eu fiquei mais observador. E notava que a classe artística, olhando não só pela estirpe dos membros, mas, também para o histórico pessoal, genealogia e etc., era majoritariamente formada por burgueses – filhos de magnatas, gente de berço – ou pelos amigos que eles selecionavam para poder estar até certo limite entre eles – os mulas nobres. Já naquela época, burguês era gente que nunca ia ter problema com nada e que podia fazer o que quisesse, mesmo havendo suposta censura, pois seus pais ou padrinhos estavam por trás dos generais.

Ou seja: gente como eu e meus colegas jamais seria como eles. Por mais que a gente os devotasse. Jamais passaríamos de contribuintes. Compradores de revistas masculinas, pagadores de bilhetes para ver filmes no cinema, audiência da programação das madrugadas da televisão.

Em pouco tempo isso foi nos cansando, nos esfregando verdades na cara e nos fazendo nos sentir impotentes, medíocres, os paga-pra-ver os outros desfilarem suas vidas de pessoa de sucesso. Isso nos indignava ao mesmo tempo que punks gritavam pra gente ouvir “do it yourself“. A gente até procurou aprender a ler inglês. Isso os burgueses não queriam que a gente aprendesse, mas, estávamos rebelando, não?

E a partir daí, a minha turma da infância e adolescência, não só os meninos, passou a buscar mais a fazer a sua história e a ver menos TV e ler menos revistas.

Creio que essa real bateu em grande parte dos jovens que sofreram essa espécie de epifania em todo território nacional. E isso deve ter sido percebido por aqueles que simplesmente administravam a população. Foi aí que começaram a trazer para o nosso mundo o admirável mundo deles. O cotidiano do pobre passou a ser o espelho do do rico.

O primeiro lixo do meio bem abastado de dinheiro que jogaram pra gente engolir foram as drogas. Maconha e cocaína o de praxe. Mas, naquele primeiro momento era possível eu ver perto de mim alguém portar LSD. Ou seja: A droga chegou ao pobre por uma necessidade dos ricos. E é mantida até hoje por causa disso. Eu sei, eles falam que combatem e que estão preocupados com a violência e com a nossa saúde! Por um lado saiu do controle deles e há gente pobre ganhando o dinheiro que eles pensam que deveria ser deles e houve quem despertasse mentes cantando “Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês“.

Depois veio o resto da cultura deles e hoje a gente nem consegue saber o que é fenômeno oriundo do meio miserável e obediente e o que é produto de viabilização mercadológica promovida por burgueses. O grande exemplo dessa dúvida que vemos hoje em dia é a cultura inerente ao mundo do funk. Você não acha que esses MCs têm inteligência suficiente para sozinhos, sem qualquer mãozinha branca interessada de burguês, serem capazes de fazer um movimento massivo acontecer, chegar à televisão, influenciar a baderna em massa como influencia, acha? Falamos sobre isso em outra postagem, com mais detalhes para você refletir se sim ou se não.

E o que carcome a sociedade atualmente chamam de cultura de massa em vez de cultura massificada. Afinal, foi isso que aconteceu: artificialmente massificaram a cultura que os interessavam, que dá lucro e mantém as coisas no lugar, com rico mandando em pobre. Mandam até em quem a gente deve votar. É bem capaz de um Geraldo Alckimin ganhar essa eleição presidencial que vem aí só por causa dessa herança maldita. Já estão articulando pra isso.

Você que leu o livro “Os meninos da Rua Albatroz” deve ter sentido que este texto resume bem o que é discutido no livro. E dá o clima também!

Escolha o que te influencia

Com algumas observações se constata que é verdade que as pessoas com as quais nos relacionamos podem, de alguma maneira, influenciar nossos hábitos e decisões. Por isso é bom procurarmos estar a nos relacionar com pessoas vitoriosas, cultas, que possuem boa conversa, que passam otimismo e motivação para o sucesso, que sejam bem-sucedidas.

Se você é uma pessoa assim, venha para perto de mim e me influencie à vontade.

Agora, não é sempre que podemos contar com gente desses naipes ao nosso redor. Há alguns truques como ir ao encontro delas; frequentar os ambientes que elas frequentam e neles procurar pelo menos estar em pontos onde é possível observá-las.

E quando a impossibilidade disso se fizer, nem tudo está perdido, pois, existem os livros. Criar o hábito de ler e escolher obras de autores consagrados para devorá-las em leitura e se deixar influenciar pelo que elas incitam equivale a estar próximo deles a receber suas influências.

A mídia livro é ampla no quesito influenciar. Você pode deixar se seduzir por um autor ou por uma história, mas, também pode fazer o mesmo com um gênero literário. Se você quer se tornar um ótimo administrador de empresas, então, deixe-se influenciar por livros do gênero. E segue o mesmo para os tantos outros que existem.

As vezes, somos influenciados por personagens que encontramos pelas histórias a fora. Fictícios ou tirados de alguma biografia. Nesse caso, o poder pessoal do autor nem importa. Quanto mais carismática a personagem, mais desenvolvimento pra quem lê.

Adquira o livro “Todo o mundo quer me amar” e se deixe influenciar pelas tantas personagens bem magnéticas que há no romance em forma de crônicas.

As limitações de Deus

Achava Ele que o BRT que ia direto para a estação-terminal de ônibus onde ele descia era mais cômodo de pegar, pois, não aconteciam nas estações intermediárias a entrada de vendedores que se prostram de frente para os passageiros no corredor e dizem ladainhas em nome de Deus em vez de vender logo seus doces e salgados ou outros babilaques para a audiência. Tipo de aborrecimento que o capitalismo em crise oferece para quem não se deu bem com o regime e precisa usar ônibus.

Porém, alguns desses importunadores de passageiros viram melhor oportunidade em marcar presença no Direto. E lá ia para a quinta vez consecutiva que Ele usava a tal linha para ir para casa, cansado do trabalho, tendo o sossêgo interrompido por sujeitos que fazem de igreja evangélica os corredores de ônibus para extorquir dos passageiros uma contribuição monetária em troca de um bem temporário, pronunciando, irritantemente, a palavra “pessoal” e a frase “amém, pessoal” à cada fim de sentença.

E o homemzinho da vez, após entregar de banco em banco seu produto para aqueles que se dignam a pegar, pôs a pronunciar seu pretenso texto comotivo decorado mantendo expectativa de arrancar trocados forçados dos clientes.

“Pessoal, sou da casa de recuperação blá blá blá; não temos ajuda do Governo, nem do Estado e nem de empresários; pedimos que colaborem com a obra de Deus para tirarmos pessoas da droga e do álcool; a casa de recuperação foi primeiramente construída por Deus, depois é que foi pelo homem” e outras vozerias dos infernos.

Consta que Ele, averso ao capitalismo selvagem que vivemos, dessa vez não aguentou. Saiu do sério e resolveu levantar questionamentos para ver se o homenzinho, que se dizia ex-drogado, salvo por Deus e pela tal casa de recuperação, se tocava e passasse a só apresentar seu produto, falar o preço e deixar que as pessoas decidam se querem ou não colaborar.

“Moço, não são atributos de Deus ser onipotente, único criador, onisciente, onipresente e bondoso”. Perguntou, Ele, para o rapazinho. E o moço respondeu: “Sim, meu jovem, está em Gênesis blá:blá:blá os atributos de Deus”.

“Mas, se Deus é onipotente e essa obra é dele, pra que ele precisa que nós o ajudemos ou o Governo ou a iniciativa privada”. O rapaz imaginou “lá vem pedreira” e respondeu: “Há muitos perdidos do rebanho devido às trevas das drogas e do àlcool, meu jovem, precisam de um lugar onde possam reencontrar o caminho da luz; Deus fez essa casa para abrigá-los e receberem tratamento.”.

“Ué, mas quem criou tudo não foi Deus”,”Por que ele criou a droga, deixou algumas pessoas entrarem nela, fugir do rebanho e ter que entrar em casa de recuperação para se tratar”. Encurralou mais um pouquinho o questionador. E o vendedor ambulante: “Deus criou as coisas boas, senhor”.

“Ué, mas, Deus não é único”, “Se ele não criou as coisas ruins, então, existe outro criador”. Mais ataque sofreu o missionário. “Não, senhor, o diabo apenas engana as pessoas fracas e as fazem cair em perdição”, “logo elas precisam ser recuperadas”. Rebateu mais uma vez o suposto ex-drogado, terminando a frase com um “Amém, pessoal” pra ver se recrutava apoio ou se parava o interrogatório com a distração que provocaria a resposta coletiva que não houve.

“Ah, mas… se Deus é onisciente, ou seja: sabe de tudo, como o diabo consegue enganar até ele, distraí-lo e ir corromper seus servos”. À essa provocação, a resposta que o inquiridor obteve foi: “O diabo é ardiloso, aproveita do caminho por onde anda aquele que ele tenta”, “devemos evitar certas andanças para não sermos capturados pelo tinhoso”.

“Como assim, Deus não é onipresente”, “Onde ele está quando isso acontece”. Já “P” da vida, o emissário da casa de recuperação respondeu: “O Diabo não engana Deus, Deus permite que ele faça suas maldades, mas, ele no final sempre é derrotado”. E pronunciou em tom perguntativo um “Glória, irmãos”. Que novamente ficou sem resposta. E lá veio outro questionamento.

“Mas, Deus não é bondoso”, “Por que motivo ele deixa o Diabo enganar os servos do seu rebanho”. Ficou para aquele público, com essa questão, a perfeita explicação da razão de viver-se um capitalismo selvagem, no qual os negócios precisam que as demandas sejam fabricadas e uma série de instituições que deviam zelar para que haja legalidade, como o Governo, fazem vistas grossas para que o consumo – combustível do capitalismo – apareça.

No caso, as casas de recuperação e até mesmo a indústria médico-química-farmacêutica, precisam que haja doentes para provê-los de consumidores; o narcotráfico e a indústria de bebidas alcoólicas entrariam como contribuintes para gerar essa demanda e se beneficiariam do lucro que o consumo do alcoólatra e do drogado geram; várias outras indústrias e comércios se beneficiariam com a forma que o viciado se vale para arrumar dinheiro (roubo de celular, por exemplo, faz a vítima comprar outro aparelho: ganha a fábrica de celular e outros empreendimentos); instituições como o Judiciário e as polícias fingiriam de bobo para que esse pessoal pudesse roubar em paz; nesse meio se vê também geração de emprego, a maioria informal; o Governo – que só mama nas tetas de todos nesse nicho – fatura com arrecadação de impostos, cuja maior parte é sonegada, mas, aparecem tributos suficientes para sustentar de bolso cheio a máquina administrativa e políticos. E nisso a engrenagem roda. Preciso falar das igrejas ou da Religião?

E o filho-de-Deus esgotou-se: “Tá bom, cara, se você não quer comprar o que eu trouxe para vender, também não atrapalhe”.

E ficou assim:

“Tenho o meu sôssego atrapalhado e isso pode, não é mesmo”, “Mas, não vou atrapalhar mais o seu marketing para vender produto imprestável e de procedência duvidosa, mas, vou deixar meu último questionamento para esse povo refletir e parar de dar essas esmolas para vocês e providenciar, com o desinteresse de vocês de virem esmolar no ônibus, para que nossas viagens sejam tranquilas: Por que quem mais define Deus com atributos infinitos é quem mais o põe em situação de limitação“.