Borboletas e bruxas

Ainda no capítulo 2 do livro “Os meninos da Rua Albatroz”, o garoto Tôim, ao saber que seus pais venderam a casa onde morava e que em breve iriam todos migrar para outro local, decide se despedir de tudo que fazia parte de sua rotina. E entre suas despedidas estava caçar borboletas e bruxas, das tantas que apareciam nos quintais naqueles idos, as quais hoje em dia, com a urbanidade, abandonaram a região e não se vê mais como era visto. É possível que essa urbanidade tenha feito desaparecer algumas espécies. Eram muitas as que existiam em Belo Horizonte, Minas Gerais, e ajudavam a tornar os ambientes mais vivos, ricos e com ar de haver prosperidade para todos. O progresso não se importa com os seres humanos, quanto mais com a participação que os insetos possam ter na vida destes. Coisa que só uma criança é capaz de perceber.

borboletas

Ordem e progresso

Um registro importante deixado na narração do primeiro capítulo do livro “Os meninos da Rua Albatroz” é o fato de nos tempos do Governo Militar, pelo menos em Belo Horizonte as pessoas, por pressão do regime, comportarem-se de maneira a não ser confundidas com marginais procurados pela Polícia. Por essa razão não era comum encontrar andarilhos ao léu em áreas residenciais, ocupando as ruas sem ser morador delas, convidado de um morador, vendedor ou trabalhador em alguma das residências. E, ainda que nessa situação de andar por uma via sem ser um real utilizador, para não ser importunado por ninguém e ter restringido o direito de ir e vir, ninguém andava em público descamisado, vestido de maneira repugnante ou conduzindo na mão objetos intimidadores, como um pedaço de pau. Estando nessas condições era chamar para si abordagem policial. Também não era comum grupos de pessoas, mesmo que moradores da localidade, sentarem-se junto as esquinas para bater papo em horários noturnos.

Essa mesma preocupação é retratada em um capítulo do livro “Contos de Verão: A casa da fantasia” e não se trata de fazer apologia, mas para garantir a tranquilidade de moradores e transeuntes nas regiões, o que traz ordem e progresso, o modelo de contenção apresentado vale um crédito para o regime militar. Durante todo o livro, enquanto o conto se desenrola, são registrados prós e contras dos “generais”, de seus adversários e também da sociedade em geral.