Conhecer a si mesmo: a única forma de ser livre

Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses” (Sócrates)

Algo daquilo que a Ciência ensina que todos nós deveríamos saber a respeito é sobre o Efeito Tunelamento. Pode ser que esse conhecimento sirva de inspiração para entender a si mesmo. E entender a si mesmo é crucial para se libertar das amarras do Sistema e gozar de existência satisfatória, o que é, para muitos, o único motivo de qualquer um de nós, seres vivos, termos vindo à Terra.

O Efeito Tunelamento é algo que poderia ser explicado com o ditado “água mole e pedra dura tanto bate até que fura“. Um exemplo clássico deste efeito é o que mostra uma esfera tentando transpor uma barreira.

Fonte da imagem: Wikipédia

A energia potencial da barreira – energia de resistência ou de formação do corpo sólido – é maior do que a da esfera somada à energia cinética – energia de movimento – empregada pela mesma na tentativa de transposição. Nessas condições, a esfera bate na barreira e volta.

No entanto, para a Física Quântica, para tudo há uma probabilidade de acontecimento. Em algum momento, dada a condição específica, a esfera consegue transpor a barreira e alcançar o outro lado.

A Física Quântica diz que o observador consegue determinar sua observação. É o que seria o desejo de ver uma coisa realizada. E quando a coisa se concretiza, então, seria o desejo do observador o proporcionador das condições necessárias para que a probabilidade seja dada como realizada.

Logo, com o desejo alteramos as leis mais constantes do Universo. Não que esteja errado que essas leis sejam constantes, mas, sim, que a observação combinada com o desejo pode alterá-las, quem sabe complementá-las ou até mesmo criar leis instantâneas, de duração conforme a conveniência de terem sido criadas, e com o auxílio delas realizar milagres, uma vez que milagre é quando o impossível se torna possível. Só dá pra dizer que não seriam invioláveis essas leis, como a Física newtoniana acredita que sejam.

A realidade que percebemos é só parte do que é totalmente a realidade. À medida que aguçamos os sentidos, que criamos foco e mantemos atenção mais afiada ao que observamos, notamos (ou interpretamos) mais detalhes que estão disponíveis para serem notados.

E porque não desenvolvemos o interesse de observar mais potencialmente o horizonte ou porque não temos conhecimento de que a realidade é bem maior do que o que captamos dela, passa despercebido cenas agradáveis para nos desfrutarmos delas, como cores de matiz desconhecida, ou até mesmo oportunidades de atuação mais intensa e desejável na existência, colhendo beneficências e gozando de maior prosperidade.

Estima-se que haja em torno de 40 bilhões de bits de informações acontecendo em nossa volta e nós processamos apenas 40 milhões disso – é uma diferença gritante. É como se não estivéssemos percebendo a maioria das coisas que estão acontecendo à nossa frente.

Não precisamos processar tudo do que está ao redor, é claro, e talvez processemos o necessário, mas, não é difícil imaginar que quanto mais processarmos, mais felizes e prósperos seremos. E processar além do que se processa pode ser que seja algo que se faça espontaneamente, coisa que se escolha fazer.

Os visionários ou os gênios são classificados assim, talvez, porque fazem isso, processam a realidade mais do que o ser humano padrão processa. Quer façam espontaneamente, por dedicação, a partir do momento que tomam conhecimento sobre a verdade de se ter a opção de fazê-lo; quer façam por pura intuição ou por sua natureza de ser, condição em que se enquadram gente como os sensitivos, os médiuns, os monges, os filósofos.

Isso faz pensar que essa percepção maior é própria de quem se liberta ou abdica de viver como vive a coletividade, cujo cotidiano é cheio de afazeres fúteis e ou desnecessários, que competem, esses afazeres, com a escolha de se atentar plenamente ao tempo presente e desfrutar o máximo da realidade observada, recorrendo mais ao que observam os olhos – por assim dizer – do que a mente, abrindo mão, até, do uso da imaginação, vivendo mais a própria história.

Um acontecimento que nos envolve, necessariamente exige nossa presença como o ou um dos protagonistas. De modo que ao dizermos quem somos, devemos incluir o acontecimento. Assim pensando, chegamos ao axioma: “Eu sou o que acontece comigo“. Se estou em um momento de puro lazer, eu sou a entidade que desfruta desse momento e também sou todas as coisas que estão sendo desfrutadas. Elas só existem para que exista também o meu momento. Concluo, então, que elas existem para que eu exista.

E, por conseguinte, o sentimento, as sensações que produzo internamente em meu ser, que é o que me forma ou o que forma a minha percepção de mim mesmo em cada momento que vivo – um cara sentindo certo sentimento – e idem a percepção dos que me veem, também irá fazer parte da descrição de mim quando eu descrever para mim ou para outrem o que sou. Como disse o filósofo indiano Jiddu Krishnamurti: “Eu sou o observador e as coisas que observo“. Concorda esta máxima com o que diz a Oração de San Germano.

E isso antes de você se identificar como um alguém, um nome, uma filiação, uma ideologia, etnia ou nação. Como ensinava em seu exercício espiritual o escritor e conferencista norte-americano, falecido em 1964, Joel Goldsmith: “Você não é o seu corpo“.

Você não está no seu corpo; não está em suas mãos, suas mãos são suas; não está no seu coração, seu coração é seu; não está na sua mente, sua mente é um instrumento seu para lidar com o mundo. Você é um autômato. Um ser divino te controla. Toda a sua inteligência vem dele. Ele é que é o Ser, você é um Não-Ser. Você é o Não-Ser que com suas atitudes molda o Ser que te molda. Você é as ações dele. É ele em ação, que de outra dimensão experimenta o mundo material usando você como invólucro.

Você é um espírito que possui um corpo físico e não o contrário. Até mesmo ficar rico ou arranjar um grande emprego para que seu corpo físico possa gozar satisfatoriamente da existência, que é o motivo de seu corpo espiritual te manter vivo, é função dele. E ele sabe como fazer isso, pois, de tudo no mundo material é onisciente e tem todas as respostas. Basta, no entanto, que você se aproxime mais da sua essência espiritual. Pra isso, é necessário que você aumente a cota da realidade que você percebe, que você aumente sua vibração.

Tudo que sabemos ou tudo que usufruindo do que sabemos, geralmente para tocar nossos afazeres diários e funcionar para a sociedade e, de acordo com os dogmas auferidos, para cuidar da própria manutenção e da dos que tutelamos, além de se dar a satisfação necessária para continuar existindo, deslancham as mesmas combinações na rede neural que o cérebro controla.

As mesmas sinapses cerebrais realizamos diariamente. De modo que não aprendemos coisas novas dessa forma. Ficamos presos em um conjunto de sinapses que são o que delineiam o cotidiano que vivemos. Para fazermos coisas diferentes, precisamos realizar novas combinações de neurônios nessa rede.

Ainda não se sabe qual o limite de combinações que o cérebro é capaz de criar. No entanto, o que se descortina com o uso de drogas como o LSD ou da tecnologia de aumento da realidade (Realidade Aumentada), considerando essa perspectiva, tendo como ponto de partida o sentido da visão, poderia ser descortinado à olho nu.

O Sistema, ou seja: o controlador da sociedade, tenta o mais possível, e remotamente, é claro, manter-nos presos ao limite de combinações neurais que realizamos. É o mesmo que nos manter presos ao que aprendemos ao longo da própria história. Um limite – ou um aprendizado – que se pode pensar ter sido imposto pelo Sistema através de seus auxiliares de modelagem, que modelam seres humanos. Temos entre eles várias instituições: a Família, as escolas, as igrejas, a Mídia, as corporações, os clubes de futebol. Só para citar alguns.

Quem consegue se libertar, quem consegue sair das garras do Sistema, é que consegue atingir níveis de percepção da realidade bastante profundos. Infelizmente isto tem que acontecer primeiro e como é bastante eficiente o cerco do Sistema, é fato dizer que seja imperativo ter sorte.

Pessoas que atingem tais níveis de percepção se tornariam independentes, livres. Se antes disso experimentavam privações e controle de sua vida por terceiros, passariam a experimentar prosperidade em tudo que se predispuserem a fazer.

O Sistema consegue detectar essas pessoas e acaba entrando em contato com elas. Se não as consegue eliminar sem ter que fazer convites, as convidam para compartilhar do fatiamento do bolo do poder, integrando o topo das castas, onde estão os controladores do Sistema, geralmente grandes empresários, mas há também entre eles eclesiastas, militares, grandes profissionais liberais.

O Sistema quer que você limite seu cérebro. Que você faça todo dia as mesmas coisas, que pense sempre do mesmo jeito, que se lance sempre às mesmas atividades, tome as mesmas atitudes. É desejável para o sistema que você esteja sempre em conflito, embebido de preocupações, principalmente as financeiras, e alimentando-se de coisas negativas.

O Sistema te deu a TV para que você se mantenha na frente dela recebendo mensagens banais, desimportantes, alienantes ou constituindo negatividades, repúdios, indignações ou euforia. São essas as emoções que ajudam a limitar sua capacidade de usar seu próprio corpo para tocar sua vida.

Emoções que competem com esse cerco e te transformam em um super ser humano, livre e altamente subsistente, como o amor e o perdão, o Sistema tenta de todo jeito evitar que você valorize ou até mesmo que experimente de fato. Quantos não pensam ser amor ou perdão emoções – geralmente carência, piedade ou resignação – ensinadas por agentes do Sistema, como os líderes religiosos, como a ser uma dessas duas grandes emoções libertadoras?

O mais atual instrumento de controle social que o Sistema nos deu é o telefone celular. O Sistema quer que você fique atento à ele, abduzido, o maior tempo possível de seu dia. De preferência colocando ou lendo postagens em redes sociais da internet, outros dos aparelhos de controle que o Sistema possui à disposição.

Há um movimento circulando em pró de levar ao maior contingente possível de humanos as informações que neste texto são passadas. Os que compõem o movimento são, digamos, seres iluminados, que atingiram o nível de percepção da realidade discutido aqui, e que não se renderam às abordagens do Sistema para fazer parte da elite dominante e negar ao resto da humanidade o conhecimento que têm.

A questão é que só se consegue, de fato, passar tais informações, certificando-se de que estão pelo menos sendo recebidas, através do tet-a-tet, ou seja: contato pessoal, de boca a ouvido. Quaisquer organismo de imprensa, rede social, blogs ou sites na internet tentando passá-las sofre censura velada e o alcance de atenção não acontece.

Isso desencoraja a crença de que esse conhecimento é válido e que qualquer indivíduo a portá-lo poderia realmente controlar sua própria realidade e viver vida feliz ou realmente feliz. Mas, nadar contra a corrente é preciso. E é por isso que aqui tento fazer a minha parte junto àqueles com quem não tenho a oportunidade de me reunir pessoalmente.

Uma hora a gente se encontra e de boca a ouvido colocamos o Sistema em xeque!

Está ao alcance do político corromper e não impedir corrupção

Tenho às vezes vontade de expor minhas ideias, mas, dá trabalho coordenar, produzir material para apresentá-las, publicar, divulgar e ao final de tudo isso não ter nenhum retorno, por isso tem hora que deixo de fazer.

IMAGEM: Google search

Sei que mesmo quando produzo material discorrendo sobre saúde, o que exponho não interessa aos condutores do Sistema que seja conhecido e principalmente que seja absorvido, por isso existem as campanhas contra a visualização e consumo do que produzo. Ainda mais que só posso contar com veículos do Sistema para eu me comunicar.

Mas, tem hora que a gente insiste e produz. É este texto um caso desses.

Dou altas risadas quando ouço alguém dar opinião sobre qualquer coisa, que eu sei que é opinião que foi colocada na cabeça dele, a qual ele sequer sabe deslanchar a opinião se alguém lhe pede explicação plausível a respeito.

Uma dessas opiniões é a pueril “voto em quem combate a corrupção” se referindo a um político. Ô gente, tem que ser bastante imbecil para acreditar que tem político por aí combatendo corrupção, não é mesmo?

Que tem político dizendo que combate a corrupção, que moraliza o brasileiro e blábláblá, isso todos nós sabemos que tem. E políticos que realmente combatem, porém, combatem a corrupção que lhes interessam combater, pois, significa entre outras coisas: popularidade pra si. Destes, todos nós também podemos citar um que está em evidência por aí no Brasil.

Agora, será que esse político combate toda corrupção? A que ele esconde, praticada por ele próprio ou por seus afins; a de seus financiadores; a de grupos que não têm relação com ele mas com os quais ele não quer mexer.

E a sua corrupção? Sim, você que vota ou não nesse falastrão.

Conheço um dono de comércio que ufana o bolsonarismo ao extremo. Brada contra a corrupção, fala que é à favor da família, da moral e dos bons costumes, da fé dos evangélicos. Sustenta todo aquele discurso patético e hipócrita bolsonarista.

Mas, na hora de cobrar a conta daquele que consome em seu comércio, o sujeito sem cerimônia rouba do caboclo. Cobra a mais a unidade de cerveja conforme o estado de lucidez que este está. Às vezes cobra garrafas de cerveja que o sujeito não bebeu.

Além de fazer transações usando sua maquininha de passar cartão de débito e crédito. Finge que vendeu um valor em mercadoria, recebe de um interessado o valor passado na maquininha. Mais tarde, faz saque do dinheiro e passa para o interessado, via PIX (sem taxa de movimentação financeira), o valor decrescido de um percentual de agiotagem.

Ó que maravilha! Sequer precisa ter mercadoria pra oferecer no mercado. Tipo de procedimento que permite, inclusive, que um sujeito que vende produto ilegal possa lavar dinheiro como se tivesse comprado algo do comércio, pagando apenas, para o operador de agiotagem, uma taxa pelo serviço de utilização da maquininha. É mole? O PIX é uma maravilha de invenção, não é mesmo?

Ferram-se os bancos (que entre outras coisas: empregam), os fornecedores do tipo de comércio do comerciante corrupto (que também empregam e não veem compra de suas mercadorias), o Governo (que deixa de arrecadar imposto por transação financeira e ter dinheiro em caixa para cuidar de suas obrigações com o povo). Aí não estão te roubando, não é mesmo? Não é a Petrobrás, que falam que é SUA! (kkkkkkk!)

Fora as outras corrupções: cabular passagem de ônibus, furar fila, fingir estar doente para pegar atestado médico e não ir trabalhar. Pode ser que nada disso que citei te enquadre, mas, é só se eu não citar tudo o que na sociedade se vê fazer é que você escapa.

O que está ao alcance de um político, ou seja: estando ele com poder para fazer, é enxergar oportunidades para corromper. Daí, vai da coragem dele corromper ou não. Dificilmente ficam na política os que não têm coragem. E dificilmente os que ficam sem cair na tentação exposta logo nos primeiros dias de mandato enriquecem com a política. Na minha opinião, comprar 51 imóveis, independente de ser com dinheiro vivo ou não, já é sinal de se ter coragem!

Outra crença que acho o cúmulo da predisposição para ser presa desses engenheiros de voto: “Lula roubou bilhões do Brasil e é sentenciado por causa da compra de um Triplex no Guarujá e um sítio em Atibaia“. Só mesmo quem tem baixo Quociente de Inteligência (QI) é que defende com unhas e dentes sem tirar nem pôr essa acusação com sentença absurda. Será mesmo que estariam avaliados esses dois imóveis em bilhões de reais que seja?

E agora tem sujeito achando ruim porque foi determinado que o julgamento do Lula deveria ter ocorrido em Brasília e não no Paraná. Parece óbvio que uma acusação de recebimento de propina feita a um presidente da república, cujo fórum para decisões judiciais a respeito da sua condição política é naturalmente Brasília, tenha como ambiente jurídico a localização certa?

Se você responder que não, você é condescendente com a corrupção de quem quer se reeleger presidente da república, sem nada ter feito de importante para o povo, corrompendo mentes para aceitar que está tudo certo nesse julgamento e ajudar, com isso, a criar senso comum de que o sentenciado não pode concorrer na eleição presidencial, limpando, assim, o caminho.

Daí, ó, é só ligar os fatos: Lula foi sentenciado e preso às pressas (o processo do qual foi condenado leva anos para ser resolvido) tão somente para que Jair Bolsonaro, então candidato do Sistema, fosse posto na presidência da república para prestar seus serviços à cúpula que comanda o Sistema. Porque não tinham acusação válida, o julgaram sem provas e dando as pessoas justificativas insustentáveis como a compra de dois imóveis de baixo valor perto do valor dado como o subtraído em corrupção. O fórum foi o Paraná exatamente para que esse fundamento de ter que ter sido Brasília pudesse ser usado hoje como álibi para responder uma série de questões.

A eleição de Jair Bolsonaro foi, para mim, manobra da população pela cúpula do Sistema, mais uma vez, para o fim de se redimir dos abusos cometidos por ela própria contra a população brasileira, fazendo chegar ao Poder um bode expiatório com a tarefa de consertar as bobagens que essa mesma cúpula fez durante anos e anos em sua eterna missão de conduzir a sociedade em nome de seus próprios interesses. Bobagens que fez com que o Brasil ficasse economicamente à perigo, devido à distribuição de insumos sociais em vez das riquezas do país, e que nada têm a ver com corrupção.

Lute pela sociedade democrática e não pelo regime

Fiquei de porre de informação valiosa depois de ver no Youtube uma palestra da Marilena Chaui e vídeos contendo explanações do Eduardo Marinho, decidi discorrer sobre o que entendi.

A Democracia prega o “tudo poder ser” e o “tudo poder fazer”. Sendo assim, a Democracia é um “regime” burguês, uma vez que o “tudo poder ser” e o “tudo poder fazer” geram consumo e prosperam economias.

O problema da Democracia é a insegurança que o “tudo poder ser” e o “tudo poder fazer” causa, gerando violência, e a miséria, efeito da desigualdade social inevitável de se formar porque o “tudo poder ser” e o “tudo poder fazer” não é compatível com a ideia que diz que o direito de um homem começa onde acaba o do outro.

Refletindo sobre Direito se chega à alguns aforismos:

  • Quem estabelece (ou estabeleceu) os direitos dos homens é o próprio homem;
  • Quem briga para ter mais direitos do que os outros é o próprio homem;
  • Quem briga para defender os direitos do homem é o próprio homem;
  • E quem goza dos direitos lhe reservados é o próprio homem.

Logo, se defendermos o Regime democrático, estaremos cooperando com quem tem Poder. E como o regime é burguês, o Poder está com este. Na lista de aforismos descrita vai imperar quem briga para ter mais direitos do que os outros.

O burguês está protegido em seu castelo dos efeitos da violência, da desordem, do caos social causado pelo “tudo poder ser” e pelo “tudo poder fazer”. Seus olhos estão longe de ver a miséria, tanto mais de vivenciá-la. Ele fatura em cima desses fenômenos. É o que lhe garante ter Poder, que significa ter mais direitos.

Quando vemos um capitalista, como Jair Bolsonaro, defender a Democracia, o foco dele é o burguês. Quando vemos um socialista, como o Lula, defender a Democracia, o foco dele é o povo – ou: a sociedade. Logo, decidir em qual desses candidatos à presidência da república votar para defender seus interesses é questão de saber o que se é: se burguês ou se povo.

Em seu até aqui primeiro mandato, Jair Bolsonaro demonstrou o tanto que prioriza o burguês. Suas prioridades centraram-se no bom andamento da economia, sendo seu xodó o setor do agronegócio. Sua política trabalhista torna o trabalhador escravo do patrão, ou seja, visa aumentar os direitos do empregador, diminuindo os do empregado. E essa analogia vale para as outras relações e grupos sociais, como os indígenas, os LGBT, os não militares, os não cristãos ou cristãos não evangélicos, os educadores, os cientistas, a imprensa.

Um socialista que prega a Democracia, sugere que ver a economia prosperar em uma nação é importante. Do contrário, ele pregaria somente o socialismo, sistema cuja economia é planificada. A diferença é que esse socialista deseja estender os benefícios do “tudo poder ser” e do “tudo poder fazer” à toda sociedade. Isto significa distribuir riquezas.

Quando a riqueza é distribuída, o equilíbrio dos direitos é automático. Automaticamente as pessoas procuram respeitar o direito das outras para não sofrer as reações certas de se sofrer quando alguém em status de igualdade consigo tem o direito ferido.

Bom, se não for isso o que quiseram dizer nos vídeos que vi, pelo menos consegui definir o ideal de sociedade para mim, esta que está implícita na imagem de um socialista que defende a democracia.

O inóspito país do Bolsonaro reeleito

* Discorro na crônica opiniões próprias.

Estou aqui a imaginar como será o Brasil se porventura, é claro: burlagem das urnas, tendo o TSE, Globo, Datafolha formado uma conspiração que teria engando os eleitores do Lula esse tempo todo, o para mim farsante e despreparado Jair Bolsonaro for reeleito.

Num primeiro momento, imaginei a hipótese de nós contrários a isso permanecermos no país. Isto já sei como seria: não irá haver governo e nem qualquer benefício para o país ou para o povo, como foi nesse primeiro mandato desse para mim vigarista, devido à oposição que fizemos, a qual nos proporcionou impedir que os interesses dos grupos por trás desse para mim tirano farsante fossem por ele cumpridos, enquanto os cegos apoiadores dele achavam que era neles que o tirano e seus comparsas estavam pensando quando, através de facultadores de massas de manobra, os cooptaram.

Nós opositores, estou evitando usar o termo esquerdista, uma vez que temos plena consciência de que a oposição ao bolsonarismo não é formada só por esquerdistas, somos inteligentes, politizados, sabedores dos verdadeiros problemas do país e quando um político capenguinha está a usar seu mandato em nome de terceiros, por isso tivemos essa condição de frear esse governo vira-lata nesses quatro anos e facilmente o frearemos de novo.

Mas, o interessante mesmo é divagar na segunda hipótese: todos nós, opositores do regime político chamado bolsonarismo, sairmos do país por não querermos estar entre pessoas hipócritas que sabemos não ser saudável viver entre elas.

Vamos, de repente, em partes, para os lugares que nos mandaram esses quatro anos: um tanto pra Venezuela – para estes, de fato o Brasil virará a Venezuela –, outro tanto para Cuba, China, Rússia, Angola, Coréia do Norte. E por aí vai! De repente, até pra marte, pegando carona na nave do Elon Musk.

No Brasil, então estariam vivendo os bolsonaristas. Negros submetidos ao branco, “sem mimimi de racismo”, índios extintos, LGBTs para sempre no armário, drogados continuando a usar drogas, às escondidas ou não, mesmo sem liberação, somente artistas gospel usufruindo da Lei Rouanet. Nada de ateus ou seguidores de outras religiões; nada de cristãos não evangélicos.

Nada de direitos para empregada doméstica. O pobre tendo que se submeter ao presunçosamente rico. Recebendo dele o tanto que ele quiser pagar. Nada de famílias recebendo Bolsa Família, recebendo, sim, o substituto, Auxílio Brasil, de R$600,00.

Todos com porte de arma e licença para matar, embora tendo que matar seus iguais, pois, aqueles que teoricamente se atiraria neles vazaram. Mesmo o pessoal do agronegócio, cujo um benefício dado a ele em seu governo, Bozo disse no debate entre presidenciáveis na Globo que foi receber porte de arma, não terão em quem atirar, pois, o MST e os ambientalistas também terão vazado.

A Amazônia: toda desmatada; o nióbio, o grafeno, o ouro do Brasil e o pré-sal: nas mãos do governo brasileiro (e não dos Estados Unidos), como presumem que será com todas as riquezas hidrominerais e botânicas do país.

Sem pedagogia que proporciona o estudante pensar e causar problemas para o sistema capitalista escravizador. A escola sem partido, cristã emburrecedora à distância cheia de revisionismo nas matérias e provida pelo Cogna implantada.

Nada de estatais, todas as empresas e setores econômicos privatizados. Os Orleans de Bragança junto com as oligarquias rurais de todos os tempos mandando em todos e impondo o modelo de família a ser adotado e a moral e os bons costumes lhes convenientes.

Não esquecendo, é claro: implantado o estado-mínimo, que a maioria dos bolsonaristas ou dos eleitores do Bozo, por exigirem a abolição da pedagogia Paulo Freire do sistema de ensino do MEC, jamais soube do que se trata e nem tem capacidade intelectual para saber.

Continuará essa massa assim, sempre a seguir a boiada à espera de Jesus voltar, por lhe garantir essa volta um provável crápula ladrão e lavador de cérebro e dinheiro pastor evangélico, desses que há por aí sempre a induzir pessoas de seu rebanho a votar num facínora, o qual tudo o que menos quer na vida é que Jesus volte porque isto representa o fim de seu negócio. A corrupção será, cuspida e escarradamente, varrida para debaixo do tapete… das igrejas!

Lá onde estivermos, nós que não compomos essa massa sem capacidade intelectual mínima para perceber que é manipulada, com certeza estaremos vivendo melhor do que estaríamos se vivendo no meio da corja que irá ficar no comando da nação. Isto se pode deduzir de imediato.

O que não dá para deduzir é se de lá, observando os acontecimentos no Brasil, estaríamos felizes, nós desterrados, por constatar que os bolsominions se realizaram e vivem como o Deus deles manda, mas pelo menos livres de ter que terem suas crenças confrontadas, com a real apresentada e expostas ao ridículo.

Os egos destes, totalmente satisfeitos por terem se livrado de tudo que eles achavam que era o que os faziam estagnados na vida, na condição de simples rés de um gado, que eles continuarão a ser, o que é indubitável.

Ou se de nossas novas pátrias – ou novo planeta – estaríamos dando risadas por perceber que o rebanho que ficou estaria infeliz, tendo que manter a aparência de estar feliz por não ter a hombridade de dar o braço a torcer e admitir o tanto que estavam errados. Vivendo vida de escravo sem saber que vive assim. Alguns, corroendo-se por sentir a nossa falta.

Para mim, a segunda hipótese de constatação é que é o que eu veria de lá de onde eu estivesse. É claro que esse meu desejo, por mais que essa massa que vota em Jair Bolsonaro seja segregacionista, não se configurará.

Mas, não deixo de expor essa reflexão que fiz, uma vez que hipoteticamente, no mundo das ideias, tudo é possível porque na mente do indivíduo que é livre para opinar e para pensar, político imbecil nenhum manda. E nesse reino, o da imaginação, tudo pode ser antecipado, tamanha a lógica que se enxerga no que vai parar nele para ser analisado.

*Opinião do autor da crônica, que não tem vínculo com partido nenhum, apenas acha que nada justifica dar o comando do Brasil a Jair Bolsonaro, principalmente depois de a ele ter sido dado chance de presidi-lo e só se viu incompetência e descasos.

Sei que nada sou

Nossa, como é Drurys! Decidi não escrever mais em blog algum e nem em redes sociais e aqui estou eu quebrando isso. Já que não tem remédio… Mas é só desta vez!

Sei que nada sou, pois, não possuo estabilidade, estou sempre sofrendo transformações. Tudo o que acontece à minha volta é que me faz pensar.

E na minha mente não vão parar só o que observo, cheiro, ouço, toco. Há informações que são captadas pelo cérebro e que estão latentes aos meus sentidos físicos. Junta-se tudo isso no palco dela e forma-se a tempestade que observo, que me tira a concentração, dificulta meu poder de decisão, faz o caos tomar o meu ser, trazendo ansiedade, inconformismo, nervosismo, frustração por ser assim – como se eu fosse diferente de todos os outros seres humanos –, procrastinação, preguiça de terminar raciocínios e desenvolver ideias ou assimilar aprendizados, desmotivação para o passo consciente seguinte.

A maior parte do tempo, a maioria de nós está em piloto automático. E não tem essa de manter atenção plena, foco e outras balelas para se vir livre do caos e ser dono do próprio destino, que os chamados coach adoram lecionar.

A questão é que tudo isso é inevitável. Tanto as causas, quanto as reações. Faz parte da natureza, do materialismo, deste mundo, deste universo. Essa tempestade é tudo o que somos. Somos formados por ela. Não conseguimos nos livrar dessas influências como nos livramos de uma roupa que nos causa desconforto.

Somos o momento que estamos nele. Somos o que sentimos. A interação com o mundo nos emociona e consequentemente nos faz ter pensamentos que irão nos colocar no status do sentimento pertinente a eles.

E eu, como todo ser humano, estou sempre expressando sentimentos diferentes e itinerantes, que vão e voltam.

Somos a opinião que expressamos. É por ela que nos avaliam e nos rotulam. Por isso é bom ser aquela metamorfose ambulante, pois, se nos avaliarem mal após uma fala, quem sabe não melhore isso na próxima? Detalhe: nossos gestos também expressam a opinião que mantemos em dado instante.

E o que opino também está sempre mudando. A parte fixa da minha opinião, ou seja: as minhas convicções, esconde-se no meio da tempestade de pensamentos que me assolam a todo instante. E com isso, eu não consigo manter consistência no que propago.

O interessante é que isso se dá sem eu me contradizer. É como se sempre houvesse novidades no meu caminho, que me convencem que realmente nada sabemos e que o que sei é uma gota, sendo o Oceano o que ignoro.

É fato que isso tudo deva ser levado em consideração com relação ao meio material, ao que diz respeito ao Eu físico. O Eu Superior, que sobrepõe nossa mente e controla nossas ações, é constante e invulnerável ao que nos estimula fisicamente.

Cada vez mais, me distancio do ponto de partida, que já nem sei mais onde fica. E jamais chego a qualquer lugar. Me convenço, então, de que não existe a largada e nem a chegada, só o caminho. E esse caminho é você mesmo.

Essa trilha não é uma linha reta. É, sim, repleta de bifurcações. E como não se chega a lugar algum, quaisquer das ramificações que tomo – e faço isso automaticamente – é por onde eu deveria ir. De modo que não faço escolha alguma, simplesmente vou. E aquele que é realmente quem a gente é cuida do resto, ajeita tudo para que nos adaptemos para viver as experiências do ramo.

Não se paga pena pelas escolhas feitas, pois, não se escolhe nada. Simplesmente ocorre, às vezes, de sofrermos enquanto nos adaptamos ao rumo tomado. É até comum intuirmos coisas como “penei por ter tomado essa direção, mas, no final percebi que era a decisão certa”.

Eu sou caminho, a verdade e a luz
(João 14:6)

Quem contará nossa história?

Se coloque na pessoa de um ávido colecionador de revistas em quadrinhos. O que ele coleciona mesmo é a arte que essas revistas transportam, portanto, se esta estiver adaptada para um formato digital, o significado da coleção é o mesmo.

Um dia, você viu que a mais antiga das suas revistas se deteriorou por completo. Perda total. Mas você disse para si mesmo: “Por sorte eu a possuo em PDF”. E se sentiu aliviado.

Noutro dia, você quis reler as histórias do exemplar de papel que foi perdido e recorreu ao CD-Rom onde havia colocado o PDF do mesmo. Se viu sem condições de utilizar a mídia, pois, o leitor que havia em seu computador se estragara, não havia mais técnico que o consertasse e nem como comprar novo leitor, pois, o CD se tornara obsoleto com a chegada do pendrive e foi esquecido.

Novamente, você disse para si mesmo: “Por sorte eu coloquei uma cópia em um HD externo. Fora até o local onde o dispositivo estava guardado e o tirou do lugar para plugar no computador via porta USB. Só não era mais prático estar apto a usufruir do material que você queria acessar do que se ele estivesse em seu formato original, o de revista em papel, que era só tirar do lugar e começar a ler.

Praticado seu consumo, você fez toda a operação para tirar do computador o drive de leitura e o guardar novamente. Nisso, você notou como ele era frágil. Um dia poderia cair, empenar, arranhar a região de leitura, derreter ao fogo. E aí você terá se despedido para sempre do exemplar de revista em quadrinhos tão amado.

E nessa hora você se pôs a pensar: “Por mais cuidado que eu possa ter, chegará um tempo em que nenhum dos itens de minha coleção estará disponível para eu desfrutar”.

E isso te fez herdar uma decepção, que chegou até a lhe motivar a dar de mão desde já de tudo o que havia colecionado. Desfazer o amor, o fascínio ou a obsessão pelos artigos lhe traria conforto e lhe pareceu ser algo inteiramente racional. Sem contar que lhe devolveria a liberdade. Quem se apega a qualquer coisa teme excessivamente perdê-la. E com isso, se torna aprisionado, refém dos próprios interesses.

Porém, uma luz surgiu no fim do túnel para evitá-lo de dar o próximo passo, que seria jogar a coleção em uma fogueira. Você se lembrou de uma reportagem que leu em uma revista, lá nos anos 1980, que informava sobre uma caverna na Suiça onde estariam guardadas, com o máximo de segurança, informações de tudo o que o homem fez. Se um dia algo advier de forma a deixar a humanidade individualmente sem seus registros, era só recorrer ao acervo protegido na caverna. Pelo menos o que for coletivo estaria arquivado nela. Haveria lá, ainda que em formato digital, uma cópia do exemplar da revista amada.

Entretanto, você também se lembrou de um documentário que por acaso viu no Youtube: “O mundo sem ninguém”. Conforme o documentário, se uma tragédia ocorrer na Terra, como um hecatombe nuclear, e dizimar da face dela o ser humano, em dez mil anos não sobrará nada para contar que um dia nós, humanos, existimos. E isso fez você voltar à estaca zero.

Mas aí você teve nova inspiração. E concluiu: “Ora, sem ter alguém para ler o exemplar, ele não precisa ser eterno”. E isso o aliviou de forma definitiva.

Se um dia o próprio planeta for varrido do Universo implacavelmente, de maneira que não só banirar-se dele o ser humano e sua consciência, sua capacidade de observar e de sentir a existência, mas também todo e qualquer ser vivo, sensciente ou não, todo e qualquer corpo material, incluindo as rochas, o Universo prosseguirá com sua expansão como se jamais, em qualquer tempo, tivesse existido o planeta Terra. O que se dirá do que havia dentro dele!

Fica então a pergunta: Qual o espaço que há no Universo para as preocupações humanas? Se refletirmos à fundo sobre isso, veremos que até as entidades divinas que as religiões pregam, como Jesus Cristo por exemplo, perderá completamente o significado se não houver alguém, com o imaginário tomado pela idolatria, pelo fascínio ou pela obsessão, para pensar a seu respeito ou para querer usufruir de seus deixados.

A vida é uma oportunidade única para contemplarmos o momento presente e obter dele experiências sem se importar com a durabilidade delas. Nada é eterno como uns dizem serem algumas coisas. Tudo é modificável. E só o que existe é o momento que chamamos de presente. E nele não cabe perder tempo com qualquer preocupação. Principalmente as que aprisionam a mente.

A diferença entre educar e estudar

Primeiro momento: No Facebook uma colega postou “A forma arrogante como algumas pessoas estudadas tratam pessoas que não estudaram demonstra que estudar não garante educação” e o algoritmo da rede achou que devesse a publicação aparecer no meu mural.

Pensei que pudesse ser a Rede tentando me fazer militar contra aqueles que pregam que o país não deve destinar verba às escolas públicas, então, reagi comentando: “É só no Brasil que estudar significa educar-se. Estudar nos outros países significa o que é: adquirir conhecimento. Rs!”. Coloquei o “Rs” de risadinha para que a colega não pensasse que eu estivesse querendo pagar lição de moral.

Segundo momento: Encontrei com um amigo professor em barzinho e no ensejo procuramos colocar nossas conversas em dia. À certa altura do bate-papo, a jukebox estava em volume exagerado e o professor perguntou se eu não toparia ir para outro boteco. Decaí porque eu tinha um compromisso naquele local. Fui até a dona do bar e solicitei que diminuísse o volume. Provavelmente por conhecer minha média de gastos no ambiente comercial recreativo, a proprietária atendeu ao meu pedido.

Nosso assunto então era questões da política brasileira. Surgiu oportunidade para expormos ideias sobre implantar o Liberalismo econômico e acabar logo com a guerra de interesses que disputam bolsonaristas, esquerdas e pessoas não necessariamente politizadas que opinam sobre os factóides políticos despejados pelos diversos canais de mídia existentes nas sociedades atualmente, entre eles as redes sociais na internet, como por exemplo o Facebook.

O professor me disse que o Brasil não está preparado para viver o Estado-mínimo. E eu lembrei que no sistema mixto de economias que define o regime econômico do país é que não dava para continuar, seria melhor implantar o socialismo de vez.

Concluímos, então, que o brasileiro não está pronto para os dois regimes. E o professor pontuou que o motivo seria a falta de educação do povo e que houvesse investimento pesado em educação seria possível optar por um ou outro sistema. Foi aí que falei para ele sobre meu comentário no post da colega de Facebook.

O professor discordou do meu comentário. Achava ele que devesse sim o país investir em educação. Nisso, procedi dizendo que teríamos que compreender a palavra “educação” do modo correto. Educar um indivíduo é torná-lo adequado para o convívio em sociedade. Isso quem faz em primeira instância é a família. As crianças recebem dos pais essas instruções. O governo, a mídia e as igrejas, com mais ênfase esses três, fariam o resto.

A parte do governo não se dá exclusivamente providenciando e gabaritando escolas. Na escola se vai aprender a ler e obter o conhecimento de diversas ciências positivas que ao longo do tempo o homem acumulou. Na escola também se aprende uma profissão e se capacita a trabalhar nela. Citei a medicina. Mas, têm que chegar à escola já educado, já tendo bons modos. E dei a informação que na faculdade eu tive professores que não tinham um pingo de educação ou que fossem bem menos educado do que eu. Isso torna verdadeira a reflexão na postagem de Facebook mencionada.

O Governo investir em educação é criar campanhas educativas e usar os outros instrumentos como meio de implementar essas campanhas. Em minha infância, tempos militares no Brasil, era comum se vir dessas campanhas em todas as instituições públicas e nos mais diversos produtos de mídia – por exemplo: na campanha do Dedinho, que visava incentivar a prática de esportes e ajudou o Governo Médici a implantar a disciplina Educação Física nas escolas, utilizaram revistas em quadrinhos que eram dadas nas escolas ou vendidas nas bancas; a campanha para criar a consciência de higiene e limpeza utilizou um personagem chamado Sujismundo, que foi parar em filmes para a televisão e em cartazes que se podia ver fixado até em estabelecimentos comerciais e interior de ônibus.

Ou seja: as escolas serviam de murais e porta-vozes para fazer chegar ao público pertinente a elas a mensagem do Governo para educar a população. Porém, isso sendo mais esperado de se ver nos estabelecimentos educacionais de ensino fundamental. As universidades poderiam no máximo dar apoio para relembrar esses deveres a seu público, que está nelas para se profissionalizar em alguma profissão e já tem que estar educado para os processos sociais – como não sujar as ruas, não fazer barulho em locais de uso comum das pessoas, como se proceder no trânsito.

O professor concordou em partes com o meu apontamento quanto a investimento em educação, mas manteve sua opinião quanto ao motivo de não ser devidamente educado o povo para viver o minarquismo ou o socialismo propriamente ditos. Ele próprio citou que a solução seria pegar representantes de cada grupo social do Brasil e em um debate chegar ao melhor modo de realizar as implementações.

Nisso concordamos juntos sem resistência. E ilustrei minha adesão considerando o bar onde estávamos como a Sociedade. O interesse daquela sociedade era que todos nós, os consumidores do bar, estivéssemos satisfeitos em estar nela e jamais decidirmos ir para outra sociedade. O volume da jukebox, por exemplo, teria uma configuração que não incomodasse quaisquer dos usufruintes do local.

E o potencial de gasto de cada consumidor não seria o determinador dessa configuração, uma vez que por não se tratar de um local incondicional para se estar e ainda por existir concorrentes que provesse o mesmo lazer, quem fosse excluído da decisão, ou seja: quem não suportasse o decibel determinado, estaria livre para se retirar. E o interesse do proprietário é que ninguém se retire, quanto mais quem representasse consumo maior.

O determinador seria, sim, um debate com a participação dos proprietários, funcionários e clientes do boteco. A melhor expressão do que é democracia é o debate.

Intervenção militar pró criminalização do comunismo

Protestam nas ruas de São Paulo. Pedem intervenção militar para criminalizar o Comunismo. Como seria isto: criminalizar o comunismo?

Criminalizar é tornar um crime um ato, por exemplo. Vai ver o desejo é esse. Mas, seria o criminalizado o praticante de atos comunistas? Será que estes que pedem em faixas essa criminalização sabem que atos seriam estes? Será que eles não praticam os mesmos?

Geralmente, quem sai em protesto nas ruas é motivado por um líder, geralmente um político. E ele move as pessoas à fazê-lo a fim de defender os seus interesses. Estes, na maioria das vezes não são claros para quem compra a ideia e a segue. Pra dizer a verdade: para quem se vende à eles.

A situação de desespero que vemos na política brasileira, com presidente da república lutando para não perder o posto e recrutando incautos para garantir por ele a manutenção do mesmo, é preponderante – chegando a ser obrigatório – o uso de persuasão psicológica para angariar adesões.

Os grupos que movem pessoas a pedir a tal intervenção militar tecem, com seus próprios argumentos, para aqueles que os apoiam o que seria o Comunismo. Fazem do regime vermelho um assombro pior do que o da pandemia, que não precisa que ninguém dê-nos uma versão sobre sua ameaça.

Só para deixar os militantes pró intervenção militar para criminalização do comunismo mais espertos, se você possui desejo de igualdade (ou seja: vida em comum ou comunismo). se você gostaria de ter dentro da sociedade as mesmas condições que o seu vizinho, que o seu patrão, que o presidente da república, então, você vai ter que parar com isso, pois, isso é um ato comunista.

E fora isso tem uma série de outros hábitos que com certeza você sustenta que são oriundos da ideologia comunista. O que dizem para você os que você anda seguindo para se agarrar à luta deles não é verdade.

A parte do Comunismo que você deveria combater, a filosofia econômica, nem de longe o Brasil corre perigo de sofrer mutação. Nosso destino parece ser o colapso econômico total devido à esse emburrecimento da população, que em vez de protestar em pró do Liberalismo Econômico que Paulo Guedes iniciou a implantação, protesta para que persistam os escândalos envolvendo o presidente da república, que parecem querer frear o liberalismo.

Daqui a pouco o ministro deixa o cargo também e aí, meu, só mesmo implantando a economia do regime vermelho para nos salvar. Se seus mentores te explicasse sobre o modelo de economia planificada talvez você saberia visualizar a grande solução que estamos deixando escapar não exigindo aceleração da aprovação dos projetos do Guedes.

E procure outra forma de manifestar que não seja protesto nas ruas carregando faixas contendo palavras de ordem, pois, isto também é um ato comunista.

Por que é temida a hora de partir?

Antes de dormir o chá de camomila e o exercício espiritual de alinhamento de chakras. A noite é tranquila e repleta de bons sonhos. Isso após a turbulência da experiência de quase-morte.

1Eu vou me embora / É chegada a hora / Não, não chore / Nem me faça chorar
O que é tristeza / O que é saudade / Me responda / Com justiça e não com lágrimas
E se lembrar de mim / Faça com o mesmo ardor / De uma canção feliz / De uma canção de amor

Eu não sei ao certo se isso é típico da velhice contemplar experiências de quase-morte. Tenho feito essas coisas constantemente nos últimos dez anos. E é o que me alivia o choque com minha realidade insípida, fracassada materialmente e a conflitar ideologicamente com o que percebo ser o que os donos do mundo tecem para a humanidade sujeitar-se. Idem o fato de a maioria das pessoas aceitar a submissão. E muitos de boca boa.

A morte me cairia bem nessas horas, não fosse o sentir-me preparado, com todos aqueles que sentirão minha falta ou que dependem de eu estar vivo amparados por eu ter estruturado minha partida.

2Depois que eu envelhecer / Ninguém precisa mais me dizer / Como é estranho / Ser humano nessas horas de partida

O corpo estendido na cama, pesado, totalmente relaxado após o alinhamento de chakras. Ausentes os sentidos até que o formigamento aparece junto com o sufoco. Uma pressão sobe peito acima. Vai até o topo da cabeça e parece que o cérebro expande devido a um vórtice que começa a girar dentro dele querendo sair para o espaço.

Uma dificuldade respiratória digna de um afogamento solavanca. Passagens da vida vêm à mente. Coisas que vivi, coisas que terceiros me fizeram vivenciar na imaginação. Tudo se passa como se tivessem sido a mesma experiência de observação. Daí se vê que somos todos um.

3Um vento frio assobia / Me arrepia / E me faz lembrar / A hora que eu nasci
E a calmaria rígida / Vislumbra a morte que eu nunca vi

Então, vem a hora da decisão. Sinto que se eu não frear a sensação não será só uma experiência fora do corpo. Sinto que irei fraquejar e poderei não voltar para Malkut. Deixarei de ser observador neste mundo. Passarei a ser um dos que observam quem observa.

4É o fim da picada / Depois da estrada começa uma grande avenida / E depois da avenida / Existe uma sorte, uma nova saída / São coisas da vida / E a gente não sabe se vai ou se fica

E é nesse ponto que bate o ainda ser humano. As responsabilidades vêm à tona na memória física da gente. Tem os desamparados para amparar. Sua saúde ainda é de ferro, as finanças não fizeram chegar pra você a miséria, a intolerância com a imperfeição dos outros você já é capaz de conter a depressão que isso traz. Para que o desespero em partir?

Escolho voltar. Retomo o objetivo de durar o mais possível no plano material. E a recompensa pela decisão sábia é o prazer enorme que a prática de quase-morte me dá toda vez que eu a contemplo. Talvez eu o faça só por isso.

TEXTOS INCINDENTAIS
1 e 3 – Estrofes da música “Toda a nossa vontade”. Lobão, Sob o Sol de Parador. 1989.
2 e 4 – Estrofes da música “Coisas da vida”. Rita Lee. Entradas e bandeiras. 1976.

Depois da missão cumprida

Assisti o vídeo de despedida do Fusca, produzido pela agência Johannes, a pedido da Volkswagen, e veiculado nos Estados Unidos.

A animação ao estilo Andy Warhol possui apelo emocionante e fecha com uma apoteótica ascensão do Fusca ao reino de onde veio, o da imaginação, tendo “Let it be” dos Beatles tocando ao fundo.

Com todos nós acontece o mesmo com o advento da morte: voltamos ao reino onde todas as coisas são imaginadas. O reino da criação.

Lá está o eu superior de cada um de nós, que é a consciência por trás da nossa observação e da nossa mente. Ela faz parte de uma consciência maior, que concebe tudo o que há no universo que desfrutamos e se divide em consciências individuais para o fim de usufruir, observar, captar sensações provocadas pela sua própria concepção.

Deve ser qualquer coisa surrealíssima essa situação de existência, na qual se coexiste diretamente com seres e objetos de todos os tempos. Tempos que já se foram e que estão por vir. Idem os objetos.

Um paraíso onde os viventes nele desfilam em formas diversas, incluindo a de inteligência ou energia pura. Em cores, sabores, cheiros, texturas e melodias oníricas, espirituais. Sem qualquer dependência temporal ou espacial. Onde tudo é flúidico, a nitidez não é importante e os limites da física são extrapolados.

Tudo é presença nesse lugar, vamos assim dizer. E é possível uma presença definida como a de um ser humano atravessar uma parede e seguir seu curso. Voar a altura impressionante e rumar em queda livre a um mar de rochas.

É isso o que nos espera após a morte. E por causa disso, em vez de aflição e medo do pós-morte deveríamos sentir é anseio. Lutar, é claro, o mais que puder para se manter vivo o máximo de anos aqui na Terra. Mas, dar de mão completamente de toda programação mental que recebemos sobre a morte e que nos faz viver mais limitados do que já nascemos predestinados a ser.