É preciso que você faça na rua a anarquia que você faz na internet

mundoconectado

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A esperança venceu o medo“. Com essa frase Lula calou a boca da atriz Regina Duarte, dos Marinho, o resto do PIG e de um monte de político e empresários que temiam que um dia ele conseguisse superar o candidato trabalhado pela grande mídia e chegasse ao posto de Presidente da República. Essa frase, naquele dia, deu título ao meu primeiro post em meu primeiro blog. Me lembro que eu escrevia estando de porre. Não preciso dizer que o post era uma homenagem à vitória de um candidato a presidência da nação, que recebeu meu voto. Pela primeira vez meu voto valeu. Sem problemas, pois, Collor e FHC iriam me deixar bastante desapontado se eu tivesse acreditado neles pelo menos em uma de suas vezes como vencedores.

Me remeto a esse ponto da minha existência e da existência do Brasil para falar sobre a internet. Ela chegou por aqui em tempos tucanos e mesmo assim já anarquisava. Era mais visível do que hoje o espírito de cooperação que havia entre os internautas. Tanto os que proviam conteúdo, quanto os que os acessavam e faziam girar contadores de visitas. A gente conseguia obter informação preciosa e material, por vezes restritos a certa elite, abundantemente. Foi difícil conter o entusiasmo naqueles tempos. Quantos flip disk (disquetes) lotados de kbytes guardados para a posteridade que acumulamos!

Segredos eram revelados sem chance de serem ocultadas ou desinformadas as revelações como hoje se abriu uma brecha para se fazer isso. Muita gente se viu nua, sem poder fazer qualquer coisa para cobrir-se e evitar o desprestígio ou pelo menos a real avaliação do público sobre a sua personalidade. A mídia começou a perder o monopólio da formação de opinião pública.

Era fotos secretas que eram divulgadas na luz do dia, sem qualquer possibilidade de serem tiradas do ar antes de um estrago ser feito. O e-mail virou o Pravda, tão enorme era a tiragem das cópias carregando mensagens-denúncias ou palavras de ordem que iam parar nas caixas postais de interessados do mundo inteiro. E não se pagava mais do que o acesso discado à internet para fazer isso, depois que apareceram o Zipmail, o BrFree e o IG para dar e-mail gratuito para todo mundo trocar mensagens e farrear. Se de madrugada, a economia descia a zero, pois, as telefônicas mantinham tarifas reduzidas após a zero hora.

E o MP3? Arruinou com gravadoras, pra você ter uma ideia! O Napster, o Audio Galaxy, o Kazaa, o E-mule ameaçaram com força o capitalismo da indústria do entretenimento até serem freados. O ICQ, até aparecerem o MSN e o Skyper, desanimaram as telefônicas de continuar operando no modo convencional: telefonia. E todos que estavam empenhados em usar esses mecanismos para satisfazer suas demandas de comunicação, absorção de informação e entretenimento eram considerados e-marginais. E sem estar fora da lei. Até quiseram colocar-nos fora da lei, mas não conseguiram. Tenho muito a agradecer aos “cjb.com” ou aos “.da.ru” da vida. Que hospedavam nossos fetiches e a cúpula conspiracionista global nada podia fazer contra eles. Sequer os encontravam.

Sabe, acusam a turma da esquerda brasileira de ser formada por dissidentes de grupos terroristas brazukas do passado. Eu amo a história daqueles guerrilheiros que amavam profundamente o Brasil e não deixavam por menos para os militares, para os colonizadores estrangeiros e para a elite civil que havia na época e que hoje é representada pelos políticos da direita e empresários conservadores brasileiros que andam dando as cartas depois que deram um novo golpe de estado. Meu livro “Os meninos da Rua Albatroz” faz apologia à ALN, MR8, VPR, ao COLINA e aos guerrilheiros do PCdoB no Araguaia. E ainda os estrangeiros como o Baader-Meinhoff, as Brigadas Vermelhas ou a FARC. Luis Carlos Prestes, Marighella e Lamarca são lembrados como grandes heróis que foram. Stédile e o MST, a CNBB e a Resistência Ecumênica idem.

Se são dissidentes ou não, é sabido que a veia de ente contestadora, reacionária e anarquista passa pelo corpo deles. E eles conseguiram passar para os mais novos o significado disto: anarquizar para derrubar o sistema. Uns caras como o Bolsonaro disseram que os petistas, em tal época, sem dinheiro tocavam o terror. Frizando: imagine o que não fariam agora (depois de ganhar o poder) que estão endinheirados. A alusão subentendida deles obriga-nos a concluir que aqueles artilheiros que atiravam com armas roubadas dos quartéis hoje têm, licitamente, seu próprio arsenal. E sabem atirar ou manejar uma granada muito melhor do que qualquer marreco (recruta do exército). Se a direita voltar ao poder, na marra ou não, terá que enfrentar os canos dos fuzis para sustentar-se nele por pelo menos o tempo de acabar de roubar o Brasil ou aprovar leis que deixem o caminho livre para explorar o povo, como essa Reforma Trabalhista que Michel Temer pretende empurrar na vida do trabalhador.

Só que Lula armou a população brasileira de outro jeito. Do jeito pacífico como era do agrado de Martin Luther King. Faz mais o perfil de quem entrou para a história saindo do meio sindicalista. Lula deu acesso à internet ao pobre e o pôs para aprender inglês. As frases nas camisetas que Caetano Veloso e Gal Costa pediam em música para o público ler já podiam ser lidas. E não só elas, mas também todo o roteiro de um filme norte-americano ou um livro inteiro de qualquer estilo comercial ou lírico. Direto do .com.

E com isso, o povo não mais espera os filmes ou os seriados gringos chegarem em forma de enlatado, serem traduzidos e exibidos na tela da Globo para serem assistidos. Nem ao cinema o povo vai mais. As informações dos grandes veículos de imprensa do mundo, de esquerda ou de direita, são absorvidas nas fontes, antes de, ao amanhecer, os tablóides brasileiros as maquiarem e as colocarem nos noticiários como um frango em uma assadeira apreciada por um cachorro vadio na porta de um estabelecimento comercial. A mesma antecipação acontece com as revistas, com a música, com a moda. Com o pornô. A Playboy até saiu de circulação, sabe lá o que isso significa? Vai voltar agora, se “Temer” quiser! É preciso limitar a internet pra ficar mais segura a volta.

Toda a mídia e as empresas prejudicadas com essa sua anarquia aguarda sair a lei que limita a disponibilização da banda de internet para, dessa forma, poderem se defender de você. Fazer com que você volte para elas. Que você volte a comprar CDs, nem que seja o pirata no camelô; que você volte a ver televisão, ouvir rádio, comprar jornais; que você volte a enviar cartas e a falar ao telefone. Deixe esse negócio de publicar livros só porque ficou fácil publicar depois do “Lula lá”. Vai acabar fazendo voltar o nobre e ameaçador costume de ler, que essa corja tanto lutou para dizimar porque se você der atenção somente para a multimídia você pode ter seu cérebro lavado com mais êxito.

Querem que você pare de fazer downloads e pague impostos e direitos autorais. E que você pare de fazer uploads também. Nada de disponibilizar para o público coisas que às vezes eles não querem que muita gente saiba. Mesmo que seja a sua mais autêntica opinião, como tenho costume de fazer quando me meto a escrever alguma coisa. Querem que você volte a usar o telefone fonado para pedir alguma entrega ou se queixar de algum problema próprio de SAC resolver. É entrada de dinheiro para os call centers, não sabe? Sai dessa de tudo ter que ser pedido num site de e-commerce ou pelo famigerado Whatsapp.

Entende como você é anarquista, derruba o sistema e nem sabe? Isso é belicoso demais e foi o PT quem te armou. Só quero com esse texto que você perceba que você é um anarquista. Inconsciente, mas anarquista. Suas ações abalam o regime capitalista. Diminuem o dinheiro a circular. Isso é ataque comunista. Tudo bem que foram os próprios descuidados capitalistas que te deram essa oportunidade de ser assim. “Deus fez ao homem reto, mas ele buscou muitas invenções” (Ec. 7:29). Até a Bíblia já previa esse caos.

Porque você foi absorvido pelo mundo conectado e aderiu ao “touchscreen way of life“, você passa a vida a anarquisar. E você acha que isso está te fazendo bem e você não quer parar. Então, anarquisar é bom e está ao seu alcance. Empregue isso noutros planos importantes, como a vida fora do meio digital. Vamos precisar disso para derrubar as intenções desse governo que aí está, no Brasil, a rifar o pobre e o trabalhador.

Acompanhe as postagens deste blog que falaremos a respeito!

Anarquia Já!

Não querem “Diretas Já”? Então, vamos de “Anarquia Já”!

pecdocapeta

Quando políticos assaltam um país e têm aos seus pés a Grande Mídia, o Judiciário e as Forças Armadas, resta ao povo a anarquia.

Se as ações dos políticos não correspondem ao que a maioria da população quer, não colaborar com o sistema é uma forma de ser menos reprimido e menos roubado.

Quando a Grande Mídia dá a aparência de que o que o povo quer é o que propõe o grupo elitista, do qual ela própria faz parte, para estabilizar o país e isso possui um ar suspeito, que diz aos corações mais sensíveis e as cabeças mais pensantes da parte que sairá oprimida e vendida que se trata de uma fraude, uma operação de falsa bandeira: é hora de se encher de coragem e anarquizar.

Quando o corpo de militares esquece que também integra a parte oprimida por esses bandidos de colarinho branco e se lança a disparar munição em seus próprios irmãos de linha social simplesmente para proteger os objetivos da corja, é hora de esquecer o medo e pensar como Lamarca: “Ousar lutar, ousar vencer”. Afinal, nosso medo de morrer é menor do que o medo de matar que os soldados repressores têm, pois eles não sabem se atiram na própria mãe ou quem sairá vitorioso da guerra, sendo que a punição virá de quaisquer dos lados em conflito.

Que Temer vai cair, isso ninguém duvida. Nem eles que estão dirigindo a nação. Por isso querem aprovar o quanto antes e o mais que podem os projetos vendilhões que são de seus exclusivos interesses. A aprovação da PEC 55 – a PEC do fim do mundo -, que cerceia por 20 anos os investimentos feitos em educação e saúde com o dinheiro que o povo gera é o maior insulto que a classe política dominante que aí está no Brasil pôde cometer aos brasileiros de todos os tempos. Do jeito que deu, o povo deu seu recado de que não era a solução e que a desabonava. Driblou todos os obstáculos para fazer sua verdadeira opinião aparecer, já que não pode contar com o Jornal Nacional, e conseguiu. Se os megeros que aprovaram essa Proposta de Emenda Constitucional agiram por vontade própria contra o povo, não o fizeram sem conhecer a vontade da população. É ato de corrupção mesmo, está na veia!

Agora, o que os Estados Unidos, por exemplo, esperam com a desestabilização da sociedade brasileira poderá ser cumprido. Queriam jogar brasileiros contra brasileiros e montar uma guerra civil no país. Para eles intervirem, é claro, como falsos moralizadores que são. E não há escapatória: vamos nos entregar à paixão insana pelo país e impedir da forma que pudermos que os que se beneficiarão dessa reforma orçamentária não vejam seus tiros saírem pela culatra.

Alguns falam em invadir Brasília e derramar sangue. Outros têm ideias melhores para apresentar. Mas, o que vem, pode-se esperar, é anarquia. Se não anarquia violenta, anarquia silenciosa, que é bem pior.

A dor que cai sobre o corpo devido a ferimentos escancarados e pancadas brutais é insuportável, mas a dor promovida pela indignação faz quedar qualquer medo de infringir ética e leis ou arriscar a própria segurança e a própria cidadania. Podem mandar de novo pra cá os mariners americanos para invadir e bancar os apaziguadores, como é de praxe o Tio Sam fazer aonde ele acha que é dono, como vimos recentemente fazer no Iraque e no Afeganistão. O “jeitinho brasileiro” virará “jeitinho bélico brasileiro” e a cobra vai fumar!

Essa administração que faz a cúpula do governo instaurado por meio de golpe de estado me faz lembrar o “Massacre de Ruanda”. Um incidente em que os dois maiores grupos étnicos do país entraram em choque supostamente para se estabelecer como maioria e governar. Uma etnia inteira, a dos Tutsis, foi levada ao extermínio enfrentando facadas e machadadas dadas pelos próprios irmãos da etnia hutu. Estes, bancados na surdina por grupos belgas e de outras nacionalidades europeias, enquanto administrava a paz no local uma hipócrita ONU. Após o sangue derramado ter perdido a atenção dos pacifistas e devoradores de horror do resto do mundo, a paz local foi estabelecida e foi cumprido o objetivo europeu de tomar o lugar para transformá-lo em um rentável paraíso turístico, sem a presença de uma etnia que dificultava a ocupação do território e a respectiva colonização dos habitantes, e contando com os serviços escravos da que sobrou. E é esse o destino que nos reservam se não abrirmos os olhos e nos unirmos quem é contra ou a favor do PT, do Lula, da Dilma e da Esquerda Brasileira.


─ Quanta dor o corpo humano pode suportar, Padre?

─ Eu não sei!

─ Será que quando a dor é demais um fusível queima e nós perdemos a consciência para suportá-la?

─ Eu não sei, Joe, a gente vai adiante!

(Diálogo (adap.) retirado do filme “Tiros de Ruanda” (“Shooting dogs“, BBC, 2005), que retrata a luta de um pregador europeu e seu tutelo vivendo na aldeia tutsi em pleno caos, tentando salvar a si e aos irmãos da congregação, dos ataques hutus que ceifaram, sob o comando obscuro de invasores brancos, mais de 600 mil vidas da etnia tutsi.)