Ramiro da Cartucheira

O capítulo 2 do livro “Os meninos da Rua Albatroz” faz uma referência ao perigoso bandido Ramiro da Cartucheira. Se tratava de um ladrão cruel, serial killer, natural de Jaboticatubas, Minas Gerais, município próximo à cidade de Santa Luzia. Ramiro era notícia toda semana nos jornais impressos e no rádio. Muito do noticiário era forçado, havia o intuito de explorar, até esgotar-se, a audiência que estava dando colocar medo na população valorizando um criminoso que ainda não havia sido capturado. Ou sim, havia sido capturado, mas rendia mais dizer que ainda estava a ser procurado. Ou sequer existia o fato, mas a publicação exaustiva sobre qualquer assunto faz com que o mesmo se torne uma verdade na mente dos que se expõem à informação e ao veículo comunicador. Desde aquela época, 1974, a imprensa já agia valorizando mais os números de audiência e respectivas vantagens comerciais, como venda de exemplares no caso da mídia impressa, e iludindo aquele que dirigia sua atenção aos produtos informativos que era lhes impostos. Em nada isso mudou se observarmos a grande imprensa nos dias de hoje. Verifique o link a seguir para saber mais sobre o meliante: O Desmanipulador: Ramiro da Cartucheira

Ficha do bandido
Ficha policial do bandido Ramiro da Cartucheira

*A imagem pertence ao blog O Desmanipulador

Ordem e progresso

Um registro importante deixado na narração do primeiro capítulo do livro “Os meninos da Rua Albatroz” é o fato de nos tempos do Governo Militar, pelo menos em Belo Horizonte as pessoas, por pressão do regime, comportarem-se de maneira a não ser confundidas com marginais procurados pela Polícia. Por essa razão não era comum encontrar andarilhos ao léu em áreas residenciais, ocupando as ruas sem ser morador delas, convidado de um morador, vendedor ou trabalhador em alguma das residências. E, ainda que nessa situação de andar por uma via sem ser um real utilizador, para não ser importunado por ninguém e ter restringido o direito de ir e vir, ninguém andava em público descamisado, vestido de maneira repugnante ou conduzindo na mão objetos intimidadores, como um pedaço de pau. Estando nessas condições era chamar para si abordagem policial. Também não era comum grupos de pessoas, mesmo que moradores da localidade, sentarem-se junto as esquinas para bater papo em horários noturnos.

Essa mesma preocupação é retratada em um capítulo do livro “Contos de Verão: A casa da fantasia” e não se trata de fazer apologia, mas para garantir a tranquilidade de moradores e transeuntes nas regiões, o que traz ordem e progresso, o modelo de contenção apresentado vale um crédito para o regime militar. Durante todo o livro, enquanto o conto se desenrola, são registrados prós e contras dos “generais”, de seus adversários e também da sociedade em geral.