As maravilhas que faz uma xícara de café

Eles estavam em um salão. Era uma reunião de congraçamento. Havia terminado o treinamento de uma semana, dado por uma loja de departamentos para trinta pessoas que iam ingressar na empresa e trabalhar com vendas. Sete moças e oito rapazes, que resistiram até o último dia de treino e passaram no processo seletivo eliminatório, iam dividir as vagas. Dali em diante seriam colegas de trabalho. Cada um marcaria presença em um setor de vendas específico da empresa.

Havia uma mesa em um canto do salão e sobre ela vários comes e bebes. Salgados, componentes para montar cachorro quente, garrafas de refrigerantes e caixas de suco. As pessoas, todas bem dispostas, passavam para lá e para cá animadas e não deixavam de ir até a mesa para beliscar algum comestível, fazer um cachorro quente ou encher copos com refrigerante ou com suco.

A outra opção era sentar em uma das cadeiras dispostas nos cantos do salão, em grupos de três, quatro ou cinco cadeiras, e formar um grupinho para conversar sobre como foi o curso ou sobre como serão os dias no novo emprego. A alegria no espaço contagiava quem entrasse nele.

Ele estava próximo a uma máquina cafeteira que havia no local. Pensava em degustar mais um pouco do líquido que só estava presente na celebração porque o salão reservado para ela, nos horários de intervalos dos funcionários efetivos funcionava como área para recreação e lanches. Mas, não foi só Ele a ter se interessado em bebê-lo.

Nessa vez que foi até a máquina para preparar para si mais uma dose de café expresso, ele observou ao redor para ver se alguém jazia com xícara vazia na mão. E seus olhos encontraram Ela, sentada sozinha em um canto, com ar sublime e uma xícara pendendo em uma de suas mãos, como se existisse uma leve preguiça de levá-la até a mesa.

Logo ela, que o rapaz achou bastante interessante de se conhecer em um momento extra curso, fora das aulas que estavam tendo. Ele, em vez de preparar só uma dose, preparou duas. E foi para a direção dela.

ELE: Observei que você está segurando uma xícara vazia, imaginei, enquanto eu enchia uma para mim, que você pudesse querer mais um pouco. Aqui está! Se não era isso, não precisa aceitar, eu gosto muito de café! [disse risonho o rapaz]

ELA: Imagine! Claro que aceito! Sente-se aí, eu acabei ficando sozinha nesse canto. Obrigada pelo café!

ELE: Não há de quê! Sei que faria o mesmo por mim!

E os assuntos que os dois levaram, até certo ponto rondaram o que aconteceu no curso. E depois aconteceram daquelas descobertas de coisas em comum que sempre rolam de acontecer quando duas pessoas comunicativas se apegam num canto para conversar. E disso iniciou-se um relacionamento que ficou para ser desenvolvido no novo ambiente de trabalho de ambos.

Originalmente postado no blog “Voa o tempo, amor“.

Começando bem

Tudo indicava que ele ia se dar bem naquele novo emprego. Os especialistas do departamento pessoal da loja de departamentos acharam que ele seria bem aproveitado no setor de vendas de calçados feminino. Ele passava a impressão de que tinha carisma com as mulheres. Elas poderiam entrar no setor só para falar com ele e numa dessas, se ele fosse mesmo bom, arrancaria delas no mínimo uma venda básica. E ele também sairia ganhando, pois, o cargo era comissionado e a empresa íntegra com os pagamentos de cumprimento de metas.

Em seu primeiro dia de trabalho, lá estava ele aguardando a entrada de freguesas. Vestia o traje social de vendedor da loja. No bolso da camisa, bem no lado do coração, uma caneta foi deixada juntamente com um porta cartões contendo cerca de 25 unidades. A loja mandou preparar os cartões com seu nome durante a semana que intercalou o fim do treinamento e a estréia no trabalho. A semana dedicada aos processos de admissão.

Eis que, quase uma hora de espera, pois era um dia de semana, uma segunda-feira, duas mulheres balzaquianas invadiram o setor de calçados femininos para conhecer as promoções que estavam vigorando. Ele nem cogitou ir até lá para perguntar “posso ajudar”. De antemão ele já sabia que isso está entre as coisas que vendedores afoitos fazem e que cliente nenhum gosta de ser alvo dela.

Mas, o treinamento exigia que ele o fizesse. Ele relutava quanto a arcar com a abordagem clássica, mas sabia que precisava usar sua criatividade para abordar as freguesas. Transformou sua entrada de vendedor de sapatos querendo realizar uma venda em uma entrada de conquistador de mulheres bem sucedido. Sem esquecer de seu lema: “hoje o tempo voa”, logo, nada de perder tempo.

ELE: Bom dia! – Disse seu nome para se apresentar – Sou vendedor aqui desta seção e estou à disposição de vocês, mas não quero incomodá-las. Quero que fiquem à vontade e com o meu cartão. – tirou do bolso seu porta cartão, já abrindo a minúscula caixa – Se precisarem de alguma coisa é só levá-lo até mim. Se desejarem fazer isso noutra hora, é só levá-lo com vocês!

As madames ficaram surpresas com a abordagem. Se sentiram pressionadas a levar o cartão até ele. E nem era porque haviam decidido realizar uma compra. Mas a compra foi feita.

Originalmente postado no blog “Voa o tempo, amor“.

Galanteios de sobremesa

Os meses em que trabalhou em uma sapataria foram bem generosos para o rapaz. Ele aproveitou a oportunidade para testar truques e se desenvolver no ramo de atendimento ao público. E fez um curso rápido que lhe gabaritou a atuar no ramo hoteleiro.

Fez tudo o que tinha que fazer para se qualificar. E contou com a sua intuição, com muita motivação e com sua determinação para ir aonde tivesse que ir ou acessar o que tivesse que acessar para saber onde iam parar os anúncios de contratadores do ramo e acabou por sintonizar com a oportunidade que estava nela.

Prestes para iniciar em uma vaga em um hotel do litoral cearense, como garçom, ele rumava, ordenado por seu superior, para uma mesa onde havia quatro mulheres. Aguardou um tempo as observando, agindo nesse ínterim como um ator a encarnar uma personagem, e depois, já nela, com o cardápio na mão e todo garboso em seu alforje branco e preto ajustado em seu corpo esbelto preparado cientificamente em uma academia de ginástica, também durante os meses em que atuou como vendedor de sapatos, ele lançou um de seus scripts vencedores à mesa que foi atender.

ELE: Boa tarde! Observei que vocês decidiram por esta mesa e vim me apresentar.

Ele disse o nome dele e disse também que era quem iria cuidar de atender às jovens senhoras em passeio turístico. Completou dizendo que isso lhe deixava muito satisfeito. Agradeceu a elas pela preferência e informou que mesmo à distância ele não tiraria os olhos delas, por isso seria fácil a elas lhe chamar quando quisessem alguma coisa.

O truque hipnótico fez tão rápido seu efeito, que a mais assanhada das quatro moças não hesitou em confessar que o chamaria o tempo todo só para ouvir galanteios. É um item que os garçons podem levar à mesa, que não tem em nenhum cardápio de bar ou de restaurante, mas, que todo mundo que sai para se divertir gostaria de encontrar como cortesia da casa.

*O truque hipnótico usado pelo garçom você já sabe: estará descrito no livro que este blog demandará.
*Postagem transportada do blog Voa o tempo, amor.