A democracia brasileira ainda virá

Escrevo neste artigo sobre a maior mentira que um professor de história tem que contar dentro de sala de aula de Ensino Médio e Fundamental: a redemocratização do Brasil.

Isso é mentira porque nunca vivemos uma democracia após o golpe militar de 1964. No máximo trocamos o regime: saímos do militar e caímos no civil. No civil vivemos uma ditadura de parlamentares. Teria tido a condescendência do povo a privatização de empresas públicas feitas pelo PSDB? Não mesmo.

Acostumamos a pensar que democracia é ter liberdade pra fazer e dizer o que se quer, mas,  liberdade de ação e de expressão são itens gerenciáveis de uma democracia.

A palavra democracia quer dizer “governo do povo”. Sendo assim, os itens gerenciáveis podem sofrer regulamentação: se o povo decidir que determinadas ações não podem ser feitas a bel-prazer e idem para determinadas palavras, então está assim decidido para o coletivo respeitar.

Pois bem, quando foi que o povo governou, ou seja: decidiu como se comportaria a sociedade ou como seriam distribuídos os recursos do país, de 1985 pra cá? Para dizermos que é o povo quem governa temos que vê-lo satisfeito com as situações típicas de governo.

É claro que não dá para agradar gregos e troianos, por isso há o consenso de se decidir pela maioria. E essa decisão é tomada mediante votação.

E aí que se situa o grande problema dessa tal de democracia brasileira. Ao invés de votarmos em soluções para os problemas, votamos em pessoas e partidos para evidenciar os problemas e discutir entre eles as soluções. Muitas vezes os problemas que eles evidenciam não são reais ou cruciais e as soluções que eles apontam não atendem às demandas ou não são confiáveis. Quem precisa gastar um burro de um dinheiro com impeachment em vez de obras sociais ou de infraestrutura?

Correto seria se houvesse uma repartição pública onde qualquer cidadão pudesse deixar o problema que passa. Na era da informática, da Inteligência Artificial, da mineração de dados e da tecnologia de pesquisa, um sistema de gerenciamento de banco de dados poderia classificar as solicitações por ordem de repetição para criar uma ordem de prioridade. Problemas iguais agrupados.

Os políticos passariam na repartição tão somente para pegar os relatórios e escolher um projeto para representar.

Na verdade, nem se precisaria de políticos: o SGBD faria tudo. Até mesmo calcular a viabilidade de cada solução das que ele mesmo encontrasse para cada projeto que ele analisasse. Criaria orçamentos, distribuiria licitações e encaminhamentos em geral. Sem favorecimentos, sem propina — máquinas e sistemas de bancos de dados não precisam de dinheiro —, sem superfaturamentos.

Mas, pra não reduzirmos empregos e não entrarmos numa infocrafia (há algum problema por eu ter sido neologista talvez?), deixemos os políticos representar os projetos e o povo votaria naquele político que defende o projeto que ele acha mais necessário ou, por que nao, encaixa mais os seus interesses.

O político que fosse eleito, o seria para viabilizar o projeto que decidiu representar. Teria compromisso indelével com ele e quatro anos para resolvê-lo, junto com seus assessores, e pô-lo em prática.

Os salários que os políticos ganhariam não seriam as vedetes dos cargos. Não há porque políticos ganharem salários exorbitantes e mais regalias, que sobrecarregam as receitas do Estado, corrompem os políticos a exercerem cargos públicos por dinheiro e os faz postergar obras para que elas existam sempre para fazer e eles iludam as massas com eternas promessas de cumpri-las, o que garante reeleição de candidatos e de partidos.

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