O que pode estar por trás da depredação urbana

Esta semana em Belo Horizonte saiu na mídia uma notícia diferente do trivial quando o assunto é depredação urbana. Um pichador que teria pichado a Igrejinha de São Francisco de Assis, que faz parte do conjunto arquitetônico da Pampulha, foi preso como suspeito. Geralmente, quando se trata de reportar pichação em monumentos, públicos ou não, na cidade, se move a população a revoltar-se contra o vandalismo, a se educar quanto ao problema e a sentir pesar quanto à pseudo perda de riqueza e de beleza que sofre a cidade por causa dos temidos pichadores. Falam do dinheiro público que será gasto com restaurações, mas, não apresentam — e nem se preocupam em apresentar — nenhum possível autor dos crimes.

Particularmente, acho uma tremenda de uma bobagem o que fazem esses pichadores de hoje, caso eles tomem a iniciativa de pichar. Antigamente, pichar era algo nobre, ideológico, típico de um ser politizado, que gostaria de chamar a atenção para uma causa ou para uma informação tapada e não encontrava apoio na mídia comum. Ou, senão, de um sujeito esperto que aproveitava os espaços públicos para divulgar e vender o seu peixe. No livro “Os meninos da Rua Albatroz”, cito o exemplo de um comerciante de cães da raça fila, de São Paulo, que pichou vários espaços públicos em várias cidades do país com a inscrição “Cão fila Km 21”.

Outra coisa que já me desvencilhei dela é me preocupar com o patrimônio histórico, com monumento público ou com outros pontos turísticos da cidade. Os administradores da cidade fazem o que querem com ela em sua gestão, quando o povo quer fazer alguma coisa eles nos enchem de taxas. Isso quando nos liberam um imóvel, uma praça ou outro espaço.

E outra, eu às vezes subo ou desço a Avenida Amazonas, e vejo nos dois lados aqueles casarões antigos, bonitos, de arquitetura antiga e requintada, abandonados, depredados, acabados. O que antes abrigava famílias clássicas ou empresas de pequeno porte que contribuíam com a empregabilidade na cidade, hoje hospeda vagabundos e é alvo de descaso. Os donos daqueles imóveis possuem outros em toda a cidade e são especuladores do setor imobiliário. Eles nem os vendem por preços acessíveis, nem os utilizam enquanto não veem vantagem nos pontos onde os imoveis depredados estão.

Eles também não os doam para o patrimônio público, mas gostam de se valer do dinheiro público quando por algum motivo a prefeitura precisa restaurá-los para melhorar o aspecto da avenida, tornar com a harmonização imobiliária mais pacífica a região ou oferecer boa vista para alguma celebridade que em visita ao município passará pelo local.

Eu é que não me deixo fazerem-me de refém do sentimento de orgulho que esses poderosos tentam nos fazer sentir pela cidade e seus dotes paisagísticos só para que desejamos que as regiões onde existem desses imóveis estejam sempre preservadas e transpirando beleza, graças ao poder municipal, quando deveria sair do bolso dos proprietários dos imóveis o dinheiro das restaurações. Eu boicoto mesmo! Boicote de colaboração e de obediência ao sistema.

O que mais me incomoda nessa questão da depredação urbana, que não envolve apenas pichação, mas também quebradeira, como as que aconteciam nas estações do Move quando este foi lançado, são os motivos políticos que justificam os atos de vandalismo.

Muitos pichadores ou quebradores são contratados por grupos empresariais e políticos para promover badernas, a fim de criar instabilidade social, devido à violência, clima de insegurança, descrédito de político-gestor ou da administração pública vigente, necessidade de reparos. Com isso se mantém ou se derruba governos municipais, políticos e partidos. Muito do vandalismo que se noticia é golpe de parlamentar, que está em moda hoje em dia no país e que sempre sustentou administração pública e campanhas eleitorais por essas bandas.

Mantém porque a cidade precisando de obras de reparo dá razão para o trabalho de vereadores e do prefeito, bem como da necessidade de se elegê-los. Nisso, empresas que ganham licitações para prestar serviços ou fornecer material para a prefeitura podem contar com ordens de serviço. A corrupção rola solta nesse sentido. Coisas como fornecedor de vidro para as estações do Move contratar vândalos para apedrejá-las na calada da noite, a fim de criar a necessidade de reposição do vidro e cuidar desta, é passível de acontecer. E a mídia fatura fazendo isso parecer verdade.

Se derruba quando se contrata a mídia para criar a imagem de impotência ou de descaso de uma administração pública face a ação dos vândalos. Tipo de golpe praticado pela imprensa que o belo-horizontino já se cansou de ver a TV Globo golpear o prefeito Márcio Lacerda e o, de praxe, por ser petista e a manipulação da opinião pública que a Rede Globo pratica serem pagas, como se suspeita, pelo PSDB, Governador Fernando Pimentel.

Que se dane a depredação urbana. O caso da igrejinha da Pampulha prova que se for do interesse dos gestores da sociedade o crime de vandalismo não proliferaria.

Nunca se esqueça; escrevo para mim mesmo!

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