A garota da manifestação

Agora o Blogger vai acabar mesmo. Então, vou transferir para cá algumas postagens que publiquei naquela plataforma. As do blog “Voa o tempo, amor” entrarão dentro dos tópicos discutidos no livro “Contos de Verão: A casa da fantasia”. Não utilizarei as imagens e nem as versões em inglês dos textos. Segue o primeiro conto, que foi o último publicado no respectivo blog.

Foi a liberdade de trabalhar em qualquer corredor nos dias de sábado que fez com que ele reencontrasse ela após o tumulto ocorrido na porta da empresa onde trabalhavam, por conta de uma paralisação para exigir direitos, organizada pelos funcionários através do Whatsapp. Foi a ausência de lideranças que fez com que a rebelião de protesto alcançasse adeptos e saísse bem sucedida. Mas, o que chamou a atenção dela para ele foi o empenho dele ao protestar. Mostrou ativismo e desejo de mudar as coisas para melhor naquela companhia, para que todos pudessem trabalhar com dignidade e em paz.

Foi ela quem o reconheceu. Logo que ele chegou procurando uma máquina para logar nela e trabalhar. Ele teve que se esforçar um pouco para se lembrar dela, pois, ficara ele na ocasião meio desatento por causa do foco que manteve na questão para a solução da qual todos que se envolveram lutavam. Se apresentaram um ao outro mais formalmente. Souberam cada um o nome do outro. Ele se agradou do semblante tímido e carente da moça.

Ao lado dela havia uma colega de equipe. Esta distribuía um impresso a todos que chegavam. Com ele não foi diferente. Era um folheto que anunciava o bar que a filha da propagandeadora lançava. Iniciaria o funcionamento naquele dia. Ele achou a propaganda bem feita e o local do estabelecimento bem prático de ir.

Arriscou ele ser cortês na recepção do material, já tentando se valer do momento para saciar sua incontinente sede de conquistas amorosas. A doce militante mexeu rapidamente com os seus hormônios e eles borbulhavam em seu interior, exigindo providências para acalmá-los. São nossas células e hormônios que nos movem a fazer qualquer coisa.

ELE: Gostei muito de receber esse convite impresso. Se a Lorena não for comprometida e não se importar de sair com um cara como eu, já tenho até companhia para ir conhecer o bar da sua filha.

Disse ele, olhando para a nova colega de trabalho, que guardava um semblante tímido, que revelava certa esperança de conhecer alguém para fundar um compromisso. Não só sair uma tarde ou uma noite para conhecer um barzinho. E ela, sorrindo, respondeu-lhe já explicando a resposta.

ELA: Sim e não! Sim, aceito ir com você; não, não sou comprometida!

Foi-lhe a deixa para replicar:

ELE: Então é sim e sim! Vamos ao bar e você passará a ser comprometida.

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