A Idéia: Capítulo 1

A Idéia fica melhor entendida se fizermos uma análise da situação atual do Brasil. Levemos em conta como as pessoas estão se virando para ganhar dinheiro e tocar a vida e como aqueles que estão empregados encaram seus empregos.

A primeira turma compreende à classe dos mascates, o pessoal do trabalho informal. Alguns infestam as calçadas no Centro das grandes cidades, oferecem concorrência aos lojistas regulamentados em matéria de preço de produto e na maioria das vezes o máximo de desapontamento para seus fregueses no que diz respeito à qualidade do produto que vendem e de risco à sua saúde no que diz respeito à forma com que a mercadoria é apresentada e a higiene do local onde o camelô se instala. Tem muito também de gato por lebre: você compra um pendrive bonitinho, embaladinho, e quando coloca no seu computador para usá-lo descobre que não existe chip de armazenamento dentro da carcaça dele. Há o incômodo de comprar sem nota fiscal e também sem garantia ou com garantias duvidosas para o caso de estrago do item adquirido. E quando o produto é roubado?

Já os que trabalham com a carteira assinada estão talvez em situação pior. O patrão agora está com a corda toda para pagar o quanto quiser e pelo que quiser pagar. Salário Mínimo agora é insumo de promessa de campanha eleitoral. Nada mais. O empregador também pode colocar seu funcionário para trabalhar mais de oito horas por dia, os dias que o patrão quiser que ele trabalhe, idem com relação ao horário. Se o patrão precisar do funcionário em dia de feriado ele pode tê-lo trabalhando. Se este faltar perde o dia mesmo sendo feriado. E ainda pode levar sanção conforme o RH da empresa onde eu trabalhava tentou me intimidar alegando isso. É claro que comigo o buraco é mais embaixo e o que argumentei para a analista de recursos humanos desinformada lhe deixou com a guarda baixada. Embora no meu caso valeu o que ela me disse, mas, por fraude: O MT acobertou as costas da empresa. Mesmo eu tendo provas contra ela. Coisa que nem o STF teve contra o Lula, como ficou conhecido esse caso.

Muita coisa que a CLT protege, na prática virou outra. E quando o trabalhador vai reclamar na Justiça do Trabalho é ao empregador que será dada a razão. E o reclamante ainda paga os custos do processo.

A CLT virou livro de história mesmo para aqueles que tiveram seus contratos assinados tendo em vista seus termos na ocasião em que o assinou. O que é um disparate tão grande que dá até para desconfiar que a OAB também receba propina desses políticos representantes dos patrões para não solicitar adendo ou revogação da Reforma Trabalhista com base em argumentos legais e indeléveis. Ou seja: que não podem ser mudados pela arbitrariedade de políticos que recebem a confiança do eleitor para representar seus direitos e acabam o leiloando aos interesses do capital. E do seu próprio bolso.

Ah: e ao que parece o patrão agora não precisa mais criar provas contra si entregando comprovante de ponto, expondo em público quadro de horários para que o trabalhador tenha cópia do que foi estipulado como sua escala em determinada semana ou mês. Até o holerite o patrão não é mais obrigado a entregar para seu colaborador uma via assinada pela empresa. Tudo além de ficar suscetível à alterações infames conforme a conveniência do patrão, fica incapaz de ser comprovado pelo trabalhador. Que atraso que o país sofreu com esse governo ilegítimo instaurado – pasmem – pelos patrões em 2015.

A matemática para o Ministério do Trabalho, principalmente para os juízes, funcionaria assim: Trabalhador empregado é igual a INSS sendo recolhido. E é esse imposto que enche os bolsos dos juízes e outros funcionários do Estado. Se a empresa estiver em dia com os depósitos é o que basta para ela ganhar qualquer causa movida por trabalhador contra ela. É a propina lícita e implícita. Então, porque permitirão que um trabalhador mesmo que saturado das injustiças que sofre de seu empregador fique desempregado? Ele que se dane e suporte o fardo, pois, é apenas uma rés do gado. E ainda o põem pra ouvir aquelas frases doutrinárias para lhe lavar o cérebro: “a crise taí”, “a coisa tá feia”, “ficar desempregado não é bom”, “ruim com isso, pior sem”. O tiro só sai pela culatra se o empregado é cuidadoso e não se submete a nenhum canal que programa mentes para o sistema. Como a televisão, o rádio, os jornais, as redes sociais na internet.

E depois, possibilitar demissões aumenta as estatísticas de desemprego. Isso assombra os governos em situação. Assombra o prefeito em uma cidade, o governador em um Estado e o presidente da república. Logo, para que sua administração não se torne impopular por causa da empregabilidade baixa e achate sua carreira política, os governantes exigem dos que eles podem exigir que impeçam o mais que podem o fantasma da demissão.

E tem mais: Funcionário demitido com todos os direitos ganhos esvaziam os cofres da Caixa Federal com a retirada do FGTS e obriga o Governo a tirar do fundo específico a verba do Seguro Desemprego. Maldito PT que inventou essas regras!

Com esse cartel formado: Empregadores, órgãos públicos de justiça do trabalho e ainda duas entidades que não foram mencionadas: os sindicatos laborais e os partidos políticos, tanto os de esquerda quanto os de direita e centro, o ato de estar a prestar serviço nas organizações se confunde com trabalho escravo.

E eu estava nessa segunda situação. Sendo explorado pelo empregador, recorrendo à sindicato, MT, às vezes o SUS para tentar afastamento. E tendo o amparo negado. Restando para mim aceitar o trabalho escravo que aqui no Brasil chamam de emprego com carteira assinada.

A empresa onde eu trabalhava me devia multa de férias, que quando recorri ao sindicato laboral para forçá-la me pagar essa entidade corrupta entrou em contato com o meu empregador e juntos bolaram um plano que consistia de o sindicato demorar a entrar com o processo na Justiça do Trabalho e por causa da demora deu-se o perdão, conforme a CLT, e eu perdi a oportunidade da reclamação. Fora os outros atrasos de pagamento e perseguição dentro da empresa por eu ser questionador e chamar à responsabilidade tudo o que praticavam contra mim.

Foi querendo fortemente sair desse quadro de existência que tive a atenção chamada para os vendedores de balas no interior dos ônibus. E foi verificando que os ambulantes que eu via entrar nas lotações e sem vergonha nenhuma oferecerem balas para os passageiros e arrancarem deles trocados que sem ter patrão algum e passar pelo o que eu passava lhes garantiam o sustento é que a Idéia me apareceu.

No próximo capítulo vou falar sobre a anarquia que assolava ao meu redor e que me deixava muito indignado, até que um dia percebi que talvez os anárquicos estivessem fazendo algo que poderia ajudar a resolver muitos dos problemas que a sociedade sofre por negligência das autoridades cabíveis e me tirar da situação que eu vivia.

A Idéia – Introdução

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