A Idéia: Capítulo 2

O Capitalismo para funcionar precisa de certos comportamentos das pessoas inseridas no regime. E a indiferença ao que o Capitalismo sugere, o chamado niilismo, é um dos comportamentos lhe destruidor. O niilismo por si só ainda não é a anarquia. Uma pessoa vivendo dentro do regime pode muito bem, por exemplo, abrir mão de possuir um celular e deixar de passar o dia inteiro teclando nele se ela assim desejar.

Tipo de atitude irreverente que ameaça a sobrevivência de uma das manias que sustentam o Capitalismo atualmente: o uso desenfreado do telefone celular. Se várias pessoas são contaminadas com essa proposta de comportamento, citando dois exemplos do que isso pode significar, as operadoras de telefonia móvel ficam sem ver receita e os fabricantes de aparelhos ficam sem saída para seus produtos.

Isso prova que a força está com o consumidor e poderia ser ele a dar as cartas para que o mercado atue de modo a atendê-lo tal qual ele deseje. O lema seria “ou faça como eu quero, ou eu não uso isso“. E ainda: “faço eu mesmo o que eu precisar“. Ninguém mais compraria de ninguém, ninguém mais frequentaria o evento que outros promovessem, ninguém mais bancaria o puro e simples contribuinte. O gado se extinguiria. Um modelo mais aproximado do que seria o comunismo no tópico exploração do consumo se estabeleceria.

Para tentar impedir que essa ameaça se configure, os capitalistas por trás dos empreendimentos fazem uso de controle mental de massas. Através da mídia, principalmente os veículos de comunicação de massa, injetam na psique das pessoas nas sociedades sugestões para adesão daquilo que eles propõem e temores pelo o que supostamente originaria caso a desobediência viesse.

Essa é a metodologia empregada pelo sistema religioso. A Bíblia, por exemplo, é um livro repleto de mensagens cativadoras que assediam seus leitores e amedontradoras, que têm o objetivo de desencorajar quem ousar não se sucumbir ao cativeiro. A Bíblia ensina a amar e a temer.

Se o adepto ao que é ordenado na Bíblia por algum motivo promove desobediência, as figuras da tentação do demônio e do fogo do inferno aparecem como punições. Em primeira instância tentam chegar o caboclo ao eixo. Em segunda, em outras épocas poderiam legar casos de eliminação do desobediente com base no desrespeito às supostas palavras sagradas e alegação de possessão do demônio.

Deus, na Bíblia, representa um modo de vida a ser levado e o Demônio o castigo que advém aos que não se sujeitam ao tal estilo. No caso, esse estilo é o pensado por judeus cristãos e foi o responsável por derrotar os romanos e modificar a roda do poder no mundo. O mundo hoje, pelo menos no Ocidente, é dos judeus, que outrora eram perseguidos pelos romanos e outros povos. O Cristianismo é um brilhante plano judáico para sair da opressão que a etnia sofria e ainda chegar ao poder.

À base de imposição do medo e de punição, esse sempre foi o modo da Igreja Cristã governar e os governos propriamente dito se valem desse mesmo método para disciplinar seus subordinados, devido à alta funcionalidade, que no sistema religioso está presente para grande parte da humanidade até nos dias atuais.

Entretanto, mesmo com o emprego de mecanismos de controle mental e comportamental, a ameaça de anarquia ronda. Quase invisivelmente a anarquia está em prática em diversos mercados. Combatendo, silenciosamente, inclusive o poder de persuasão e administração de pessoas que tem o Cristianismo.

Listando as atitudes que promovem essa ameaça, pessoas evitam marcas, boicotam produtos, compram sem nota fiscal. Fazem gato nos serviços que utilizam cabeamento. Se lançam ao trabalho informal. Buscam comprar somente deste mercado. Não seguem a grade escolar e fogem da escola sem concluir pelo menos o Ensino Médio. Duvidam da integridade das informações que compreendem uma série de opções de entretenimento. Quando não se tornam completamente alheias, duvidam do que informa a imprensa corporativa e o Governo. Não comparecem em campanhas de vacinação, não vão à Igreja, não veem televisão. Não compram alopáticos e alimentos inorgânicos. Debocham de políticos e nas eleições votam em candidatos sem expressão nas pesquisas oficializadas, que eles consideram suspeitas, ou votam em branco e nulo. Tudo isso é comportamento que compromete o funcionamento do sistema tal qual ele está arquitetado para funcionar. Tudo isso é anarquia, é guerrilha silenciosa declarada ao Sistema.

E o outro lado da anarquia é ainda mais preocupante, pois, mantém o status quo do consumo pretendido pelos administradores do Capitalismo, só que inibindo o direcionamento das divisas arrecadadas. Camelôs, por exemplo, só pagam impostos quando compram os produtos que irão revender. O restante é sonegado. Isso se seu fornecedor também não sonegar o imposto sobre a mercadoria que fornece.

Numa ponta qualquer desse iceberg se encontra a pirataria. Produtos são falsificados e disponibilizados a preço de banana para a clientela. Fica sem venda os concorrentes lícitos, que são quem paga salários para o grosso da população consumir e quem recolhe impostos, ficando sem arrecadação o Governo. E definhado o Sistema.

O produto pirateado mais interessante de se analisar é o compact disk, vulgo CD. Uma gravadora lança numa noite um trabalho novo e já nas primeiras horas da madrugada seguinte na banca de camelô da esquina se pode ver a cópia perfeita sendo oferecida a preço destituido de impostos e outros custos, como por exemplo o aluguel, já que ambulantes usam espaços públicos para atuar.

E mesmo o contrabandista de CD terá sua vantagem em relação ao produtor legítimo durante algumas horas apenas. É só o tempo do primeiro comprador adquirir sua mercadoria, ripá-la em MP3 e oferecer para download em uma conta de hospedagem de conteúdo nas nuvens. Sem importar se a conta é paga ou não, o download sai gratuitamente para quem quiser baixar. O link para download viraliza facilmente pelas redes sociais e pelo Whatsapp. Só não é tão gratuita a aquisição do arquivo porque o acesso à internet não é muito garantido de se poder fazer gato.

A indústria tenta combater esse fenômeno social sabotador do Capitalismo. No caso do CD, tenta criar nas pessoas o desejo pela volta do disco de vinil, que teoricamente é mais difícil de ser copiado, exige equipamentos caros para a produção em larga escala e para ser vendido por mascates não é muito viável porque o preço se parecerá com o de uma loja, que pode dar garantia de troca e devolução em caso de insatisfação. O CDL não aceita comerciantes ilegais em seu catálogo, por isso, os benefícios que um lojista regular pode oferecer ao consumidor não lhes são estendidos.

Havendo sucesso nessa investida, outros produtos que se tornaram digitais ou facilmente pirateáveis podem passar pelo mesmo. Dá até para imaginar um programa de variedades exibido na televisão enaltecendo a fita K7 ou a VHS, dizendo que havia mais qualidade na imagem que elas exibiam, que o som da agulha do cabeçote ao tocar os sulcos da película na pista de áudio o sistema digital não consegue imitar, privando o ouvinte de um prazer supostamente imensurável. E nada de falar sobre rolos embolando, ter que avançar e retroceder para chegar ao ponto que se quer assistir, ficar preso à opção única de idioma e à indisponibilidade de se desativar a legenda. Precisar de um apartamento inteiro para guardar fitas com a mesma quantidade de filmes e músicas que consegue armazenar um CD ou um DVD. Fora a portabilidade que possui, por exemplo, um pendrive ou um SD card.

Paralelamente à anarquia que faz evadir renda dos produtos mercantis, há a que faz o mesmo com os serviços. O exemplo mais clássico é o do setor de transportes. Passageiros que não querem pagar passagem pulam roletas, descem pela porta de entrada do ônibus ou entram pela de saída. Caroneiros cobram menos do que a tarifa para levar pessoas pelo mesmo itinerário dos ônibus. Às vezes conseguem, inclusive, dar ao passageiro a opção de pagar a corrida com o seu cartão de passagem, pois, conseguem burlar as máquinas que intermediam a cobrança. As concorrências legitimadas como a que faz o transporte por aplicativo, como o Uber aos serviços de taxi, também devem ser lembradas como promovedoras de aniquilamento de mercados, empregos e rendas.

E essas cabulações e operações de aniquilamento estão presentes em uma série de negócios. Mas, a Idéia consegue inibir todas elas.

Continue acompanhando as postagens. Reaja a elas se puder, para que possamos saber que o projeto está agradando. Na próxima postagem vamos falar sobre a necessidade de redução populacional que passa o Capitalismo. E vem por aí: “Volta aos primórdios” e “Sobrevivência à custa de negócios desonestos”.

Leia também:

A Idéia – Introdução
Capítulo 1

Uma consideração sobre “A Idéia: Capítulo 2”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: