Mas chegou, o Carnaval…

Da definição de corrupto com relação à política no Brasil, não salvam nem os direitistas, nem os esquerdistas e nem o eleitor.

Havia uma faixa numa esquina de um bairro operário, em frente a uma faculdade particular, a qual continha a inscrição “Acorda, Brasil: Os políticos estão destruindo o país“. Na certa, a mensagem se referia à corrupção que assola essa terra e que é atribuída aos políticos.

A placa foi vista da janela de um ônibus. E dentro dele, um homem com uma sacola entrou pela porta de desembarque e, na base da exploração da fé e da comoção humana, tentou vender seus babilaques de péssima qualidade, alegando ser a forma de se ajudar uma suposta casa de recuperação de drogados que supostamente não recebe ajuda do Governo ou da iniciativa privada.

Por sua vez, se essas instituições não ajudam casas de recuperação desse tipo é porque têm interesse em que a questão da droga e dos drogados no país permaneçam do jeito que está, pois, lhe é mais rentável. O Capitalismo precisa disso. Aquele que tem o celular roubado por um noiado, terá que comprar outro, então, fará girar o consumismo dessa área comercial. Este é só um exemplo da aplicação dessa regra.

Depois, uma mulher que sentava-se antes da roleta, pagou a passagem ao motorista, rodou a roleta e perguntou a ele onde era o próximo ponto de parada. E este respondeu para ela: “Aonde você quiser eu paro“. Em pleno expediente de trabalho, com a responsabilidade de conduzir pessoas em segurança, o homem tirou um tempo para xavecar, dando prioridade de salto para uma passageira em especial, enquanto os demais não teriam a mesma oportunidade. E, ainda, se esta quisesse parar em local indevido, conforme a fala do condutor não haveria qualquer problema.

Na página de trás do jornal que um passageiro lia, estampava-se a dificuldade que o Atlético Mineiro teve no dia anterior para classificar para a Segunda Fase da Copa do Brasil 2018. Era jogo único, o Galo jogava no Acre e se empatasse seguia a diante. E foi o que aconteceu. Se acontecesse a vitória do anfitrião, o gigante de Minas Gerais teria se despedido da copinha logo na sua estréia. Isso faria mal financeiramente não só para ele próprio, mas, a ausência dele no campeonato faria mal para todo o complexo do futebol brasileiro e principalmente para o tal torneio.

É, claro, para que o torcedor crítico e principalmente o do Norte não pense que essa nova regra é de fachada, que sempre haverá empate nos jogos envolvendo grandes clubes e sediados em regiões tensas ou sempre haverá a cena novelesca em que o time visitante ganha apertado para não dar muita bandeira, algum clube grande do Sudeste ou do Sul teria que pagar o pato. E este, nessa primeira rodada, foi o Botafogo do Rio de Janeiro. Me engana, que eu gosto! Que nem Italia, Espanha e Inglaterra saírem na Primeira Fase do Mundial 2014 para não atrapalhar o grande plano político por trás daquela copa do mundo de futebol, que culminou no forjado 7 a 1 para a Alemanha sobre o Brasil no Mineirão pela Semifinal do torneio.

Quem não sabe que o referido jogo pela Copa do Brasil 2018 foi combinado para dar empate? Parecer suado, com o time local marcando primeiro, para dar ar de jogo sério e de busca deste pelo resultado. Ter tido os acreanos boas chances de fazer o gol da vitória não fosse a pontaria ruim dos centravantes para matar a partida. Jogadores do Galo também perdendo gols feitos para não fazer desandar o empate engendrado. Ter o número do craque do time que machuca em campo (no caso um tal de Polaco) e por isso deixou a desejar com a sua exibição, no final da partida, sem, no entanto, levar acusação de culpa na desclassificação e perder sua condição de ídolo da torcida.

Toda essa engenharia de partida de futebol é necessária para tudo parecer real. Afinal, o torcedor que encheu o estádio pagou ingresso e torceu, cheio de esperança, contando com que a classificação do seu clube do coração estava entre as possibilidades de resultado. Ele não quer saber se há acordos entre clubes de futebol no país, instrumentos da mídia, lobby de empresários e as confederações para fazer funcionar mercantilmente essa indústria esportiva.

Depois, foi a vez de pivetes cabularem a passagem pulando roleta. O ato foi visto até por policiais do lado de fora da lotação, mas, fizeram vistas grossas para não ficar pior o problema. Preferiram permanecer tocando a tela de seus celulares dentro da viatura do que ficarem atentos às atividades para as quais o povo paga eles para realizarem.

Na tela do celular de alguém, centrando, ainda, no interior do ônibus, o site do MSN manchetava que os políticos em Brasília esvaziaram o Congresso para o recesso de carnaval. Tendo passado um árduo ano votando “contra a corrupção” e mandando gente que os incomoda para a prisão ou para ter seus direitos políticos cassados e ficar sem como ser reeleito presidente da república, nada mais justo do que dez dias de recesso para cair na folia às custas do dinheiro público.

Diante a tanta conduta duvidosa praticada pela população em geral, que não se resume só aos exemplos citados, ninguém representa tão bem o povo quanto o político corrupto. Ele está lá para representar o seu eleitor e ele, com a sua moral, o representa. Ele é corrupto e o seu eleitor também é, vamos combinar! Cada qual com seu igual.

Só resta, pra nós do povo, que o ano inteiro dançamos, criar um sambinha e se divertir com ele. Aí vai o meu…

Moro, no país da capital
Abandonada por Deus
E fudida pela natureza
Mas, que pobreza
Em fevereiro (em fevereiro)
Tem o Carnaval (pra fazer mal)
Que ofusca a corrupção
Xô Flamengo, TV Globo e sua negra tristeza.

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