Tecnologia da escravidão

Continuando a série que pretende formar um manual de engenharia social, vamos dar uma pausa na apresentação de técnicas e entrar numa reflexão que põe em xeque todo o modelo de sociedade cultivado no Ocidente. Mais precisamente o chamado American Way of Life (modelo de vida do americano).

fantoches

Você já parou para pensar sobre a função do desenvolvimento tecnológico? Inicialmente nos fazem acreditar que se desenvolve tanto tecnologicamente a sociedade pelo simples objetivo de lhe facilitar as tarefas cotidianas, facultando aos membros dela menos esforço para realizar essas tarefas e mais tempo para gastar com ócio.

O que eles fazem na prática é reduzir a necessidade de pessoas na produção, legando a sociedade, com isso, problemas de desemprego. Desemprego que não seria problema se em contrapartida o sustento das pessoas fosse provido pelo Estado. Mas, não é isso o que acontece.

O que acontece são as pessoas continuarem a precisar arcar com compromissos e esse arcar depender de dinheiro. Dinheiro que falta por não haver emprego, a forma tradicional de obtê-lo. A premissa do mercado aberto e da oportunidade para todos enveredarem em negócios próprios para não ter que contar exclusivamente com ocupações em empresas, se fosse absolutamente verdadeira não veríamos na competição mercantil tanta manobra para derrubar pessoas que buscam se virar autonomamente, como os mascates, as marginalizando e as colocando sob fiscalização seguida de repressão, sob a alegação de tirarem venda ou serviços das empresas, que pagariam impostos e gerariam emprego.

Essa gestão, então, é comprometida pelo excedente populacional que não tem condições de praticar o consumo por não ter trabalho e que não encontra oportunidade para trabalhar, devido à escassez de vagas no mercado e ao cerco ao empreendedorismo praticado pelo Estado sob demanda solicitada pelos grupos econômicos hegemônicos. Esse excedente, por sua vez, para os gestores deve ser eliminado.

Ocorre, invisivelmente e blindado pela atribuição de se tratar de teoria conspiratória as acusações que chegam ao grande público, o uso de táticas de controle populacional e de práticas de geração de demanda falsa ou inútil de consumo. O controle populacional visa eliminar populações inativas e a geração arbitrária de consumo visa a manutenção de empregos e de lucro para os empreendedores aceitos. O culto à futilidade e ao afazer desnecessário são imprescindíveis que façam parte do cotidiano do contingente de contribuintes do Sistema – idiotas-úteis, como Gramci chamou.

Para que tudo funcione, muita engenharia social é adotada. A saúde e o intelecto das pessoas são manipulados. Os hábitos e as crenças dos indivíduos são condicionados. São a debilitação salutar, a orientação intelectual deturpada e a manutenção de hábitos e crenças manejados que sustentam o modelo social. Cultivando essas instituições, as pessoas são carregadas até as iscas que o Sistema joga para fisgá-las. A mídia é a instituição que doutrina os costumes e os credos que não são pertinentes à Igreja. É quem arma as armadilhas para a indústria cativar e explorar seus operários e seus consumidores.

A indústria alimentícia fatura fornecendo veneno para os consumidores ingerirem e formando, com isso, doentes para a médico-farmacêutica. A do entretenimento, a do esporte e a da moda faturam emburrecendo, infantilizando, futilizando e alterando a sexualidade dos que se submetem a elas. A da droga, do tabaco e a do álcool recebem a tarefa de propiciar o caos que favorece a administração de indivíduos e as promessas que levam à cargos políticos. Os latifundiários ditam as regras para os meios fazendeiro e imobiliário. Os governos providenciam leis e gerenciamento para que essa elite oligárquica sempre consiga a adesão dos contribuintes do Sistema.

Cada grupo de fantoche alimenta um mercado criado para ele. O comportamento dos membros de cada grupo, minuciosamente pensados por psicólogos sociais em institutos específicos, resultam de matrizes de comportamento que são implantadas através da escola, da igreja, da mídia e até da família.

O meio militar assegura o andamento da carrugem tal qual exige o Sistema. E tem também a função de garantir a integridade da propriedade privada e os interesses do Capital. Engana-se o popular que acredita que a função da polícia é proteger a população. E que a do Exército é garantir a soberania nacional.

Todos os mecanismos corporativos, institucionais e políticos nesse complexo cooperam entre si por uma causa em comum: sustentar-se no poder e gozar seus membros, por gerações e gerações, de vida farta, cheia de regalias e garantida de jamais ter o status quo alterado. Incluindo os políticos, que, aparentemente, para estarem em seus postos são votados pelo próprio povo que eles manipulam.

E o efeito desse plano junto à população é sutil. Ninguém se vê fazendo o que foi planejado para ele fazer. Ninguém admite que faz exatamente o que está no algoritmo da matriz de comportamento implantada em sua mente. Todos pensam que são independentes, que possuem livre arbítrio.

Todos acordam, escovam os dentes, seguem para o lazer, para o ensino ou para o trabalho, fazem suas refeições e voltam à noite para casa, a fim de constituir um pouco de entretenimento e sofrer engenharia social na frente da TV, do computador ou do celular, praticar sexo e, por fim, terminar o dia em uma cama, após destinar orações conforme sua fé. E começar tudo de novo no dia seguinte, na hora determinada para começar.

E o mais incrível é que os escravos nesse ecossistema amam a servidão. Não ousam desejar provar do tipo de vida que o lado escravocrata leva. Não conhecem a sua força e muito menos sabem que quem pode mudar tudo isso são eles próprios. A única tormenta que sofre a elite comandante é imaginar que um dia a massa venha a saber disso. Por isso é que ela providencia tanta engenharia social para desviar sua atenção das verdades.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: